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NegóciosMPOL
15/07/2026
6 min

O plano da Conta Simples para virar o melhor amigo do financeiro e movimentar R$ 500 bilhões

O plano da Conta Simples para virar o melhor amigo do financeiro e movimentar R$ 500 bilhões

Durante anos, a Conta Simples construiu sua reputação ajudando pequenas e médias empresas a resolver uma dor bastante específica: controlar despesas com cartões corporativos. A aposta deu resultado. A fintech chegou ao primeiro semestre de 2026 com R$ 90 bilhões movimentados historicamente em sua plataforma, mais de 2,3 milhões de cartões corporativos emitidos e cerca de 45 mil empresas na base de clientes.

Agora, a empresa acredita que chegou a hora de ampliar a ambição. Em vez de disputar apenas o mercado de cartões corporativos, a Conta Simples quer assumir um papel mais amplo na rotina dos departamentos financeiros das PMEs. A estratégia passa por transformar tarefas hoje realizadas manualmente por equipes financeiras em processos automatizados por agentes de inteligência artificial.

Na prática, a fintech quer assumir parte do trabalho que hoje ocupa boa parte da rotina de equipes financeiras, normalmente pequenas e sobrecarregadas. Em vez de passar horas conferindo notas fiscais, validando centros de custo, conciliando despesas e procurando inconsistências antes do fechamento do mês, a proposta é que agentes de inteligência artificial façam esse trabalho automaticamente, deixando para o time apenas os casos que exigem análise humana.

"Quando fundamos a empresa, percebemos que o banco era visto como mais uma barreira para quem empreendia. Nossa visão sempre foi fazer o contrário: o banco precisa ser um parceiro, um facilitador. Queremos ser o melhor amigo do financeiro das empresas", afirma Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples.

A mudança de estratégia também amplia o mercado que a Conta Simples pretende disputar. Hoje, a fintech tem cerca de 2,5% de participação no segmento de cartões corporativos e espera superar 3% até o fim do ano.

Mas, segundo Tognini, os cartões representam apenas cerca de 2% dos pagamentos entre empresas no Brasil. Ao expandir sua atuação para toda a jornada financeira das PMEs, a empresa deixa de disputar apenas esse nicho e passa a mirar um mercado até 50 vezes maior. "Quando ampliamos nossa atuação para toda a jornada bancária das empresas, nosso mercado endereçável cresce cerca de 50 vezes", diz.

Como a Conta Simples quer ir além do cartão corporativo

A Conta Simples nasceu em 2019 oferecendo conta digital para empresas. Com o tempo, encontrou nos cartões corporativos e na gestão de despesas seu principal diferencial competitivo.

Foi nesse segmento que consolidou sua marca. A plataforma permite criar cartões personalizados para colaboradores, definir regras de utilização, controlar centros de custo, anexar comprovantes e automatizar parte da prestação de contas. Agora, a fintech quer levar essa lógica para toda a operação financeira das empresas.

Nos últimos meses, a companhia passou a reforçar sua oferta de produtos bancários, incluindo conta remunerada, capital de giro, crédito, investimentos e conta global para operações internacionais.

Mas a principal aposta está em uma camada adicional de inteligência artificial, chamada internamente de Banco Agêntico B2B. A ideia é que o banco deixe de apenas oferecer produtos financeiros para também executar parte do trabalho operacional realizado pelas equipes financeiras.

"Hoje os bancos entregam a movimentação financeira. O trabalho de conferir notas, validar despesas, conciliar pagamentos e identificar inconsistências continua sendo feito pelas empresas. Queremos trazer esse serviço para dentro da própria plataforma", diz Tognini.

Como funciona o primeiro agente da Conta Simples

O primeiro passo dessa estratégia é o lançamento do Agente de Conferência, ferramenta de inteligência artificial responsável por automatizar a conferência de despesas corporativas antes da conciliação financeira.

O agente verifica automaticamente se cada transação possui comprovante fiscal, centro de custo correto, categoria adequada e documentação necessária, notificando o colaborador sempre que encontrar inconsistências.

Segundo a empresa, o sistema elimina cerca de 90% do tempo dedicado pelas equipes financeiras à conferência manual das despesas. Na prática, isso representa uma economia média de até 120 horas mensais para empresas de médio porte.

"A ideia não é substituir pessoas. É eliminar o trabalho operacional para que os times financeiros possam dedicar tempo a análises e decisões estratégicas", diz Tognini.

Até o fim do ano, a Conta Simples pretende lançar novos agentes voltados a diferentes etapas da operação financeira. O plano inclui uma plataforma que permitirá aos próprios clientes desenvolver agentes personalizados sobre a infraestrutura da fintech.

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A aposta em inteligência artificial

A aposta na inteligência artificial não se resume ao desenvolvimento de produtos. Hoje, cerca de 10% de todo o investimento anual da companhia é destinado às iniciativas de IA.

Segundo Tognini, a empresa começou esse movimento há cerca de dois anos, utilizando inteligência artificial primeiro dentro da própria operação. No início deste ano, estabeleceu a meta de implementar 100 agentes internos em diferentes áreas da empresa. Terminou o semestre com 170 iniciativas em funcionamento.

"A gente percebeu que não dava para construir agentes para os clientes sem antes aprender a operar IA dentro da própria empresa."

Para o executivo, esse aprendizado criou uma vantagem competitiva importante. Como a Conta Simples já opera uma plataforma de gestão financeira, a empresa reúne uma base de dados sobre despesas, centros de custo, categorias, fornecedores e regras financeiras capaz de alimentar esses agentes de forma muito mais eficiente. "O software entrega dados. E sem dados não existe inteligência artificial capaz de gerar valor", diz.

O plano de expansão rumo aos R$ 500 bilhões

A mudança de posicionamento também altera o grupo de concorrentes da Conta Simples. Se até agora a empresa disputava espaço principalmente com plataformas de cartões corporativos e gestão de despesas, a partir dessa nova fase passa a competir diretamente com bancos tradicionais e bancos digitais voltados para empresas.

A ideia, porém, não é substituir sistemas de gestão (ERPs), mas transformar a forma como as empresas se relacionam com o banco. "Nossa intenção não é substituir os ERPs. Queremos transformar a experiência bancária das empresas", afirma Tognini.

A ambição acompanha o tamanho dessa mudança. Depois de atingir R$ 90 bilhões movimentados historicamente e projetar superar a marca de R$ 100 bilhões ainda em 2026, a Conta Simples espera crescer cerca de 80% ao ano nos próximos cinco anos. A meta de longo prazo é movimentar R$ 500 bilhões em pagamentos corporativos até 2030.

"O cartão foi o começo da nossa história. Agora queremos construir uma plataforma em que o banco não seja apenas um lugar por onde o dinheiro passa, mas um sistema que trabalha junto com o financeiro das empresas", diz.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
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