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Future of MoneyCPTO
21/08/2026
5 min

O que explica o bitcoin subir US$ 15 mil por unidade em 3 dias?

Valorização da maior das criptomoedas vem após dois meses de lateralização e gera expectativa pelo que ocorrerá até o fim do ano

O que explica o bitcoin subir US$ 15 mil por unidade em 3 dias?

O bitcoin passou dois meses lateralizado entre os US$ 59 mil e os US$ 67 mil antes de disparar mais de 20% ao longo de três dias e sair dos US$ 64 mil para os US$ 79 mil. Foi um ganho de US$ 15 mil por unidade da criptomoeda em um período mais curto do que uma semana.

Mas o que levou a uma valorização tão forte e em tão pouco tempo?

Em relatório, a equipe de análise da consultoria Vault Capital destaca que a análise dos dados públicos em blockchain permite ver o preço pelo qual cada bitcoin foi comprado.

Com isso, é possível perceber que há uma grande quantidade de bitcoin comprado há menos de cinco meses por valores entre US$ 60 mil e US$ 65 mil, ao passo que há um vácuo até o próximo patamar pelo qual muitos BTCs foram adquiridos: o de US$ 80 mil a US$ 85 mil.

Isso fez com que a criptomoeda registrasse seus menores volumes de negociação em toda a série de 364 dias. “O motivo aparece no mapa de preços. Naquele momento, 2,4 milhões de bitcoins estavam a menos de dois por cento do preço pelo qual haviam sido comprados. Praticamente ninguém tinha lucro relevante para realizar, e ninguém tinha prejuízo grande o bastante para desistir. Sem motivo para vender, ninguém vendeu”, afirma a Vault.

Gráfico da quantidade de bitcoins comprados a cada preço

Gráfico da quantidade de bitcoins comprados a cada preço

Com pouca oferta de bitcoins no mercado, um gatilho de notícias suficientemente forte poderia causar uma explosão nos preços. E foi o que aconteceu.

O aumento nas compras de títulos dos EUA

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana que vai ampliar as compras de títulos do Tesouro do país de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação. Isso significa que o Estado da maior economia do mundo vai colocar dinheiro no balanço dos bancos que estão com esses títulos e as instituições financeiras poderão usar esse dinheiro para expandir a base monetária ao conceder empréstimos.

A medida foi tomada para reduzir o rendimento desses títulos de longo prazo, derrubando a curva de juros para que o próprio governo possa reduzir o quanto paga em juros. “O Tesouro dos EUA está emitindo treasuries de curto prazo e comprando esses títulos de longo prazo, fazendo com que os juros de longo prazo diminuam, o que facilita as condições de pagamento”, resume Valter Rebelo, especialista de criptoativos da Empiricus.

Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com os presidentes das principais empresas de criptoativos do país e saiu da reunião com declarações para defender o setor.

Esta soma de notícias, aliada a uma proposta de regulação de criptoativos pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), foi o gatilho que o mercado precisava para se destravar.

Quem está comprando e quem está vendendo?

De acordo com a Vault, a oferta de bitcoins comprados há seis meses ou mais aumentou apenas 8,9%, quando a mediana do ano é de 11%. “Em uma alta de dois dígitos, os investidores antigos venderam menos que num dia qualquer”, resume a consultoria.

Assim, fica claro que o comprador recente chegou, mas o antigo continuou parado pelo menos até o dia 20. “A alta de agosto tem assinatura de escassez de oferta, não de distribuição. A sequência foi de rede parada, seguida de rompimento em volume comum, com os investidores antigos ausentes e os recentes absorvendo”, aponta a Vault.

O próximo teste, de acordo com a consultoria, é a região dos US$ 75 mil a US$ 80 mil, onde há 448.625 bitcoins ainda no prejuízo.

Debasement trade

Rebelo destaca que a alta do bitcoin veio junto com a do ouro, o que pode revelar um fortalecimento do chamado “debasement trade”. Essa operação se baseia na tese de que a inflação vai continuar aumentando no mundo inteiro, com grande desvalorização das moedas tradicionais, como o dólar.

Consequentemente, os investidores adeptos do “debasement trade” compram ativos cuja oferta é limitada, a exemplo de metais preciosos e do bitcoin, que por programação nunca terá mais de 21 milhões de unidades emitidas.

Liquidação de vendidos

O crescimento desta operação encontrou uma série de posições vendidas de investidores que apostavam em uma queda do bitcoin. Esses investidores foram liquidados em prejuízo por causa da disparada da criptomoeda e precisaram recomprar bitcoins para fechar vendas a descoberto ou posicionamentos em derivativos, algo conhecido como “short squeeze”.

Gráfico da disparada do bitcoin desde as mínimas da semana

Gráfico da disparada do bitcoin desde as mínimas da semana

Vinicius Bitelo, analista do BTG Pactual, lembra que US$ 953 milhões foram liquidados nas últimas 24 horas e US$ 4,3 bilhões desde que a disparada começou. “Os traders seguem tentando encontrar um novo topo local para o bitcoin, mas continuam sendo liquidados no processo”, aponta Bitelo.

Enquanto isso, o especialista da Empiricus aponta que o bitcoin rompeu três resistências seguidas. “Foi um movimento bem intenso e que mostra o quanto havia de posições apostando contra o bitcoin no mercado”, diz Rebelo. “Até o final do ano, esse tipo de movimento costuma definir mudanças de regime e é algo que persiste.”

Daqui para frente, Rebelo diz que a visão é construtiva e que o bitcoin deve subir ainda mais conforme a regulação nos EUA avançar apesar dos percalços até agora.

Já Matheus Parizotto, analista de criptoativos do BTG Pactual, alerta que a volatilidade tende a continuar elevada no curtíssimo prazo, sendo que a direção do movimento ainda vai depender do saldo entre compras e vendas de criptomoedas por fundos negociados em bolsa (ETFs) e empresas de capital aberto compradoras de ativos digitais (DATs).

"Vale o otimismo, mas sem euforia, com foco em horizontes de semanas e meses, não em dias", diz Parizotto.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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