O próximo passo da Starlink no Brasil passa pelo seu celular

A possibilidade de celulares se conectarem diretamente a satélites, sem depender de torres de telefonia, está mais próxima de chegar ao Brasil. Na última semana, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) abriu consulta pública sobre um pedido da Starlink, empresa de Elon Musk, para ampliar a autorização de uso de radiofrequências e viabilizar no país os serviços de comunicação direta entre satélites e smartphones, tecnologia conhecida como Direct-to-Device (D2D).
O debate ganha força em um momento em que a tecnologia começa a mostrar aplicações práticas ao redor do mundo, principalmente em situações de emergência. Nos terremotos que atingiram a Venezuela recentemente, por exemplo, a Starlink enviou mais de 1,6 mil kits para apoiar as operações de resposta, forneceu acesso gratuito à internet para famílias afetadas e permitiu que pessoas enviassem mensagens de texto diretamente por satélite em áreas onde a infraestrutura de telecomunicações havia sido comprometida. Os equipamentos também foram usados para restabelecer a conectividade de torres de telefonia danificadas.
A atuação se soma a outras iniciativas recentes da empresa. Em 2024, durante as enchentes no Rio Grande do Sul, a Starlink também disponibilizou equipamentos e acesso gratuito à internet para apoiar equipes de resgate e serviços essenciais.
Apesar da consulta pública, a discussão não envolve o lançamento de novos satélites. A Starlink já possui autorização para operar quase 12 mil satélites no Brasil. A consulta aberta pelo regulador discutirá as condições de uso da faixa S de frequência e quanto do espectro poderá ser destinado a esse tipo de serviço.
