O plano de US$ 140 bilhões do Japão para data centers de IA
Parceria entre JERA, Dell e RHAELM prevê usina e data center integrados em Chiba; potencial de expansão no Japão pode chegar a US$ 140 bilhões

RESUMO +
Uma parceria entre JERA, Dell e RHAELM prevê um data center de mais de US$ 15 bilhões em Chiba. Segundo o Financial Times, a expansão pode alcançar US$ 140 bilhões. O primeiro projeto deve começar a operar em 2028.
Uma expansão de data centers de inteligência artificial (IA) no Japão pode mobilizar até US$ 140 bilhões, segundo reportagem do Financial Times. O primeiro passo é uma parceria entre a geradora japonesa JERA, a Dell Technologies e a desenvolvedora britânica RHAELM, anunciada nesta quinta-feira, 1º.
O projeto inicial será instalado em Chiba, perto de Tóquio, com capacidade elétrica de até 400 megawatts (MW) e investimento previsto superior a US$ 15 bilhões ao longo de todas as fases. A proposta é reunir geração de energia e computação no mesmo local para acelerar a implantação.
O valor da expansão não consta no comunicado oficial e não corresponde a uma verba pública anunciada. A parceria foi formalizada por um memorando de entendimentos.
Uma usina ao lado dos computadores
O complexo ficará junto à usina térmica de Chiba, da JERA. A alimentação elétrica será feita diretamente a partir do ativo de geração, em uma configuração conhecida como behind-the-meter. A intenção é reduzir a dependência dos prazos de conexão convencional à rede.
“Podemos entregar uma instalação de 400 MW anos antes do cronograma de uma conexão convencional à rede”, afirmou Bradd Lewis, CEO da RHAELM, no comunicado da parceria.
A estratégia responde a um gargalo de energia que acompanha a expansão da IA. Na projeção atualizada em 2026, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que os data centers consumam 950 terawatts-hora de eletricidade em 2030, ante 485 em 2025.
Os números medem o consumo anual mundial, enquanto os 400 MW de Chiba representam capacidade de potência. São medidas diferentes: uma indica a quantidade de energia utilizada ao longo do tempo; a outra, a capacidade elétrica prevista para atender o projeto.
Quem fornece energia, equipamentos e capital
A JERA entra com o terreno e a energia; a Dell fornece infraestrutura de computação organizada em conjuntos de servidores; e a RHAELM lidera o desenvolvimento do empreendimento. A Apollo Global Management pretende atuar como parceira de investimento e financiamento da RHAELM.
O orçamento de Chiba abrange terreno, infraestrutura elétrica, construção e equipamentos de IA. Portanto, os mais de US$ 15 bilhões não se destinam apenas ao edifício que abrigará os computadores.
O primeiro projeto precisa virar um modelo
As empresas querem padronizar a integração de energia, refrigeração e computação para reduzir o tempo de implantação dos próximos projetos.
A JERA e a RHAELM pretendem explorar outros locais da geradora, com a ambição de alcançar vários gigawatts de infraestrutura no Japão na década de 2030.
Segundo a Reuters, Chiba deverá iniciar a operação por etapas em 2028 e atingir plena capacidade em 2029.
