O que deu errado com o remédio para colesterol da Novartis? Ação da empresa despenca
Pelacarsen poderia gerar até US$ 6 bilhões por ano para a farmacêutica suíça

A Novartis perdeu uma das principais apostas que sustentavam o otimismo dos investidores com seu futuro. As ações (NOVN) da farmacêutica suíça caem mais de 9% na segunda-feira, 7, depois que o pelacarsen, medicamento desenvolvido para reduzir um tipo de colesterol ligado a doenças cardiovasculares, fracassou em um estudo clínico de última fase.
O resultado coloca em dúvida uma aposta que poderia render US$ 3 bilhões a US$ 6 bilhões por ano à companhia e ocorre em um momento delicado para a Novartis, que se prepara para a perda de exclusividade de medicamentos importantes, como o Entresto.
A Novartis foi a primeira das grandes farmacêuticas a testar de maneira dedicada se a redução dessa substância poderia efetivamente diminuir eventos cardiovasculares. Agora a Amgen e a Eli Lilly, dona do Mounjaro, terão de mostrar que seus medicamentos conseguem superar o problema.
O que aconteceu com o medicamento
O pelacarsen, desenvolvido em parceria com a Ionis Pharmaceuticals, mira a lipoproteína(a) ou Lp(a), um fator determinado quase totalmente pela genética e pouco influenciado por dieta ou exercícios. O estudo acompanhou mais de oito mil pacientes e não melhorou significativamente o risco cardiovascular.
Já no caso da Amgen, que desenvolve o olpasiran, e da Lilly, que testa o lepodisiran, ambos estão em estudos de última fase. Estudos anteriores indicaram que os medicamentos das duas companhias conseguem reduzir a Lp(a) de forma mais profunda que o pelacarsen.
A Novartis, por outro lado, ainda divulgará os dados completos em um congresso médico. Para analistas do Citi em nota divulgada pela CNBC, porém, o resultado enfraquece, mas não elimina a hipótese de que reduzir a Lp(a) possa diminuir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Rivais agora enfrentam pressão maior
O fracasso também aumenta a pressão sobre Amgen e Eli Lilly, que desenvolvem os concorrentes olpasiran e lepodisiran, respectivamente. Os dois medicamentos já demonstraram capacidade de reduzir a Lp(a) de forma mais profunda que o pelacarsen em estudos anteriores.
Os ensaios têm diferenças na seleção dos pacientes, o que pode fazer com que os resultados sejam diferentes. A NewAmsterdam Pharma, por exemplo, desenvolve o obicetrapib, medicamento que atua mais sobre o colesterol LDL, e não sobre a Lp(a). Por isso, a tese do produto não é diretamente afetada pelo pelacarsen.
Outras empresas estão mais expostas a dúvidas, como o caso da CRISPR Therapeutics, que trabalha em uma solução baseada em edição genética, e da Silence Therapeutics, que procura um parceiro para financiar os estudos maiores de seu candidato.
Analistas do William Blair ouvidos pela Reuters veem que a notícia pode dificultar a capacidade da Silence de fechar um acordo nas condições de valor desejadas antes que os dados completos do estudo da Novartis sejam conhecidos.
Novartis: foco em outros medicamentos
A Novartis agora deve deslocar seu foco para outros medicamentos do portfólio. Entre eles está o del-desiran, terapia de ácido ribonucleico (RNA) adquirida na compra da Avidity por US$ 12 bilhões, que terá dados de última fase esperados para o quarto trimestre.
Também são aguardados resultados do remibrutinib, que teve sucesso recente em um estudo de esclerose múltipla e será avaliado contra hidradenite supurativa.
