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16/09/2026
7 min

O que atrai empresários brasileiros para a Flórida: ‘Virou a Disney dos empresários’, diz consultor

O avanço da internacionalização de empresas brasileiras acontece e tem os EUA como um dos palcos. O motivo? Consultor explica o que está por trás desse movimento

O que atrai empresários brasileiros para a Flórida: ‘Virou a Disney dos empresários’, diz consultor

A Flórida deixou de ser apenas um dos destinos preferidos dos brasileiros nos Estados Unidos. Para uma parcela cada vez maior de empresários, o estado também se tornou uma porta de entrada para fazer negócios no maior mercado consumidor do mundo.

Franquias, serviços, varejo e mercado imobiliário estão entre os segmentos que atraem empreendedores interessados em transformar uma operação brasileira em um negócio internacional. Mas levar uma empresa para os Estados Unidos exige mais do que traduzir a marca para o inglês e abrir uma unidade em cidades como Miami ou Orlando.

É nesse mercado que atua Eduardo Morita, consultor brasileiro que trabalha há três décadas com franquias e internacionalização de negócios. Nascido em São Paulo, Morita é engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Antes de entrar no universo do empreendedorismo, passou por empresas como Pirelli e outras companhias do setor industrial.

A mudança de rota profissional aconteceu na década de 1990, quando Morita entrou para o setor de franquias. Desde então, acompanhou a profissionalização das redes nacionais e, mais recentemente, um movimento de empresas brasileiras interessadas em atravessar fronteiras.

A Flórida como laboratório para empresas brasileiras

Parte desse movimento esteve no centro do BeLinked Experience 2026, realizado em Orlando, na Flórida. O encontro reuniu executivos, investidores e empreendedores brasileiros para discutir como estruturar negócios nos Estados Unidos.

Durante dois dias, especialistas debateram temas que vão de imigração e legislação a crédito, vendas, tecnologia, inteligência artificial, imóveis e franquias.

A mensagem central foi que o mercado americano oferece oportunidades, mas exige uma preparação diferente daquela necessária para empreender no Brasil.

Uma das primeiras barreiras aparece antes mesmo da venda: é preciso entender qual estrutura jurídica adotar, como funcionam os impostos, quais vistos permitem determinadas atividades e quais regras precisam ser cumpridas para contratar funcionários e operar uma empresa.

Outro desafio está na adaptação do próprio modelo de negócio.

Custos, margens, relações trabalhistas, comportamento do consumidor e acesso a crédito funcionam de maneira diferente nos dois países.

“Isso significa que uma operação bem-sucedida no Brasil não necessariamente pode ser replicada nos Estados Unidos sem ajustes”, diz o consultor.

Vista aérea de Tampa, na Flórida: tapete estendido para empreendedores brasileiros (Aerial Views/Getty Images)

Empresas de diferentes setores chegam ao Brasil

Ao longo de três décadas no mercado, Morita acompanhou não apenas o amadurecimento do franchising brasileiro, mas também o movimento de marcas nacionais para fora do país. Segundo o consultor, ele já participou do processo de internacionalização de 11 empresas brasileiras, com operações que chegaram a mercados como os Estados Unidos.

Entre as marcas que passaram por esse processo estão marca de milk shake Milk Moo, o restaurante Boteco do Manolo e Home Pro, do setor imobiliário. A experiência colocou Morita em contato com diferentes fases da expansão internacional, desde a análise sobre a viabilidade do negócio até a adaptação da operação ao consumidor e às regras do país de destino.

Os Estados Unidos ganharam peso nesse movimento. E, dentro do país, a Flórida se tornou um dos principais pontos de interesse dos brasileiros. Morita resume essa concentração com uma comparação:

“A Flórida virou a Disney dos empresários.”

Para ele, porém, o interesse pelo estado não significa que qualquer negócio brasileiro esteja pronto para desembarcar por lá. A internacionalização exige adaptação do modelo, estrutura financeira e conhecimento das particularidades do mercado americano.

Cases em expansão

A Milk Moo abriu a primeira loja na Flórida no ano passado e hoje já possui 4 operações nos Estados Unidos e prepara a abertura da primeira unidade em Assunção, no Paraguai.

“Vamos abrir ainda neste ano a quinta loja nos EUA, na região de Utha, e a primeira loja no Paraguai”, diz Lohran Soares de Oliveira, fundador da Milky Moo.

Além disso, Oliveira negocia a entrada em novos mercados.

