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NegóciosMPOL
02/10/2026
9 min

O negócio de R$ 46 mi que cresce quando uma empresa precisa de um 'dev' para ontem

A Icon Solutions aloca profissionais de tecnologia em grandes empresas, como Marfrig e C6, e fechou 2025 com receita líquida de R$ 46,2 milhões, resultado que colocou a empresa no ranking Negócios em Expansão da EXAME

O negócio de R$ 46 mi que cresce quando uma empresa precisa de um 'dev' para ontem
RESUMO +

A empresa paulista de alocação de profissionais Icon Solutions registrou receita líquida de R$ 46,2 milhões em 2025, alta de 21,3% ante 2024. Cerca de 90% dos profissionais alocados atuam com tecnologia, em clientes como Marfrig, C6 Bank e Porto Seguro. Para 2026, a companhia projeta faturamento de R$ 75 milhões.

Encontrar um desenvolvedor, um gerente de projetos ou outro profissional de tecnologia pode levar semanas. E contratar é só parte do problema. Depois que essa pessoa começa a trabalhar, a empresa ainda precisa lidar com salário, contrato, troca de projeto e uma pergunta básica: ela vai ficar?

É nesse mercado que atua a Icon Solutions, empresa de São Paulo fundada em 2019 por Armando Novak, Maynna Berardo e Diego Blasco. A companhia contrata profissionais e os coloca para trabalhar dentro de clientes como Marfrig, C6 Bank, Porto Seguro, Grupo Fleury e Cogna Educação. Cerca de 90% das pessoas alocadas pela empresa trabalham com tecnologia.

A Icon chegou ao ranking EXAME Negócios em Expansão 2026 depois de registrar receita líquida de R$ 46,2 milhões em 2025, ante R$ 38,1 milhões no ano anterior, alta de 21,3%. Ficou na 96ª posição entre as empresas com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões. Para 2026, projeta faturamento de R$ 75 milhões.

“A cada três currículos que enviamos, uma vaga é fechada”, diz Novak, CEO da Icon. A frase resume uma das apostas dos sócios: mandar poucos nomes para o cliente e tentar acertar já nas primeiras indicações, em vez de encaminhar uma pilha de currículos para cada vaga.

Agora, além de aumentar a base de clientes, a Icon quer vender mais serviços para empresas que já atende. A companhia contratou Paulo Buti, executivo com passagens por Banco Safra, Korn Ferry e Cornerstone, para comandar a área comercial. Também está incluindo avaliações dos profissionais no controle mensal de horas para identificar problemas enquanto o projeto ainda está em andamento.

O que a Icon Solutions faz

A forma mais simples de entender a Icon é pensar em uma empresa que fornece profissionais para trabalhar dentro de outras empresas.

Um cliente pode precisar de desenvolvedores para criar uma plataforma ou de um gerente para tocar um projeto de tecnologia. Em vez de contratar essas pessoas diretamente, pode recorrer à Icon.

A Icon procura o profissional, faz as entrevistas, checa referências e cuida da contratação. O trabalhador pode ser CLT ou atuar como pessoa jurídica. Depois, passa a trabalhar no projeto do cliente.

“A gente paga o salário deles e o cliente paga o projeto”, diz Novak.

O modelo é conhecido como outsourcing, termo em inglês para a contratação de um serviço ou equipe externa. Na Icon, ele representa a maior parte da operação.

Quem contrata a empresa

A lista de clientes citada pelos sócios inclui C6 Bank, Marfrig, Porto Seguro, Grupo Fleury e Cogna Educação.

No C6, o trabalho começou ainda no início da operação do banco e passou também pelo RH.

Nesse caso, a Icon atua com RPO, sigla em inglês para terceirização do processo de recrutamento. Na prática, profissionais da Icon executam parte das tarefas que um departamento de RH faria dentro da empresa, principalmente na busca e seleção de funcionários.

Segundo os sócios, mais de 400 profissionais selecionados pela Icon acabaram contratados diretamente pelo C6 ao longo da relação entre as empresas.

Esse movimento faz parte do modelo. Se o cliente decide que quer manter um profissional que estava alocado como terceiro, a Icon permite que ele seja contratado para o quadro próprio.

Para Blasco, a relação funciona dos dois lados: é preciso encontrar uma pessoa adequada ao trabalho e, ao mesmo tempo, oferecer a ela um projeto no qual queira permanecer.

Os três sócios se conheceram no mesmo emprego

Antes da Icon, Novak, Berardo e Blasco trabalharam juntos em uma multinacional inglesa do setor de alocação de profissionais.

Os caminhos até aquela empresa foram diferentes.

Novak cresceu em uma família de empreendedores. Depois que os negócios da família passaram por dificuldades, entrou no mercado formal aos 27 anos.

Começou como headhunter, profissional contratado para procurar candidatos para vagas específicas. Trabalhou com recrutamento para o mercado financeiro e passou por consultorias como Havik e Michael Page.

Depois migrou para tecnologia. Foi diretor comercial de uma multinacional francesa e, mais tarde, recebeu um convite para trabalhar na empresa inglesa onde conheceria os futuros sócios.

Blasco veio da área de vendas. Trabalhou nos setores automotivo e de telefonia, cursou Ciências da Computação e entrou como trainee em uma consultoria chinesa que vendia sistemas para áreas fiscal e contábil.

