O que bebidas açucaradas fazem à saúde? Estudo aponta relação com câncer de estômago
Pesquisa com mais de 112 mil adultos encontrou risco 2,45 vezes maior entre quem consumia ao menos uma porção por dia

Consumir ao menos uma bebida açucarada por dia foi associado a um risco 2,45 vezes maior de desenvolver câncer de estômago. A relação apareceu em um estudo que acompanhou mais de 112 mil adultos nos Estados Unidos durante décadas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas do Mass General Brigham Cancer Institute e publicada na revista científicaGastro Hep Advances. Os resultados mostraram uma diferença entrebebidas com açúcar e aquelas adoçadas artificialmente. Enquanto as primeiras foram associadas ao aumento do risco de câncer gástrico, as versões de baixa caloria não apresentaram a mesma relação.
O que o estudo descobriu?
Os pesquisadores analisaram dados do Nurses' Health Study e do Health Professionals Follow-Up Study, dois grandes estudos de longo prazo que acompanham hábitos alimentares, estilo de vida e condições de saúde dos participantes.
Ao longo do acompanhamento, 278 pessoas desenvolveram câncer gástrico.
Após ajustar os resultados para outros fatores que poderiam influenciar o risco da doença, a equipe observou que os participantes que consumiam uma ou mais bebidas açucaradas por dia apresentavam um risco 2,45 vezes maior de câncer de estômago em comparação com aqueles que consumiam menos de uma bebida por mês.
A associação foi observada tanto entre homens quanto entre mulheres.
Mulheres apresentaram risco ainda maior
No grupo feminino do Nurses' Health Study, o consumo superior a uma bebida açucarada por dia foi associado a um risco 3,04 vezes maior em relação às mulheres que raramente consumiam essas bebidas.
Os pesquisadores também verificaram que uma ingestão mais elevada de frutose, principal adoçante presente nesses produtos, esteve relacionada a uma maior incidência da doença.
Para o estudo, foram consideradas bebidas açucaradas refrigerantes, limonadas, ponches e bebidas esportivas.Bebidas adoçadas artificialmente tiveram resultado diferente
O mesmo padrão não foi observado para refrigerantes de baixa caloria adoçados artificialmente.
Após considerar outros fatores de risco, os pesquisadores não encontraram associação significativa entre o consumo dessas bebidas e o desenvolvimento de câncer de estômago.
Bactéria ligada ao câncer também foi investigada
A equipe também investigou se a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) — um dos principais fatores de risco para o câncer gástrico — poderia explicar os resultados.
Em um subconjunto de 940 participantes, pouco mais de um terço apresentava sinais de infecção pela bactéria. No entanto, os pesquisadores não identificaram associação entre o consumo de bebidas açucaradas e a presença de H. pylori, indicando que esse fator não explica a relação observada.
Apesar dos resultados, os autores destacam que se trata de um estudo observacional, capaz de identificar associações, mas não de estabelecer uma relação de causa e efeito.
Segundo os pesquisadores, outros fatores podem ter contribuído para o maior número de casos de câncer entre os consumidores frequentes dessas bebidas. Além disso, havia informações limitadas sobre a infecção por H. pylori e o histórico familiar de câncer gástrico dos participantes.
Outra limitação é que a população estudada era predominantemente branca, o que dificulta saber se os resultados podem ser generalizados para outros grupos raciais e étnicos. Ainda assim, os autores destacam que o grande número de participantes e o acompanhamento por várias décadas fortaleceram a análise, permitindo controlar diversos fatores relacionados ao risco da doença.
Segundo a equipe, novas pesquisas serão necessárias para confirmar os resultados e esclarecer por que as bebidas adoçadas com açúcar podem estar associadas ao aumento do risco de câncer de estômago.
