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30/10/2026
5 min

O que é a Binance? Conheça a maior corretora cripto do mundo, alvo de ataque hacker

Plataforma fundada em 2017 por Changpeng Zhao se transformou em um dos principais negócios do mercado cripto do mundo

O que é a Binance? Conheça a maior corretora cripto do mundo, alvo de ataque hacker

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume de negociação, está no centro de um dos episódios mais graves de segurança da história do mercado de ativos digitais. Nesta quinta-feira, 29, movimentações de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em criptomoedas foram identificadas em carteiras associadas à empresa, no que é considerado o maior ataque hacker da história.

A Binance afirmou que está investigando um problema de segurança e declarou que não houve impacto sobre os fundos dos clientes. O fundador da empresa, Changpeng Zhao, conhecido como CZ, também afirmou que os recursos dos usuários estão integralmente protegidos.

Pelo menos US$ 3 bilhões foram congelados por parceiros como as emissoras de stablecoins Tether, Circle e Ripple. A empresa também possui US$ 1 bilhão no fundo de reserva para emergências conhecido como SAFU. Os outros US$ 2 bilhões viriam do próprio caixa da exchange.

Mas, afinal, o que é a Binance e como a companhia se tornou uma potência global?

O que é a Binance?

Fundada em julho de 2017 por Changpeng Zhao e Yi He (hoje a co-CEO da companhia), a Binance é uma plataforma de negociação de criptomoedas que permite aos usuários comprar, vender, trocar e armazenar ativos digitais.

A empresa funciona como uma corretora centralizada, também conhecida pela sigla CEX. Isso significa que ela atua como intermediária nas operações realizadas por seus clientes, oferecendo uma infraestrutura para conectar compradores e vendedores.

Na prática, uma pessoa pode abrir uma conta na Binance, depositar dinheiro ou criptomoedas e utilizar a plataforma para negociar ativos como bitcoin, ether, solana e centenas de outros tokens disponíveis em seus mercados.

Diferentemente de uma corretora descentralizada, na qual as negociações acontecem diretamente entre carteiras por meio de contratos inteligentes, a Binance mantém o controle da infraestrutura de negociação e da custódia de boa parte dos recursos depositados pelos clientes.

Esse modelo permite que a empresa ofereça operações rápidas e diferentes modalidades de negociação, mas também significa que a segurança de seus sistemas e carteiras é fundamental para a proteção dos usuários.

Como a Binance ganha dinheiro?

Uma das principais fontes de receita da Binance são as taxas cobradas nas operações realizadas dentro da plataforma.

Quando um cliente compra ou vende criptomoedas, a corretora pode cobrar uma comissão sobre o valor negociado. O custo varia de acordo com o tipo de operação, o volume de negociação do usuário e outros critérios, como a utilização do token BNB para obter descontos.

A empresa também oferece negociação de derivativos, como contratos futuros de criptomoedas, que permitem aos investidores assumir posições relacionadas à variação dos preços dos ativos sem necessariamente comprá-los diretamente.

Além disso, a Binance possui produtos de geração de rendimento, serviços de pagamentos, transferências de criptomoedas e outras soluções financeiras.

Em entrevista à EXAME, Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, afirmou que a empresa pretende se tornar uma "plataforma financeira completa" no Brasil e não apenas uma corretora de criptomoedas.

"Queremos ter mais produtos do que qualquer instituição bancária e, onde for o mesmo produto, que façamos um serviço melhor", afirmou o executivo. A empresa protocolou recentemente seu pedido ao Banco Central para se tornar uma prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV) regulada no país.

O que é o BNB e qual sua relação com a Binance?

Um dos principais componentes dos serviços da Binance é o BNB, criptomoeda criada em 2017 durante a oferta inicial de tokens da empresa.

Originalmente, o ativo foi lançado na rede Ethereum, mas posteriormente passou a integrar a infraestrutura própria desenvolvida em torno da Binance.

O BNB possui diferentes utilidades. Ele pode ser utilizado para pagar taxas de negociação na corretora, participar de determinadas atividades do ecossistema e pagar custos de transação na rede BNB Chain.

A BNB Chain, por sua vez, é um blockchain que permite o desenvolvimento de contratos inteligentes, tal qual o Ethereum e a Solana.

Quem criou a Binance?

A Binance foi fundada por Changpeng Zhao, conhecido no mercado como CZ, e Yi He, em 2017.

CZ é um dos personagens mais conhecidos da indústria de criptomoedas. Antes de criar a Binance, trabalhou em empresas de tecnologia financeira e teve contato com o mercado de bitcoin durante sua passagem pela Blockchain.com.

Em poucos meses, a empresa conquistou uma posição de destaque entre as corretoras de ativos digitais. Em janeiro de 2018, já havia se tornado a maior plataforma do mundo em volume de negociação.

A trajetória de CZ, entretanto, também foi marcada por problemas regulatórios. Em novembro de 2023, ele deixou o cargo de CEO da Binance após um acordo da empresa com autoridades dos Estados Unidos. Na ocasião, o executivo se declarou culpado de uma acusação relacionada a falhas no cumprimento de regras contra lavagem de dinheiro e foi condenado à prisão.

CZ passou quatro meses em uma penitenciária na Califórnia antes de sair, com a pena cumprida.

A liderança da empresa passou por mudanças desde então, enquanto a Binance ampliou seus esforços de adequação regulatória em diferentes países.

Por que o ataque à Binance é tão relevante?

A dimensão da Binance faz com que qualquer problema envolvendo sua infraestrutura tenha potencial para repercutir em todo o mercado de criptomoedas. O bitcoin apresenta forte queda hoje depois do ciberataque à exchange.

Além de concentrar uma parcela expressiva das negociações globais, a empresa mantém relações com diferentes participantes do setor, incluindo emissores de stablecoins, provedores de liquidez, protocolos descentralizados e instituições financeiras.

O episódio desta quinta-feira também evidencia uma característica importante do funcionamento das corretoras centralizadas: a necessidade de manter parte dos recursos em carteiras conectadas à internet para permitir operações e saques.

Essas carteiras são conhecidas como hot wallets. Embora facilitem a movimentação de ativos, elas também representam um ponto de exposição a ataques cibernéticos.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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