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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
17/09/2026
7 min

O produto oculto que transformou esta empresa do interior de SP em uma indústria de R$ 360 milhões

Companhia fabrica material que atende desde pequenas lojas até grandes edifícios e investiu R$ 70 milhões em melhorias na sua fábrica

O produto oculto que transformou esta empresa do interior de SP em uma indústria de R$ 360 milhões

RESUMO | A Projeto Alumínio, fundada por Jefferson Lousa em 1993, faturou R$ 309 milhões em 2025 ao transformar o ACM em seu principal produto e projeta R$ 360 milhões para 2026. Formado por lâminas de alumínio e núcleo de polietileno, o material reveste fachadas, portas e lojas. A companhia exporta para 11 países.


Quem passa pela Avenida Faria Lima, entra em uma cafeteria, olha uma loja de rua ou observa um prédio envidraçado pode não perceber, mas provavelmente está diante do mesmo material: o ACM, sigla para Aluminum Composite Material.

Formado por duas lâminas de alumínio e um núcleo interno de polietileno, o produto oculto aos olhos de quem passa é usado como revestimento de fachadas, portas, lojas e empreendimentos comerciais.

Foi justamente nesse material pouco conhecido fora da construção civil que Jefferson Lousa encontrou uma oportunidade de negócio. Em 1993, ele começou a empresa como uma pequena representação de alumínio em São José do Rio Preto, no interior paulista.

Três décadas depois, a companhia transformou o ACM em seu principal produto, construiu uma fábrica própria, passou a atender grandes obras e alcançou faturamento de R$ 309 milhões em 2025, com expectativa de chegar a R$ 360 milhões em 2026.

Hoje, a empresa possui um parque industrial de aproximadamente 50 mil metros quadrados, cinco filiais e exporta para 11 países.

“Nossa trajetória foi uma linha constante de crescimento. Nunca tivemos um ano pior que o outro. Foi uma jornada de desafios e investimentos”, afirma Lousa.

Como uma pequena revenda virou uma indústria

A história começou antes da fábrica. Lousa trabalhava na multinacional Alcan Alumínio quando a empresa encerrou uma operação em São José do Rio Preto. Ele e um sócio decidiram assumir a representação regional. A primeira operação era pequena: uma revenda de produtos de alumínio que, nas palavras do empresário, seria considerada hoje uma startup.

Pouco depois surgiu o contato com o ACM. Um fornecedor apresentou o material e sugeriu que ele vendesse o produto. A oportunidade parecia pequena, mas abriu uma nova frente de negócios.

A empresa passou a importar o material e ficou cerca de 15 anos trabalhando com produtos fabricados na China. O movimento mudou em 2014, quando Lousa decidiu verticalizar a operação. 

A motivação foi controle. À medida que os projetos aumentavam, a empresa precisava garantir padrão de qualidade. “Ou eu controlo o que eu fabrico ou eu vou quebrar”, diz.

A primeira fábrica recebeu investimento inicial de R$ 20 milhões, feito com capital próprio, sem financiamento.

Por que um material tão comum virou diferencial

O ACM está espalhado pelas cidades, mas costuma passar despercebido. Segundo Lousa, o material aparece desde fachadas simples de lojas até empreendimentos de alto padrão.

“Tudo que você olhar em São Paulo tem ACM. A primeira cafeteria, a primeira padaria, o primeiro prédio que você olhar, sempre tem alumínio composto”, afirma.

A diferença está na aplicação. O mesmo material pode aparecer em uma fachada comercial simples ou em edifícios de alto padrão, como empreendimentos corporativos e projetos arquitetônicos de grande porte.

A empresa afirma ter participado de centenas de milhares de obras ao longo da trajetória. Entre as aplicações citadas pelo executivo estão fachadas corporativas, projetos residenciais e o chamado shadow box, chapa instalada atrás de vidros de edifícios para esconder estruturas internas.

