O que é o Cursor, editor de código que a SpaceX comprou por US$ 60 bilhões

A SpaceX, empresa aeroespacial e de inteligência artificial (IA) de Elon Musk, comprou a Anysphere, startup responsável pelo Cursor, por US$ 60 bilhões. A operação, paga inteiramente em ações, chamou atenção pelo valor — mas também trouxe à tona uma pergunta menos óbvia: o que exatamente é essa ferramenta que despertou o interesse direto do homem mais rico do mundo?
O Cursor é um editor de código que usa inteligência artificial para ajudar programadores a escrever, revisar e corrigir software mais rápido.
Fundada em 2022, em San Francisco, a Anysphere nasceu pequena e pouco conhecida fora do círculo de desenvolvedores. Hoje, a empresa registra cerca de US$ 2,6 bilhões em receita anualizada — uma fração do tamanho de gigantes como OpenAI ou Anthropic, mas suficiente para fazer da Cursor uma das startups mais valiosas do setor de IA aplicada à programação.
Como o Cursor funciona
Diferente de um chatbot de IA tradicional, o Cursor é construído como um editor de código completo — uma versão modificada do popular editor Visual Studio Code, da Microsoft — com inteligência artificial integrada diretamente ao fluxo de trabalho do programador. A ferramenta lê o código já escrito, sugere alterações, identifica erros e pode até escrever trechos inteiros de software a partir de instruções em linguagem natural.
Uma das características que diferencia o Cursor de concorrentes é a flexibilidade de modelos: a plataforma permite que o desenvolvedor escolha qual inteligência artificial vai rodar por trás das sugestões, incluindo modelos da OpenAI, da Anthropic e do Google — em vez de prender o usuário a uma tecnologia proprietária única.
Quem usa o Cursor
O público principal da ferramenta são os engenheiros de software de alto nível, em empresas que já trabalham com desenvolvimento intenso de tecnologia.
Entre os usuários mais conhecidos está a Nvidia. O presidente-executivo da fabricante de chips, Jensen Huang, já declarou publicamente que o Cursor é sua ferramenta corporativa de IA favorita, usada por cerca de 40 mil engenheiros da companhia para ganhar produtividade no dia a dia.
O sucesso do Cursor acompanha um movimento mais amplo do mercado de tecnologia: a aposta de que ferramentas de IA aplicadas à programação — e não apenas chatbots de uso geral — seriam o caminho mais rápido para gerar receita recorrente e fidelizar clientes corporativos.
É a mesma lógica que impulsionou o Claude Code, da Anthropic, a se tornar um dos produtos de IA que mais cresceu em receita nos últimos dois anos.
De startup a alvo de Elon Musk
O crescimento da Cursor não passou despercebido. Em abril de 2026, a SpaceX já havia garantido uma opção contratual para comprar a Anysphere por US$ 60 bilhões ainda naquele ano, ou, alternativamente, investir US$ 10 bilhões em uma parceria estratégica com a empresa.
No início do ano, a Anysphere negociava uma nova rodada de captação de US$ 2 bilhões, que avaliaria a companhia em US$ 50 bilhões — negociação interrompida justamente pelo interesse direto de Musk.
Com a aquisição formalizada, o Cursor passa a integrar o grupo de Musk como subsidiária, reforçando a entrada da SpaceX no mercado de inteligência artificial corporativa — um segmento até então dominado por nomes como OpenAI, Anthropic e Google.
