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Mundo
09/07/2026
4 min

O que é o sistema Patriot, que Trump autorizou a Ucrânia a fabricar?

O que é o sistema Patriot, que Trump autorizou a Ucrânia a fabricar?

O sistema de mísseis Patriot é a jóia do arsenal de defesa americano. Funcionando a partir de uma base de lançamentos do solo, se encaixa na categoria superfície-ao-ar (SAM, na sigla em inglês) e é o principal escudo dos EUA e de seus aliados em operações militares, sendo utilizado na intercepção de drones, outros mísseis e demais veículos inimigos.

O sistema, produzido pelas gigantes de defesa americanas Lockheed Martin e Raytheon, é uma peça cobiçada por países aliados aos EUA em todo o mundo — e, nesta quarta-feira, 8, o presidente americano Donald Trump anunciou que os americanos forneceriam uma licença para a fabricação do sistema Patriot para a Ucrânia, que segue há mais de quatro anos em uma violenta guerra contra a Rússia. O republicano diz querer o fim desse conflito o quanto antes.

"Vamos conceder a vocês uma licença para fabricar Patriots. Isso é muito bom. Assim, vocês não poderão reclamar que não estamos fornecendo o suficiente", disse Trump em uma reunião com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante a cúpula da Otan em Ancara.

"É uma arma defensiva, o que eu prefiro a uma arma ofensiva", conclui o presidente.

Patriots na Ucrânia

A falta de sistemas de defesa aérea voltou ao centro das discussões entre os Estados Unidos e a Ucrânia durante a cúpula da Otan, na qual Trump se encontrou com Zelensky.

Diante da intensificação dos bombardeios russos — e de uma ofensiva renovada da Ucrânia — Kiev pressiona Washington pelo envio de mais mísseis interceptadores Patriot, considerados a única arma disponível no arsenal ucraniano capaz de neutralizar mísseis balísticos, cuja elevada velocidade e trajetória íngreme tornam a interceptação especialmente difícil.

Mesmo antes da cúpula, já se esperava que Zelensky reforçasse o pedido de novos interceptadores. Trump afirmou, inclusive, que o governo americano poderá pressionar a indústria de defesa a acelerar a produção dos mísseis Patriot, destacando que Washington possui influência sobre as empresas responsáveis pelo sistema.

“Vamos mostrar a eles como se faz”, disse Trump, descrevendo o sistema como “muito complexo”, mas insistindo que Kiev “entenderia a complexidade rapidamente”.

Ele afirmou que a indústria dos EUA já estava construindo “quatro plantas [para a produção de mísseis]” e alegou que “todas as nossas empresas serão capazes de fazer isso em dois ou três meses”, em contraste com os longos prazos de entrega enfrentados atualmente por aliados que fazem novos pedidos do sistema Patriot.

A urgência do pedido foi motivada por mais um ataque russo contra Kiev na madrugada de quarta-feira, o terceiro em menos de uma semana. Dados da Força Aérea da Ucrânia mostram que as defesas do país conseguiram destruir 139 dos 169 drones lançados pela Rússia, mas não interceptaram nenhum dos cinco mísseis balísticos empregados na ofensiva, expondo a limitação da atual capacidade defensiva ucraniana diante desse tipo de armamento.

O episódio reforça um dos principais desafios enfrentados por Kiev nos últimos meses: enquanto consegue conter grande parte dos ataques com drones, a falta de interceptadores deixa as principais cidades vulneráveis aos mísseis balísticos russos, considerados um dos instrumentos mais eficazes da campanha aérea de Moscou.

Conversas para o fim da guerra

Durante o encontro, Trump voltou a defender o encerramento da guerra, mas afirmou que tanto o presidente russo, Vladimir Putin, quanto Zelensky têm sido interlocutores "difíceis" nas negociações.

Segundo o presidente americano, o conflito era inicialmente visto como um dos mais fáceis de solucionar, mas acabou se revelando um dos mais complexos. Zelensky, por sua vez, afirmou que pretendia discutir "detalhes muito importantes" com Trump e declarou esperar que os Estados Unidos façam "tudo o que for possível" para pôr fim à guerra.

O aumento da pressão russa ocorre em um momento de relativa estagnação da frente terrestre. Com poucos avanços significativos no campo de batalha, Moscou intensificou sua campanha de ataques aéreos contra infraestrutura e centros urbanos ucranianos. Ao mesmo tempo, operações conduzidas pela Ucrânia contra a logística militar e o setor petrolífero da Rússia têm provocado dificuldades no abastecimento de combustíveis em território russo, agravando uma crise econômica que assola o país.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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