O que está por trás do tombo de 2% do Ibovespa?
O Ibovespa (IBOV) perde mais de 3 mil pontos e opera no menor nível desde meados de junho, em um dia marcado pela agenda macroeconômica. Por volta de 13h30 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a mínima intradia, aos 168.661,45 pontos (-2,0%). A piora do mercado local tem por trás o […]

O Ibovespa (IBOV) perde mais de 3 mil pontos e opera no menor nível desde meados de junho, em um dia marcado pela agenda macroeconômica.
Por volta de 13h30 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a mínima intradia, aos 168.661,45 pontos (-2,0%).
A piora do mercado local tem por trás o aumento da percepção de ‘risco Brasil’.
Parte disso, deve-se a visão mais pessimista do JP Morgan sobre o país. O banco rebaixou a recomendação para o mercado brasileiro de overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para market perform (equivalente à neutra).
O banco também cortou a projeção para o Ibovespa no final de 2026 de 190 mil pontos para 185 mil pontos, o que equivale a um potencial de alta de 7,5% frente aos níveis atuais.
Além disso, as eleições começaram a fazer preço no mercado. A PesquisaCNT/MDA para a eleição presidencial 2026, divulgada nesta terça-feira, aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) com 42,4% das intenções e votos e o senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com 28,7% no primeiro turno.
No levantamento anterior, de junho, o presidente obteve 41,8% e o senador atingia 28,2%. A vantagem saiu de 13,6 pontos para 13,7 pontos porcentuais.
Em um segundo turno, o presidente venceria o senador por 48% a 39,1%, ante 49,3% a 36,8% na pesquisa passada. Mesmo com a vantagem caindo de 12,5 pontos para 8,9 pontos porcentuais, pela margem de erro, de 2,2 pontos porcentuais, Lula ainda seria reeleito.
Dados no radar
Os investidores também reagem aos dados de inflação, que vieram ligueiramente acima do esperado, e à ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Enquanto o IPCA mostrou uma alta de 0,07% em julho, com desaceleração da inflação em 12 meses para 4,44%, a ata reforçou a preocupação do Copom com as expectativas desancoradas e a necessidade de manter a política monetária em terreno restritivo.
Os dois eventos, embora distintos, ajudam a contar a mesma história: a inflação corrente dá sinais de alívio, mas ainda há pontos de atenção que impedem uma leitura totalmente confortável para o Banco Central.
Sobe e desce do Ibovespa
Com a saída do fluxo estrangeiro, as blue chips recuam e pressionam o Ibovespa.
As ações da Petrobras(PETR4;PETR3) operam em queda em meio à volatilidade dos preços do petróleo Brent no mercado internacional. Por volta de 13h (horário de Brasília), PETR3 caía 1,57% (R$ 46,47) e PETR4 registrava queda de 1,78% (R$ 41,48).
Já Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, recuava 0,88%, a R$ 75,26, no mesmo horário.
O setor de bancos também tem desempenho negativo: o Índice Financeiro (IFNC) recua 2,42%, puxado pela baixa de 4,92% (R$ 50,60) dos papéis do BTG Pactual (BPAC11), em reação ao balanço do segundo trimestre.
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A ponta negativa, porém, é liderada por RD Saúde (RADL3), com queda de 5,52% (R$ 18,31), em realização por ganhos recentes.
Já a ponta positiva é encabeçada por Natura (NATU3), com alta de 3,34% (R$ 8,35), também em reação ao balanço do 2T26.
E o dólar?
O dólar opera em alta ante as moedas globais, como euro e libra, com os investidores calibrando as apostas para a trajetória dos juros dos Estados Unidos antes de novos dados de inflação. Por volta de 13h, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,02%, no nível dos 99 pontos.
Na comparação com o real, o dólar também ganha força, na esteira da abertura da curva de juros futuros após a surpresa com o IPCA e a redução de apostas de corte na Selic pelo Copom em setembro. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,1630, com alta de 1,02%.
Mais cedo, o dólar atingiu a máxima intradia a R$ 5,1721 (+1,20%).
Wall Street no negativo
Os índices de Wall Street operam em queda, com as tratativas para a reabertura do Estreito de Ormuz no radar. Segundo o ministro de Defesa do Paquistão, os EUA e Irã estão perto de “algum tipo de acordo” sobre a via marítima.
A declaração surgiu após um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmar à Al Jazeera que as negociações entre o Irã e Omã sobre a abertura de um canal de navegação através do Estreito de Ormuz estavam em um “momento crítico”.
Por volta de 13h30 (horário de Brasília), o S&P 500 caía 0,16%, aos 7.738,17 pontos; Dow Jones tinha baixa de 0,17%, aos 53.884,67 pontos, e Nasdaq recuava 0,47%, aos 26.478,665 pontos.
Ásia e Europa
Na Ásia, os índices fecharam o pregão sem direção única: o índice Nikkei, do Japão, subiu 2,08%, aos 66.970,22 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve queda de 1,10%, aos 25.652,82 pontos pontos.
Na Europa, os mercados terminaram a sessão também em tom misto. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou praticamente estável, com alta de 0,01%, aos 660,51 pontos.
