O problema crônico da bolsa brasileira: por que investir em ações no Brasil é um “videogame no modo hard”, segundo gestor da Legacy
Bruno Leite, chefe de equities da Legacy Capital, afirma que a competição com os juros elevados torna a bolsa brasileira estruturalmente mais desafiadora do que a americana — mas diz que esse cenário também cria boas oportunidades para quem investe no longo prazo. Veja quatro ações para comprar

Investir na bolsa brasileira nunca foi uma tarefa simples. Mesmo em momentos de maior otimismo, o mercado local enfrenta um problema estrutural que torna o desafio muito maior do que em bolsas de países com economias desenvolvidas, como a dos Estados Unidos.
Essa é a avaliação de Bruno Leite, sócio e chefe de equities da Legacy Capital, feita durante participação no podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro. "Investir em ações no Brasil é como jogar videogame no modo hard. Olhando para o longo prazo a nossa bolsa tem um problema crônico: a competição com a Selic", resumiu.
Para o gestor, a principal diferença está no ambiente macroeconômico. Enquanto os investidores norte-americanos convivem com juros estruturalmente baixos, no Brasil a bolsa precisa disputar espaço com uma das rendas fixas mais rentáveis do mundo.
"No Brasil, se o investidor comprar qualquer ação, em qualquer momento, a chance de dar errado é muito maior. Nos Estados Unidos, na média, acontece o contrário", afirma.
Juros altos são "o problema crônico" da bolsa brasileira
Para ilustrar, ele cita um shopping center capaz de gerar um fluxo de caixa livre entre 6% e 7% ao ano — um retorno considerado excelente na maior parte do mundo. No Brasil, porém, esse desempenho perde atratividade quando comparado a uma Selic elevada.
A disparidade fica ainda mais evidente quando a comparação é feita em dólar. Segundo Leite, obter uma valorização anual de cerca de 10% em dólar para ações americanas está longe de ser algo extraordinário. Gigantes de tecnologia entregaram esse desempenho durante anos.
No mercado brasileiro, porém, alcançar esse mesmo retorno é muito mais raro. "Fazer 10% ao ano em dólar no Brasil é quase um milagre", afirma.
Na avaliação do gestor, isso não significa que as empresas brasileiras sejam piores, mas sim que operam em um ambiente econômico muito mais adverso.
Outro fator que dificulta a vida do investidor é a forte dependência do fluxo de capital estrangeiro.
Como boa parte da liquidez do Ibovespa vem de investidores internacionais, mudanças na percepção global sobre risco podem provocar movimentos expressivos na bolsa brasileira, independentemente dos fundamentos das empresas. Por isso, Leite defende que o investidor seja muito mais seletivo ao montar sua carteira.
Quando aparecem boas oportunidades e quais ações comprar
Apesar das dificuldades, o gestor acredita que justamente os momentos de maior pessimismo costumam oferecer as melhores oportunidades para quem investe com horizonte de longo prazo.
Inspirado na filosofia de Warren Buffett, Leite afirma que o ideal é comprar quando o mercado negocia com desconto, em meio a juros elevados e incertezas, como costuma ocorrer em períodos eleitorais. Na visão dele, quem investe pensando em dois ou três anos tende a encontrar retornos mais atrativos justamente nesses momentos.
"O histórico mostra que os melhores pontos de entrada costumam surgir quando os juros estão altos", afirmou.
Segundo o gestor, um erro frequente do investidor pessoa física é migrar para a bolsa apenas quando a renda fixa perde atratividade. Nessa fase, diz ele, os preços das ações normalmente já incorporaram boa parte da recuperação.
Além da análise sobre o mercado brasileiro, Leite apontou quatro ações que acredita terem potencial de valorização: Vivara (VIVA3), Copasa (CSMG3), Prio (PRIO3) e Orizon (ORVR3). No episódio abaixo, ele explica por que vê essas empresas como boas apostas para o investidor. Lá você também pode conferir em detalhes a análise de Leite sobre o cenário para a bolsa nos próximos meses:
