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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
06/08/2026
6 min

O plano de R$ 40 milhões da Divino Fogão para sair do shopping e levar bufê livre para a rua

Rede prevê 40 inaugurações em 2026 e testa formatos em pontos de rua e rodovias após concentrar sua expansão em centros comerciais por mais de quatro décadas

O plano de R$ 40 milhões da Divino Fogão para sair do shopping e levar bufê livre para a rua

A Divino Fogão pretende abrir 40 unidades em 2026, em um ciclo que deve mobilizar pelo menos R$ 40 milhões. O plano marca uma mudança na estratégia da rede de comida brasileira: depois de concentrar sua expansão em shopping centers, a empresa voltou a instalar restaurantes em ruas e rodovias.

A primeira loja de rua desta nova fase foi inaugurada em março, na Asa Sul, em Brasília. O formato substitui o tradicional bufê por quilo dos shoppings por um modelo de preço fixo, no qual o cliente pode se servir à vontade. A rede também abriu duas unidades em rodovias e prepara outro restaurante de rua em São Paulo.

“Até o ano passado, nossa expansão era toda em shopping. A ideia de ir para a rua é fortalecer a marca e oferecer outro tipo de serviço”, diz o diretor de planejamento e novos negócios do Divino Fogão e filho do fundador, Reinaldo Varela.

A companhia chegou ao fim do primeiro semestre com 260 pontos de venda. No período, inaugurou 12 restaurantes em sete estados, que movimentaram R$ 16,5 milhões em investimentos, criaram quase 200 empregos diretos e adicionaram cerca de R$ 5 milhões às vendas da rede. As novas operações ampliaram em aproximadamente 100 mil refeições mensais sua capacidade de atendimento.

O Divino Fogão afirma ter crescido 22% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com 2024, o número de pontos de venda aumentou 15%, as vendas das lojas consolidadas avançaram 10% e o faturamento total da rede subiu 21%.

Qual é origem da Divino Fogão

A entrada nas ruas representa, na prática, um retorno ao ponto de partida da companhia. O Divino Fogão nasceu há 42 anos como um restaurante de rua em São Paulo, perto do Shopping Eldorado.

O negócio foi criado por Reinaldo Varela e dois primos, que queriam reproduzir a comida de fazenda consumida pela família. Parte das receitas veio da bisavó de Rodrigo Varela. Com a saída dos outros sócios, Reinaldo assumiu sozinho a operação.

A mudança para os shoppings ocorreu quando um profissional envolvido na implantação do Eldorado, que frequentava o restaurante, convidou o empresário a abrir uma unidade no centro comercial. A marca ainda se chamava São Paulo I. 

A expansão por franquiascomeçou a partir desse endereço. Segundo Varela, o modelo permitiu que o pai ampliasse a rede mesmo sem dispor de capital para financiar sozinho todas as inaugurações. O nome Divino Fogão foi adotado quando a empresa se preparava para deixar São Paulo e abrir uma operação no Rio de Janeiro.

Desde então, os shoppings passaram a concentrar a operação. A empresa, porém, considera que já ocupa boa parte dos principais centros comerciais brasileiros e busca novos pontos para atingir consumidores fora dessas áreas.

“Estamos nos grandes shoppings do Brasil e ainda temos oportunidades nesse mercado. Neste ano, já inauguramos 12 lojas em shopping centers e temos mais 16 em construção. Mas há regiões onde esse tipo de serviço não está disponível e nas quais existe espaço para uma loja de rua”, diz Varela.

A diversificação não significa abandonar os centros comerciais. A maior parte das inaugurações de 2026 ainda ocorrerá em shoppings. Ruas e rodovias funcionam como uma nova frente para a companhia alcançar bairros, cidades e corredores de viagem nos quais não há um empreendimento comercial adequado para a operação.

Como será o novo modelo

O restaurante de rua também muda a ocasião de consumo. Nos shoppings, o Divino Fogão trabalha com o modelo self-service por quilo, voltado principalmente às refeições durante a rotina de trabalho e de compras. Fora deles, a rede pretende disputar almoços em família e períodos de lazer.

Na unidade de Brasília, o cliente paga um preço fixo e pode retornar ao bufê. O valor poderá variar de acordo com a região e com os custos de ocupação de cada ponto comercial.

“Na rua, levamos um pouco mais de aconchego para a família, para que ela possa estar no restaurante em outros momentos. Continua sendo bufê, mas funciona como um serviço à vontade, por um valor único”.

A empresa também começou a implantar as chamadas megalojas, restaurantes com áreas superiores a 200 metros quadrados. O objetivo é acomodar um serviço mais amplo do que o encontrado nas praças de alimentação, além de adaptar a operação ao perfil de cada ponto comercial.

O investimento em uma nova unidade varia de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, de acordo com o formato e a localização. A companhia informa aos candidatos a franqueado um prazo de retorno de aproximadamente 32 meses, embora Varela diga que algumas operações vêm recuperando o investimento em menos tempo. Cada restaurante emprega, em média, entre 16 e 18 pessoas.

Rodrigo Varela: diretor de planejamento e novos negócios do Divino Fogão é filho do fundador da rede (Divino Fogão/Divulgação)

Onde estarão as novas lojas

As inaugurações do primeiro semestre ocorreram no Espírito Santo, Maranhão, São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina, Bahia e Goiás. Para a segunda metade do ano, a rede destaca oportunidades em Goiás, Santa Catarina e Rio de Janeiro, onde três restaurantes estavam em implantação quando o balanço foi divulgado.

A companhia também busca ampliar sua presença no Rio Grande do Sul, um mercado no qual sua operação ainda é pequena. Em São Paulo, o plano contempla tanto a capital quanto cidades do interior.

O capital para as inaugurações vem de novos investidores e de franqueados que já operam restaurantes da marca. Além das seis lojas próprias, o Divino Fogão adota um modelo híbrido em parte da rede: a franqueadora participa da operação como sócia investidora do franqueado.

“A grande maioria das lojas é franquia. Em algumas operações, nós, como franqueadores, entramos de sócios junto com o franqueado”, afirma Varela.

Como a rede tenta manter o mesmo prato em 260 endereços

A expansão exige que a companhia replique uma operação baseada em preparo diário e em dezenas de itens expostos no bufê. O Divino Fogão não utiliza uma cozinha central para distribuir refeições prontas.

Cada restaurante tem, em geral, dois chefes de cozinha e prepara localmente o cardápio do almoço e do jantar. Arroz, feijão, carnes e outros produtos seguem uma lista de marcas e fornecedores homologados. Hortaliças e frutas podem ser compradas de produtores regionais.

“Toda a comida é produzida dentro de cada loja. As unidades têm um cardápio com as fichas técnicas do que será preparado naquele dia”, diz Varela.

A empresa centraliza um tempero próprio, usado nas receitas da rede. O restante da padronização depende das fichas técnicas, do treinamento das equipes e da compra de ingredientes dentro dos critérios definidos pela franqueadora.

Filho do fundador e formado em administração, Varela trabalha no negócio desde os 15 anos. Antes de assumir a diretoria da franqueadora, também operou uma unidade como franqueado.

“Eu sempre estive em loja e fui muito curioso. Também tive um Divino Fogão meu durante alguns anos. Foi ali que ganhei boa parte do conhecimento para atuar hoje”, afirma.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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