"Estamos conversando desde Peru até Austrália. Mas internacionalização é uma dureza de execução”, diz. "Ter sucesso na Colômbia não significa que você terá sucesso no Peru. Cada começo é um começo diferente."

O sonho de longo prazo é ousado. Soares tem como meta chegar com sucesso em 50 países.

Lohran Soares, fundador da franquia de milkshake Milky Moo

Lohran Soares, fundador da franquia de milkshake Milky Moo, hoje tem 5 lojas nos Estados Unidos (Milky Moo/Divulgação)

Outro negócio que ultrapassou fronteiras foi o Boteco do Manolo. Fundado em 2003 por Marcelo Riveiro Barcia em homenagem ao pai, Manolo, o restaurante hoje reúne 19 unidades (12 unidades próprias no Rio de Janeiro e 7 nos Estados Unidos, sendo três próprias e quatro franqueadas).

A expansão vem de encontro com o ano que promete ser promissor depois da Copa do Mundo que teve os Estados Unidos como um dos palcos.

Além do efeito imediato do torneio, a empresa que faturou no último ano R$ 85 milhões no Brasil e US$ 24 milhões nos Estados Unidos, estima fechar 2026 com crescimento de 20% no Brasil e de até 18% nos Estados Unidos.

"A maior comunidade brasileira está na Flórida e em Massachusetts. Nosso público principal continua sendo o brasileiro que mora ou visita os Estados Unidos", afirma Marcelo Riveiro Barcia.

Estados Unidos, Miami: Marcelo Riveiro Barcia, fundador do Boteco do Manolo, junto com a esposa durante a Copa do Mundo deste ano (Boteco do Manolo/Divulgação)

Veja também: ‘Vamos patrocinar a Copa do Mundo Feminina 2027’, diz presidente da Coca-Cola Brasil

A conta precisa fechar nos Estados Unidos

Outro ponto debatido no encontro foi financeiro.

O empresário que chega aos Estados Unidos sem histórico de crédito local pode encontrar condições diferentes daquelas oferecidas a empresas e empreendedores já estabelecidos no país. Ao mesmo tempo, impostos, seguros, aluguel, mão de obra e custos regulatórios podem alterar completamente a rentabilidade projetada para uma operação.

Por isso, um dos alertas do evento foi evitar simplesmente transportar a planilha brasileira para o mercado americano.

“A internacionalização também exige planejamento tributário e jurídico desde o início. Decisões tomadas na abertura da companhia podem afetar posteriormente distribuição de lucros, entrada de investidores, contratação de funcionários e até uma eventual venda do negócio”, diz Morita.

Veja também: Panetone global: a aposta bilionária da Bauducco nos Estados Unidos

Quer levar o seu negócio para os Estados Unidos? Consultor traz 3 dicas:

- Não tente copiar o negócio brasileiro

O primeiro passo é entender se o produto ou serviço realmente funciona para o consumidor americano. "Preço, formato da operação, canais de venda, mão de obra e até o posicionamento da marca podem precisar mudar", afirma.

Dica: valide o modelo nos Estados Unidos antes de investir em uma expansão maior.

- Faça a conta americana, não converta a brasileira

Aluguel, salários, seguros, impostos, crédito e custos regulatórios são diferentes. "Faturar mais em dólar não significa necessariamente ter uma operação mais rentável", diz Morita. 

Dica: monte um plano financeiro do zero considerando custos, margens e capital de giro locais.

- Estruture jurídico, tributário e imigração antes de abrir

Tipo societário, tributação, visto, contratação de funcionários e até a forma de retirar ou distribuir lucros precisam ser pensados antes.

"Decisões tomadas na abertura da companhia podem afetar posteriormente distribuição de lucros, entrada de investidores, contratação de funcionários e até uma eventual venda do negócio", afirma o consultor brasileiro.

Dica: defina a estrutura jurídica, tributária e migratória antes de colocar dinheiro na operação.

As portas abertas para novos investimentos

A avaliação de que o mercado norte-americano está aberto também é compartilhada pelo governo americano. Segundo o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, o momento é muito favorável para investidores brasileiros.

"As portas dos Estados Unidos estão, mais do que nunca, abertas para o capital brasileiro. Temos até uma expressão comum no mercado: 'money talks'. Uma das prioridades do presidente Trump é atrair investimento estrangeiro.”

E ao que tudo indica, a Flórida virou um dos principais centros financeiros dos Estados Unidos.

AutorLayane Serrano
FonteExame
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