O plano da Hope para aumentar as vendas por loja e chegar a R$ 1 bilhão

Abrir lojas já não basta para crescer no varejo. Depois de faturar R$ 770 milhões em 2025, a Hope pretende alcançar R$ 1 bilhão neste ano investindo R$ 30 milhões em uma estratégia para vender mais nas unidades que já possui.
A empresa passa a concentrar lingerie, moda fitness e moda praia sob uma única marca para aumentar as vendas por metro quadrado, elevar o ticket médio e transformar cada loja em uma operação mais produtiva.
"Eu vejo esse movimento como um mecanismo para aumentar a produtividade de venda por metro quadrado. A gente não quer terminar o dia vendendo igual ao que vende hoje", afirma José Luis Fernandes, CEO da Hope.
Na prática, a empresa deixa de operar marcas separadas e passa a organizar seu portfólio em três categorias (Underwear, Sport e Resort) todas sob a bandeira Hope. A mudança será aplicada nas novas unidades e, gradualmente, também na rede existente.
A decisão nasceu depois de testes realizados em cidades médias e grandes. A empresa percebeu que consumidores que antes entravam na loja para comprar lingerie passaram a incluir também peças fitness e moda praia na mesma compra.
"A gente passou a dar a possibilidade de o consumidor resolver uma série de necessidades no mesmo ponto de venda", diz Fernandes. "Mais do que agregar faturamento, melhora a experiência de compra."
Quer receber uma mentoria gratuita no seu negócio? Inscreva-se no Choque de GestãoA estratégia da Hope para aumentar as vendas por loja
A estratégia chega num momento em que boa parte do varejo busca formas de crescer sem depender exclusivamente da expansão física. Juros elevados, custos de implantação e maior seletividade do consumidor tornaram a abertura de lojas um investimento mais complexo.
Hoje, a Hope opera cerca de 340 lojas franqueadas e pretende abrir outras 60 unidades neste ano. Apesar do cenário econômico, a companhia afirma que aproximadamente 70% do pipeline de expansão vem dos próprios franqueados atuais.
"Não está fácil. O cenário econômico é desafiador, mas temos um volume relativamente bom de operações no pipeline, e a maior parte vem dos franqueados que já conhecem o negócio", afirma o executivo.
A expectativa é que a integração das categorias acrescente cerca de 10% ao faturamento das operações à medida que as lojas forem convertidas para o novo modelo.
Do total investido, R$ 10 milhões serão destinados àfábrica de Maranguape, no Ceará, com novas máquinas de corte, expansão da produção de peças sem costura e aumento da capacidade produtiva. Os R$ 20 milhões restantes serão aplicados em marketing e comunicação do novo posicionamento da marca.
Hope reúne lingerie, fitness e praia sob uma única marca
A reorganização também representa uma mudança de posicionamento.
Durante décadas, a Hope ficou conhecida principalmente pelas lingeries. Agora, quer ampliar essa percepção e disputar espaço em categorias que vêm crescendo acima da média dentro do próprio negócio.
"O nosso objetivo é que a Hope deixe de ser vista apenas como uma marca de underwear e passe a ser reconhecida como uma marca de lifestyle", afirma Fernandes.
A estratégia acompanha mudanças de comportamento do consumidor. Segundo o executivo, categorias como moda fitness e praia ganharam relevância nos últimos anos, impulsionadas pelo aumento da prática de atividades físicas e por uma busca maior por conforto no dia a dia.
Essa mudança também será levada para o canal multimarca, responsável por cerca de 25% do faturamento da empresa. Hoje, a Hope possui aproximadamente 2 mil clientes nesse segmento e pretende ampliar a presença das categorias Sport e Resort, que antes eram concentradas principalmente nas lojas próprias e franquias.
No digital, a integração também avança. A companhia passou a utilizar o estoque das lojas para abastecer pedidos feitos no e-commerce, reduzindo prazos de entrega e aproximando a operação de um modelo omnichannel.
Como a Hope enfrenta a concorrência no mercado de lingerie
O crescimento das categorias fitness coincide com outro movimento importante dentro da empresa: a expansão das peças sem costura.
Fabricadas com tecnologia mais automatizada, elas permitem oferecer produtos com preços mais competitivos em um mercado que recebeu novos concorrentes nacionais e internacionais nos últimos anos.
Para Fernandes, porém, competir apenas por preço seria um erro.
"O consumidor reconhece a Hope por conforto e qualidade. Essas são duas bandeiras que a gente não pode perder. O nosso diferencial continua sendo inovar constantemente", afirma.
A empresa também já observa mudanças no próprio perfil de consumo. Segundo o CEO, o avanço das chamadas canetas para emagrecedoras começou a alterar a demanda por tamanhos, aumentando a procura porpeças PP e P nas coleções mais recentes. Embora ainda não divulgue números sobre essa mudança, a Hope afirma que vem ajustando sua grade de produção para acompanhar a nova realidade do mercado.
Mais do que ampliar o portfólio, a Hope aposta que o consumidor deixará de enxergar suas lojas apenas como um destino para comprar lingerie. A expectativa é que uma mesma visita resulte em mais produtos no carrinho, aumentando a produtividade de cada unidade e aproximando a companhia da meta de R$ 1 bilhão em faturamento.
