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Future of MoneyCPTO
04/07/2026
5 min

O mercado financeiro brasileiro precisa de infraestrutura tão ambiciosa quanto sua inovação

O mercado financeiro brasileiro precisa de infraestrutura tão ambiciosa quanto sua inovação

Por Paul Tivnann*

A história da inovação financeira no Brasil costuma ser contada por meio do que as pessoas podem ver: pagamentos instantâneos, dados abertos e novos serviços digitais. Esses avanços mudaram as expectativas em todo o sistema e ajudaram a posicionar o Brasil como um dos mercados financeiros mais observados do mundo.

Contudo, a próxima fase dessa história será moldada por algo menos visível, mas igualmente importante: a infraestrutura interna das instituições financeiras.

Para bancos, corretoras, gestoras de ativos, tesoureiros corporativos e provedores de infraestrutura, os mercados brasileiros estão se tornando mais ágeis, mais conectados e mais complexos. A gestão de taxas, câmbio, liquidez, crédito, regulamentação e expectativas dos clientes exige agora sistemas capazes de acompanhar a mesma velocidade e disciplina do próprio mercado.

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Esse é o momento em que virá o próximo desafio competitivo.

O Brasil já demonstrou como pode ser uma inovação financeira ambiciosa. A questão agora é se a infraestrutura institucional que sustenta seus mercados consegue acompanhar esse ritmo: conectada o suficiente para dar suporte à agilidade, resiliente para gerenciar riscos e confiável o bastante para sustentar o crescimento.

Integração de áreas

Esses fatores são importantes devido às rápidas mudanças nas exigências impostas às instituições financeiras. Os clientes buscam maior transparência, execuções mais rápidas e buscam uma visão mais clara sobre riscos e liquidez. Além de esperar consistência, mesmo em momentos de volatilidade nos mercados.

Ao mesmo tempo, a regulamentação continua a evoluir e o capital deve ser utilizado com cautela. Os investidores globais estão de olho no Brasil e as instituições locais estão competindo em mercados onde a informação circula mais rapidamente, as decisões têm consequências mais graves e a resiliência operacional já não é uma questão restrita às áreas administrativas.

O modelo antigo de sistemas e fluxos de trabalho separados está se tornando cada vez mais difícil de manter. Nos mercados atuais, uma decisão tomada na área de negociação pode ter implicações imediatas para o risco, a liquidez, as operações e o atendimento ao cliente. As fronteiras entre essas funções estão se tornando cada vez menos nítidas, o que muda como as empresas competem.

O desempenho não é mais definido apenas pelo acesso aos mercados ou pela capacidade dos produtos, e sim pela eficácia com que as instituições integram dados, análises, fluxos de trabalho e execução. As empresas que liderarão serão aquelas capazes de identificar os riscos com maior clareza, agir com maior rapidez e atender aos clientes de forma mais consistente, independentemente das condições do mercado.

Apesar de ser o lado menos visível do desenvolvimento de mercado e nem sempre atrair a mesma atenção que uma nova plataforma ou um novo produto. Entretanto, é cada vez mais comum que seja nesse aspecto que se constrói a vantagem competitiva.

Adoção de novas tecnologias

Dados confiáveis fazem parte dessa base e o mesmo vale para uma arquitetura resiliente, assim como para fluxos de trabalho que aproximam as diferentes áreas da instituição. Em mercados em constante evolução, a rapidez é fundamental, porém sem controle não é suficiente.

O Brasil está particularmente bem-posicionado para esta próxima fase, uma vez que o setor financeiro brasileiro já demonstrou que é capaz de adotar novas tecnologias com rapidez e em grande escala. Seus órgãos reguladores têm contribuído para fomentar a inovação, mantendo o foco na resiliência e suas instituições compreendem que a confiança não é um obstáculo ao crescimento, pois permite que o crescimento seja duradouro.

O desafio agora é levar essa mesma ambição cada vez mais para os mercados institucionais.

Para isso, é necessário criar sistemas que ajudem as empresas a gerenciarem a liquidez em um ambiente mais dinâmico, o que significa proporcionar às equipes uma visão mais clara dos riscos em tempo real e tornar os dados mais consistentes em toda a empresa, facilitando a tomada de decisões mais rápidas sem adicionar complexidade desnecessária.

Revolução do back office

Nesse ponto, a experiência global se mostra útil. Em todos os mercados, observamos que as instituições líderes estão adotando modelos operacionais mais interconectados, investindo não apenas em novas ferramentas, mas também nos fundamentos que permitem que essas tecnologias funcionem em grande escala, pela qualidade dos dados, controles, interoperabilidade e integração de fluxos de trabalho.

A lição é clara: a inovação na linha de frente depende da solidez nos bastidores.

Para o Brasil, isso representa uma oportunidade. O país já criou expectativas em relação ao que a tecnologia financeira pode oferecer, agora ela pode ajudar a definir como deve ser uma infraestrutura de mercado institucional moderna ao ser mais rápida, conectada, resiliente e transparente.

No entanto, para concretizar essa visão, só a tecnologia não basta, pois o progresso depende de parcerias. É necessário compreender como os mercados realmente funcionam, onde as instituições enfrentam pressões e como os sistemas podem atender às necessidades práticas das empresas.

O próximo capítulo do Brasil não será escrito apenas pelos serviços que as pessoas utilizam em seus celulares, mas também por meio das plataformas, dos dados e dos fluxos de trabalho que permitem que as instituições operem com maior confiança e controle.

Os mercados brasileiros já demonstraram ambição. Agora, a infraestrutura que os sustenta precisa estar à altura.

*Paul Tivnann é diretor global da divisão de negócios corporativos da Bloomberg

AutorDa Redação
FonteExame
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