O negócio de R$ 25 milhões que cresceu resolvendo um problema invisível das grandes empresas
A Level Group atua nos bastidores de compras, fornecedores e contratos. Com grandes clientes como a Petrobras, empresa de São Paulo cresceu 13% em 2025 e entrou para o ranking EXAME Negócios em Expansão

RESUMO +
A Level Group, empresa de consultoria, terceirização e tecnologia para supply chain, ficou na 162ª posição do ranking EXAME Negócios em Expansão 2026. A receita subiu 13,3%, de R$ 22,2 milhões em 2024 para R$ 25,1 milhões em 2025. Segundo a empresa, 60% do crescimento recente veio de novos clientes.
Comprar papel, válvulas, serviços de limpeza ou peças de uma plataforma de petróleo parece uma tarefa simples até a conta chegar a milhares de fornecedores, contratos e pedidos espalhados por vários países. É nesse pedaço das empresas, conhecido como supply chain, a cadeia que reúne compras, fornecedores, estoques e logística, que surgiu um mercado de consultorias, sistemas e equipes terceirizadas.
A Level Group nasceu nesse setor há quase 20 anos, em São Paulo. Começou como uma consultoria para reorganizar áreas de compras e reduzir gastos. Hoje, também fornece equipes para clientes, administra fornecedores e contratos, desenvolve ferramentas de tecnologia, treina profissionais e participa de operações de importação. A empresa tem cerca de 400 funcionários.
A história ganhou um novo capítulo em 2026. A Level ficou na 162ª posição da categoria de empresas com receita entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões no ranking EXAME Negócios em Expansão, o maior prêmio para empreendedores do Brasil.
A receita passou de R$ 22,2 milhões em 2024 para R$ 25,1 milhões em 2025, alta de 13,3%. Segundo a empresa, 60% do crescimento recente veio da chegada de novos clientes e 40% da ampliação de contratos que já estavam na casa.
“A empresa continua sendo considerada parceira do cliente, mas o nível de atuação aumentou muito. Hoje é preciso entregar muito mais”, diz Walter Freitas, sócio-diretor da Level Group.
A próxima aposta está em usar tecnologia para encurtar etapas de trabalhos que antes levavam meses. A Level diz aplicar cerca de 5% do faturamento nessa frente e aumentou o quadro de funcionários em cerca de 30% enquanto criava novos serviços.
Como nasceu a Level Group
A empresa foi criada há cerca de 19 anos por dois profissionais que vinham de grandes companhias e trabalhavam com compras.
A oportunidade surgiu de uma mudança que começava a acontecer dentro das grandes empresas. As áreas de compras deixavam de ser vistas apenas como departamentos que emitiam pedidos e negociavam preço. Passavam a cuidar também da escolha de fornecedores, contratos, riscos e do impacto dessas decisões no custo final dos produtos.
Foi aí que a Level entrou. No início, o trabalho era de consultoria. A equipe analisava como o cliente comprava, revia processos, reorganizava departamentos e procurava formas de gastar menos.
Alguns dos contratos iniciados nos primeiros anos continuam ativos. O modelo começou a mudar quando os clientes passaram a pedir ajuda para executar os planos desenhados pela consultoria.
Uma das situações mais comuns era simples: a empresa tinha um volume grande de compras e tentava controlar pedidos e informações por e-mail. Depois de apontar o problema, a Level passou a ajudar também na escolha e implantação de ferramentas para organizar esse trabalho.
Da consultoria para a terceirização das compras
A etapa seguinte veio quando os clientes tinham processos definidos e sistemas disponíveis, mas não contavam com gente suficiente ou preparada para tocar a operação.
A Level passou então a treinar e colocar profissionais dentro das empresas clientes. É o chamado BPO, sigla em inglês para a terceirização de um processo de negócio. Na prática, uma companhia pode contratar a Level para executar parte das suas compras em vez de montar toda a equipe internamente.
Parte dos cerca de 400 funcionários da Level trabalha dentro das empresas atendidas.
Essa operação inclui atividades como receber uma demanda de compra, procurar fornecedores, comparar propostas, organizar cadastros e acompanhar contratos.
A empresa também atua na gestão de terceiros, verificando documentos e informações de prestadores de serviços, e em projetos para revisar contratos e fornecedores.
