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Sacre Investimentos
Exame INACSBDRCMDT
28/09/2026
5 min

O que a experiência da Petrobras ensina ao novo CEO da Ecopetrol

Joaquín Gutiérrez Caballero chega à maior empresa da Colômbia sem carreira em petróleo e gás; montagem da diretoria e disciplina de capital serão os primeiros testes da nova gestão

O que a experiência da Petrobras ensina ao novo CEO da Ecopetrol
RESUMO +

O conselho da estatal colombiana de petróleo Ecopetrol escolheu por unanimidade Joaquín Gutiérrez Caballero como CEO, encerrando a transição no comando da companhia. Sem carreira em petróleo e gás, ele terá como primeiro teste montar uma diretoria capaz de unir experiência técnica, disciplina financeira e gestão da influência política do governo colombiano, que controla cerca de 87% da empresa.

A Ecopetrol resolveu quem ocupará a cadeira mais importante da companhia. Agora começa a parte mais difícil: decidir quem vai sentar ao redor dela. O conselho da estatal colombiana escolheu por unanimidade Joaquín Gutiérrez Caballero como CEO, encerrando um período de transição no comando da maior companhia de petróleo da Colômbia.

A escolha também coloca uma questão no centro da nova fase da Ecopetrol. Gutiérrez chega ao posto sem uma carreira construída em óleo e gás e sem experiência anterior no comando de uma empresa da escala e da complexidade da estatal.

Administrador de empresas, ele passou por saúde, mercado imobiliário e funções de assessoria. Também comandou a campanha presidencial de Abelardo de la Espriella e mantém uma relação de longa data com o presidente.

A Ecopetrol também acaba de renovar seu conselho, que reúne relativamente pouca experiência operacional no setor de petróleo e gás. Com isso, a montagem da diretoria executiva será o primeiro sinal concreto de como a companhia pretende combinar a nova liderança com conhecimento técnico, experiência operacional e disciplina financeira.

Uma história que a Petrobras conhece

Há um precedente próximo — e brasileiro. A Petrobras passou por quatro presidentes durante o governo Jair Bolsonaro, com currículos bastante distintos entre si. Roberto Castello Branco era economista, com passagens pelo mercado financeiro e pela Vale. José Mauro Coelho vinha do setor de energia. Caio Mario Paes de Andrade tinha trajetória ligada à tecnologia.

O caso que mais se aproxima do desafio atual da Ecopetrol é o de Joaquim Silva e Luna. General da reserva e ex-presidente de Itaipu, Silva e Luna assumiu a Petrobras sem uma carreira construída na indústria de petróleo e gás. Ao redor dele, porém, permaneceu uma diretoria formada majoritariamente por executivos da própria companhia, com experiência operacional e financeira.

A combinação mostrou que um CEO vindo de fora do setor pode depender ainda mais da profundidade técnica do time que encontra — ou monta — abaixo dele. E a Petrobras atravessava naquele momento uma transformação financeira que havia começado anos antes.

Entre 2019 e 2022, o EBITDA ajustado dobrou, para US$ 66,2 bilhões, enquanto o lucro líquido chegou a US$ 36,6 bilhões. A dívida líquida caiu 47%, para US$ 41,5 bilhões. Em 2022, foram US$ 40,1 bilhões de fluxo de caixa livre e US$ 37,7 bilhões distribuídos aos acionistas.

Não foi mérito apenas da gestão. A companhia também se beneficiou de um ambiente favorável para o preço do petróleo e para as margens de refino. Mas maior geração de caixa, venda e racionalização de ativos e uma disciplina mais rígida na alocação de capital fizeram parte da transformação. 

A outra lição brasileira

A experiência da Petrobras também deixou uma lição menos confortável para a Ecopetrol. Uma equipe técnica não elimina a tensão política inerente a uma companhia controlada pelo Estado.

Castello Branco, Silva e Luna e José Mauro Coelho acabaram substituídos depois de divergências envolvendo os preços dos combustíveis. Mesmo durante um período de melhora dos números, a Petrobras continuou convivendo com o conflito entre decisões empresariais e os interesses do governo controlador. 

A Ecopetrol enfrenta sua própria versão dessa equação. O governo colombiano controla cerca de 87% da companhia, o que mantém as decisões políticas como uma variável relevante para a estratégia. Ao mesmo tempo, a estatal precisa encontrar maneiras de melhorar a geração de caixa e os retornos em um negócio que exige investimentos pesados e planejamento de longo prazo.

O cardápio da nova gestão

Gutiérrez terá algumas alavancas à disposição. Uma delas está nos custos. Outra, no tamanho e na qualidade dos investimentos. Há ainda espaço para revisão do portfólio e eventuais vendas de participações em ativos como ISA ou Cenit.

A normalização do FEPC, mecanismo colombiano de estabilização dos preços dos combustíveis, poderia adicionar outra frente de melhora. Nesse caso, porém, a decisão está além dos muros da Ecopetrol e depende do governo.

Corrida contra o tempo 

Depois de um EBITDA de US$ 11,5 bilhões em 2025, as estimativas apontam para US$ 16,5 bilhões em 2026. A partir daí, a curva perde força: US$ 13,5 bilhões em 2027 e US$ 12,7 bilhões em 2028.

O lucro líquido segue dinâmica semelhante. Sai de US$ 2,2 bilhões em 2025 para uma estimativa de US$ 4,3 bilhões neste ano, antes de recuar para US$ 3,2 bilhões em 2027 e US$ 2,7 bilhões em 2028.

A alavancagem também volta a subir. A dívida líquida equivale a uma estimativa de 1,6 vez o EBITDA em 2026, mas a relação chega a 2 vezes em 2027 e 2,2 vezes no ano seguinte.

AutorPedro Gil
FonteExame
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