Mais tarde, foi recrutado pela mesma multinacional inglesa. Entrou como recrutador e chegou à área de vendas.

Berardo trabalhou em uma startup, passou por Sales Operations, a área que organiza os processos do time de vendas, e depois cuidou de compliance na América Latina.

Compliance reúne regras e controles usados para que a empresa siga leis e normas internas.

Berardo chegou a receber a possibilidade de continuar crescendo nessa área, mas passou a questionar se queria seguir aquela carreira. Um diretor sugeriu que experimentasse uma posição comercial.

“Eu falei na época para ele: ‘não sai do meu lado, porque eu sou tímida, isso não é para mim’”, afirma.

Ela acabou fazendo a mudança.

O incômodo que virou empresa

Foi na multinacional inglesa que os três começaram a discutir um problema que viam no dia a dia.

Os clientes recebiam atenção dos times comerciais. Os profissionais terceirizados, que passavam os dias trabalhando dentro desses clientes, recebiam menos contato.

Em alguns casos, segundo Berardo, os próprios funcionários tiravam dinheiro do bolso para comprar pequenos presentes para os profissionais que acompanhavam.

Outra situação incomodava Novak: candidatos participavam de processos seletivos, criavam expectativa sobre uma vaga e depois deixavam de receber resposta.

“Você participava de uma entrevista, para dizer que deu certo, e aí ninguém respondia. Então isso incomodava muito a gente”, diz.

Entre setembro e novembro de 2019, os três deixaram a empresa.

Em dezembro, começaram a discutir o que fariam em seguida. Segundo Novak, havia propostas de concorrentes na mesa. A outra opção era abrir o próprio negócio.

Escolheram fundar a Icon. A operação começou com quatro pessoas em um coworking.

Por que a empresa liga toda semana para quem está alocado

Uma das primeiras decisões foi criar uma equipe dedicada aos profissionais que estavam trabalhando dentro dos clientes.

A empresa chama essa área de CX, sigla para customer experience, ou experiência do cliente. A diferença é quem a Icon considera cliente nesse caso: o próprio profissional alocado.

A equipe entra em contato toda semana para saber como está o projeto, se há algum problema e se o profissional precisa de ajuda.

A empresa também organiza workshops e planos individuais de desenvolvimento.

Segundo os sócios, há profissionais que estão há mais de quatro anos trabalhando pela Icon.

Blasco diz que a permanência importa porque, em tecnologia, trabalhadores recebem propostas para trocar de empresa ou projeto com frequência.

Para a Icon, manter o profissional também ajuda a manter o contrato. Uma troca significa procurar outra pessoa, fazer entrevistas e colocar o substituto dentro de um projeto que já está em andamento.

Três currículos para tentar preencher uma vaga

Outra parte do negócio está no recrutamento.

A Icon mede quantos currículos precisa apresentar até que um cliente escolha alguém.

A meta mínima é de 33%. Na prática, isso significa uma contratação para cada três currículos enviados. Segundo Berardo, a média da empresa está em 38%.

Os candidatos também passam por uma checagem de referências profissionais antes de terem o currículo encaminhado.

A intenção é evitar situações relatadas pelos sócios ao longo dos anos, como uma pessoa começar o trabalho e abandonar o projeto poucos dias depois ou manter empregos simultâneos que impeçam o cumprimento da jornada combinada.

O prazo também entra na conta.

A empresa afirma apresentar ou preencher demandas em cerca de cinco dias úteis, dependendo da vaga. Em alguns casos, segundo os sócios, consegue enviar um perfil em um ou dois dias.

A Icon passou ainda a usar inteligência artificial na primeira triagem dos candidatos. O sistema ajuda a separar currículos de acordo com experiência e conhecimentos exigidos para a vaga. A entrevista continua sendo feita por pessoas.

A conta para chegar aos R$ 75 milhões

O crescimento da Icon até aqui veio, segundo os fundadores, principalmente de clientes que voltaram a contratar e de indicações feitas por outras empresas.

A companhia não recebeu investimento de fundos de venture capital, nome dado aos fundos que compram participações em empresas com expectativa de crescimento.

Agora, uma das frentes é aumentar a quantidade de serviços vendidos para um mesmo cliente.

A Icon opera duas áreas. A Icon IT concentra alocação de profissionais de tecnologia, equipes montadas para projetos e administração de profissionais. A Icon HR trabalha com recrutamento, seleção, busca de executivos, treinamento e projetos de RH.

A ideia é fazer um cliente que entrou por uma dessas portas comprar também serviços da outra.

Há ainda uma mudança no acompanhamento dos profissionais.

Hoje, o consultor informa quantas horas trabalhou durante o mês e o gestor do cliente valida o registro. A Icon pretende incluir nessa mesma etapa uma avaliação do serviço, parecida com a nota dada após uma corrida em um aplicativo.

Se uma pessoa que costumava receber boas notas começar a ser mal avaliada, a equipe poderá procurar o profissional e o gestor para entender o que mudou.

“É uma balança. A gente tem que cuidar tanto do nosso consultor quanto do nosso cliente”, diz Berardo.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura do evento de lançamento da edição 2026.

AutorLeo Branco
FonteExame
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