A mudança alterou a relação com os clientes. Em vez de terminar quando um projeto de consultoria acaba, parte dos contratos passou a continuar por períodos maiores.
Segundo Freitas, a perda de clientes gira em torno de 3%. Ele afirma ainda que a empresa tem registrado crescimento de dois dígitos em diferentes anos, inclusive durante a pandemia.
O que a Petrobras compra da Level
Um dos contratos usados por Walter para explicar essa expansão é o da Petrobras.
A estatal compra equipamentos de grandes fornecedores internacionais para suas plataformas. O problema aparece quando precisa adquirir partes e peças de vários fabricantes diferentes. Fazer um processo separado de contratação e importação para cada item aumenta o número de fornecedores e de etapas internas.
A Level passou a reunir parte dessas demandas.
Na prática, a empresa compra itens no exterior, faz a importação e a nacionalização, nome dado ao processo necessário para que a mercadoria entre formalmente no país, e depois vende as peças para a Petrobras com destino já definido.
A operação levou a Level a manter estrutura de apoio fora do Brasil, incluindo presença na Flórida, nos Estados Unidos, e na China.
Segundo Freitas, o contrato ligado a esse trabalho com a Petrobras cresceu quase 100% nos últimos dois anos.
Esse tipo de atividade faz parte da frente de global sourcing, a busca e compra de produtos e fornecedores em diferentes países.
Além da sede em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, os materiais da companhia citam operações e escritórios em outras localidades no Brasil e no exterior.
O que mudou com a inteligência artificial
A inteligência artificial passou a mudar o tipo de demanda que chega à Level. Segundo Freitas, perguntas mais simples já podem ser respondidas pelas próprias empresas, o que aumenta a procura por projetos mais específicos.
Na prática, ele diz que trabalhos que antes levavam de 3 a 6 meses entre análise, desenvolvimento e testes podem, em alguns casos, chegar a uma primeira entrega em cerca de um mês.
“Se a empresa não conseguir entregar esse valor, outros conseguirão”, diz.
A Level também passou a treinar funcionários e clientes no uso dessas ferramentas por meio da Level Academy. Mesmo com o avanço da automação, a empresa afirma ter ampliado o quadro em cerca de 30%.
Quem é Walter Freitas
Walter Freitas está na Level desde 2009 e hoje é sócio-diretor. Sua carreira reúne tecnologia, contratos e educação.
Ele tem formação na área de computação e especializações ligadas a administração e tecnologia. Os materiais da empresa também citam passagens por companhias e instituições como Dell, HP, MIT, FGV, FIA, Sustentare e Insper.
Freitas é autor de livro sobre gestão de contratos e coautor de publicações sobre compras e riscos ligados à terceirização.
Na Level, participa das áreas ligadas à gestão e tecnologia.
A empresa também mantém há cerca de 10 anos o Procurement Club, grupo criado para reunir profissionais de compras e supply chain. Segundo Freitas, o clube tem cerca de 400 participantes.
A ideia surgiu quando os sócios perceberam que profissionais responsáveis por compras movimentavam contratos e fornecedores dentro das empresas, mas tinham pouco espaço nas discussões de gestão.
O que a Level quer vender daqui para frente
A mudança mais recente está na combinação dos serviços que a empresa acumulou ao longo de quase duas décadas.
A Level começou dizendo ao cliente o que mudar. Depois passou a ajudar a executar a mudança. Em seguida vieram as equipes terceirizadas, os sistemas, a gestão de fornecedores, a importação e os treinamentos.
Agora, a empresa tenta juntar essas peças em projetos que resolvam tarefas específicas de compras e conectem informações que hoje ficam espalhadas em diferentes áreas.
A companhia diz ter executado mais de 2.000 projetos ao longo de sua história. Seus materiais institucionais também citam a gestão de 200 mil contratos, 50 mil fornecedores e 90 mil profissionais terceirizados.
Freitas diz que o próximo passo é conectar as ferramentas criadas em diferentes departamentos e evitar que cada área opere de forma isolada.
“A gente está criando várias coisas. Agora vamos fazer com que essas coisas se conectem dentro da empresa para fazer sentido no fluxo de informações”, diz.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
