O que esperar dos balanços dos maiores bancos globais no segundo trimestre

Os seis maiores bancos dos Estados Unidos devem apresentar resultados fortes no segundo trimestre, a partir do aumento das receitas com negociações nos mercados e da retomada das grandes operações de fusões, aquisições (M&As) e ofertas de ações, segundo analistas ouvidos pela Reuters e dados da LSEG.
Cinco dos seis maiores bancos do país, JP Morgan, Bank of America (BofA), Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs, divulgam seus balanços no dia 14 de julho. O Morgan Stanley publica os números um dia depois, no dia 15 de julho.Um dos principais catalisadores do período foi a oferta pública inicial (IPO, em inglês) da SpaceX, avaliada em cerca de US$ 86 bilhões. A operação gerou receitas relevantes tanto para as áreas de banco de investimento quanto para as mesas de ações das instituições que participaram da oferta.
Na avaliação do analista da Morningstar, Sean Dunlop, bancos que tiveram papel de destaque na oferta da empresa de Elon Musk, como Goldman Sachs e Morgan Stanley, devem se destacar nas receitas com ações. As instituições envolvidas na operação arrecadaram, ao todo, cerca de US$ 500 milhões em taxas.
Projeções de lucro para o trimestre
As estimativas da LSEG, atualizadas em 30 de junho, apontam um lucro por ação de US$ 5,70 para o JP Morgan no segundo trimestre, acima dos US$ 5,24 registrados um ano antes.
Para o BofA, a projeção é de US$ 1,11 por ação, ante US$ 0,89 em igual período de 2025. O Citigroup deve registrar US$ 2,68, contra US$ 1,96 um ano antes, enquanto o Wells Fargo é estimado em US$ 1,71, acima dos US$ 1,60 anteriores.
O Goldman Sachs lidera as projeções em valor absoluto, com lucro esperado de US$ 13,91 por ação, frente aos US$ 10,91 do ano passado. Na sequência aparece o Morgan Stanley, com expectativa de US$ 2,84 por ação, ante US$ 2,13 no segundo trimestre de 2025.
O que mais esperar dos grandes bancos
No JP Morgan, o CEO Jamie Dimon afirmou, em conferência com investidores realizada em maio, que as receitas de banco de investimento podem crescer 10% ou mais no segundo trimestre, de acordo com informações compiladas pela Reuters.
No Bank of America, o codiretor-presidente Jim DeMare disse, em junho, que a instituição pode superar a projeção inicial de alta de 15% para as receitas da área de mercados, impulsionada principalmente pelas operações com ações.
O Citigroup espera que a receita de trading avance entre a parte alta de um dígito e a parte baixa de dois dígitos percentuais no trimestre, segundo o diretor financeiro Gonzalo Luchetti. O executivo também projetou crescimento de cerca de 15% nas receitas de banco de investimento.
No Wells Fargo, o diretor financeiro Mike Santomassimo afirmou que a receita líquida de juros deve registrar um forte avanço no segundo trimestre. Já o Goldman Sachs informou, em publicação baseada em dados da Dealogic até 16 de junho, que assessorou mais de US$ 1 trilhão em M&As anunciadas em 2026.
O CEO do Morgan Stanley, Ted Pick, detalhou também no mês passado que o ambiente continua favorável para o mercado de capitais, citando o forte volume de negócios na divisão de banco de investimento.
Volatilidade dos mercados é histórica
Especialistas destacaram que a volatilidade dos mercados continua acima da média histórica em 2026, refletindo os conflitos geopolíticos, como a guerra no Irã, e as incertezas sobre os impactos da inteligência artificial, um ambiente que favoreceu diretamente as operações de trading dos grandes bancos.
O chefe de renda fixa, câmbio e commodities da Coalition Greenwich, Angad Chhatwal, estimou que a receita dos maiores bancos globais crescerá pelo menos 15% na base anual. Já a chefe de ações da instituição complementou: "as ações devem ser o principal motor de crescimento nos mercados globais."
Dunlop ponderou, porém, que as receitas de trading devem permanecer fortes, mas em ritmo inferior ao observado no primeiro trimestre. Naquele período, o início do conflito no Oriente Médio e a reprecificação das expectativas para inflação e juros provocaram um volume excepcional de negociações.
Banco de investimento também acelera
A área de banco de investimento também continua sendo um dos grandes motores de crescimento das instituições financeiras em 2026. Megaofertas de ações e transações bilionárias criaram o ambiente mais aquecido para fechamento de negócios dos últimos anos, conforme a Reuters.
A Dealogic indicou que a receita global com banco de investimento alcançou US$ 61,4 bilhões no primeiro semestre, alta de 24% em relação a igual período de 2025. Neste cenário, o JP Morgan segue na liderança global em receitas da divisão, enquanto o Goldman ocupa o primeiro lugar em assessoria para M&A.
Entre as maiores operações do trimestre estiveram a abertura de capital da fabricante de chips Cerebras, de US$ 6,4 bilhões, e a venda de ações da Alphabet, controladora do Google, que movimentou US$ 85 bilhões.
Crédito também reforça os resultados
A expansão das carteiras de crédito e o aumento da margem financeira líquida (NII, na sigla em inglês), indicador que mede a diferença entre os juros recebidos em empréstimos e os pagos sobre depósitos, também podem beneficiar os bancos na avaliação de fontes ouvidas pela agência.
Dados do Federal Reserve, banco central dos EUA, mostram que o crescimento do crédito ganhou força no segundo trimestre. Os investidores também devem acompanhar as projeções para o crescimento da carteira de crédito no segundo semestre e os comentários sobre a economia estadunidense.
Analista da Morningstar, Austin Taggart detalhou, ainda, que a qualidade do crédito e a demanda por empréstimos continuarão entre os principais indicadores para medir o potencial de valorização das ações do setor bancário ao longo do restante do ano.