Jefferson Lousa, CEO e fundador da Projeto Alumínio: “Quando você soma inovação e design, deixa de discutir apenas preço e começa a criar valor”. (Projeto Alumínio/Divulgação)

Como competir em um mercado dominado por preço

A estratégia da empresa foi evitar competir apenas por custo. Em um setor com forte presença de produtos importados, a companhia apostou em controle industrial, acabamento e desenvolvimento de soluções específicas.

Nos últimos anos, a empresa investiu mais de R$ 70 milhões na indústria. Parte desses recursos foi direcionada para controle de qualidade e novas linhas de produção.

Um exemplo é o investimento em pintura. Segundo o executivo, apenas no ano passado foram destinados R$ 7 milhões para aprimorar controles de camadas, cura e espessura da pintura.

A companhia também desenvolveu produtos específicos para ambientes mais agressivos, como regiões litorâneas, onde a corrosão é um desafio para revestimentos metálicos.

Qual é a próxima fronteira da empresa

A nova aposta está na Aluance, linha de ACM com efeito degradê. A tecnologia permite que uma mesma chapa faça transições entre cores e crie diferentes percepções de profundidade, luz e movimento em fachadas.

O desenvolvimento exigiu testes e investimento inicial. Segundo Lousa, foram cerca de R$ 200 mil apenas para testar a ideia antes da escala industrial.

A nova linha recebeu investimento adicional de R$ 10 milhões e tem expectativa de gerar entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões em receita no primeiro ano.

Para ampliar a aplicação do produto, a empresa chamou o designer Hans Donner, conhecido por seus trabalhos de identidade visual na televisão brasileira. A proposta não é criar fachadas prontas, mas estimular arquitetos a explorar novas possibilidades visuais.

Qual é a lição de negócio de uma indústria de 33 anos

A trajetória de Lousa passa por uma escolha recorrente: trocar escala rápida por controle do produto. A empresa saiu de uma revenda regional, assumiu riscos com importação, investiu em uma fábrica própria e buscou diferenciação em um mercado onde muitas empresas disputam apenas preço.

“Nós somos donos pobres de empresa rica. Se fosse para comprar fazenda ou investir em outro lugar, não teria feito o que fizemos. O capital foi todo para a empresa”, afirma.

Hoje, a companhia tenta repetir esse movimento com inovação: transformar uma chapa presente nas cidades, mas invisível aos olhos do consumidor, em uma plataforma para novos projetos arquitetônicos.


O que é ACM e onde o material é usado?

O ACM, sigla para Aluminum Composite Material, é formado por duas lâminas de alumínio e um núcleo interno de polietileno. O produto é usado no revestimento de fachadas, portas, lojas e empreendimentos comerciais.

Quanto a Projeto Alumínio faturou em 2025?

A Projeto Alumínio faturou R$ 309 milhões em 2025 e espera alcançar R$ 360 milhões em 2026. A companhia possui um parque industrial de aproximadamente 50 mil metros quadrados, cinco filiais e exporta para 11 países.

Como a Projeto Alumínio começou a fabricar ACM?

A Projeto Alumínio começou como uma representação regional de produtos de alumínio em São José do Rio Preto, em 1993. Após cerca de 15 anos importando ACM fabricado na China, Jefferson Lousa decidiu verticalizar a operação em 2014 e investiu aproximadamente R$ 20 milhões de capital próprio na primeira fábrica.

Quanto a empresa investiu na produção de ACM?

A empresa investiu mais de R$ 70 milhões na indústria nos últimos anos, segundo Jefferson Lousa. De acordo com o executivo, R$ 7 milhões foram destinados no ano passado ao aprimoramento dos controles de camadas, cura e espessura da pintura.

O que é a linha Aluance?

A Aluance é uma linha de ACM com efeito degradê, capaz de criar transições entre cores e diferentes percepções de profundidade, luz e movimento. Segundo Jefferson Lousa, os testes iniciais custaram cerca de R$ 200 mil, e a linha recebeu investimento adicional estimado entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões.

Quanto a Aluance pode gerar em receita?

A expectativa da Projeto Alumínio é que a Aluance gere entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões em receita no primeiro ano. A empresa também chamou o designer Hans Donner para estimular arquitetos a explorar novas possibilidades visuais com o produto.

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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