O que faz Recife ser um polo de tecnologia? EXAME faz evento para celebrar os negócios de Pernambuco
No dia 24 de novembro, o Road Show Negócios em Expansão reúne empresários para discutir as oportunidades para crescer no Nordeste; veja como participar do evento gratuito

Para construir uma empresa que cresce rápido no Brasil, é preciso estar em São Paulo? Durante muito tempo, essa pareceu ser a resposta óbvia. Afinal, é lá que estão boa parte dos investidores, dos grandes clientes e do dinheiro. Mas algumas cidades estão mostrando que existe outro caminho.
Uma delas é Recife. A capital de Pernambuco abriga empresas de tecnologia, um polo médico que atende pacientes de todo o Nordeste e negócios que faturam bilhões de reais. No Porto Digital, um parque tecnológico instalado no centro histórico da cidade, 541 empresas empregam mais de 24 mil pessoas e movimentam 7,4 bilhões de reais por ano.
É para entender o que está acontecendo nesse ambiente que a EXAME e o BTG Pactual Empresas desembarcam em Recife no dia 24 de novembro. A cidade receberá uma edição do Road Show Negócios em Expansão, encontro que reúne empresários e investidores para discutir como construir negócios capazes de crescer mesmo com juros altos, crédito caro e concorrência.
E os números ajudam a entender o interesse pela região. Uma empresa pernambucana, fundada por uma engenheira que decidiu empreender aos 62 anos, cresceu mais de 4.400% em um único ano. Outra, criada para ajudar médicos a administrar seus consultórios, recebeu um investimento de 160 milhões de reais.
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Por que Recife virou um polo de negócios?
Imagine abrir uma empresa e conseguir resolver a burocracia em menos de um dia. Em Pernambuco, o tempo médio para formalizar um negócio chegou a 20,3 horas. No Brasil, a média gira em torno de 31 horas.
Parece um detalhe, mas faz diferença para quem está começando. Menos tempo preenchendo documentos significa mais tempo para vender, contratar e colocar a operação de pé.
Entre janeiro e maio de 2026, Pernambuco registrou 73.461 novas empresas, quase 13% a mais do que no mesmo período do ano anterior. Hoje, o estado reúne cerca de 696 mil negócios ativos.
Há outro dado que chama a atenção: 55% dos novos empreendedores têm até 35 anos. É uma geração que está abrindo empresas em um estado tradicionalmente associado a setores como comércio, turismo e indústria.
Mas Recife tem uma vantagem que nem sempre aparece nas estatísticas de abertura de empresas: a cidade é cercada por diferentes motores econômicos.
De um lado, está o Porto de Suape, que movimenta cargas e atende indústrias. De outro, o polo médico, considerado o segundo maior do Brasil. A poucas horas de distância, o Agreste concentra fabricantes de roupas, enquanto o Vale do São Francisco produz frutas para exportação.
Isso cria oportunidades para empresas que vendem tecnologia, serviços e equipamentos a outros negócios.
O melhor exemplo é o Porto Digital. Instalado entre prédios históricos do Bairro do Recife, o parque virou endereço de empresas que desenvolvem desde softwares financeiros até sistemas para hospitais e indústrias.
A proximidade com universidades, como a Universidade Federal de Pernambuco, ajuda a formar profissionais. A dificuldade está em fazer esses talentos permanecerem na região quando empresas de outros estados e países também querem contratá-los.
A engenheira que abriu uma empresa aos 62 anos e cresceu 4.472%
Se há uma história que resume o potencial das empresas pernambucanas, é a de Deise Coelho.
Engenheira civil, ela chegou aos 62 anos e tomou uma decisão pouco comum para quem está perto da aposentadoria: abriu uma empresa.
Nasceu assim a Almerindas Saneamento, negócio criado para enfrentar um problema brasileiro que está longe de ser resolvido. Milhões de pessoas ainda vivem sem acesso adequado à coleta de esgoto e à água tratada.
A empresa desenvolveu uma solução que combina engenharia e tecnologia para ajudar a conectar casas de famílias de baixa renda às redes de saneamento.
O resultado financeiro veio rápido. Em 2024, a Almerindas registrou receita operacional líquida de 55.900 reais. Em 2025, o valor chegou a 2,6 milhões de reais.
Foi um crescimento de 4.472,1%.
Com esse desempenho, a empresa conquistou o primeiro lugar na categoria Novatas do ranking Negócios em Expansão 2026, da EXAME, que analisou 491 companhias brasileiras.
O caso mostra como uma empresa pequena pode crescer ao encontrar uma solução para um problema concreto. Mas também deixa uma pergunta: como manter o ritmo depois de um salto tão grande?
Crescer a partir de uma base pequena é uma coisa. Construir uma operação capaz de atender mais clientes, contratar equipes e sustentar o caixa é outra.
É justamente essa passagem que costuma separar empresas promissoras de negócios que conseguem ganhar escala.
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De baterias a inteligência artificial: as empresas que colocaram Pernambuco no mapa
A Almerindas está longe de ser um caso isolado.
Pernambuco também aparece no ranking Negócios em Expansão com empresas de setores tão diferentes quanto construção, energia solar, tecnologia e serviços.
A DUE Incorporadora, do mercado imobiliário, alcançou o segundo lugar nacional em seu segmento na faixa de faturamento entre 150 milhões e 300 milhões de reais. A M1 Business Group também marcou presença entre as empresas em expansão.
Há ainda negócios que ajudam a contar outra parte dessa história.
A Neurotech, criada no Recife, desenvolveu tecnologia para analisar dados e ajudar empresas a tomar decisões, como avaliar o risco de conceder crédito. Acabou comprada pela B3, empresa que administra a bolsa de valores brasileira, por mais de 600 milhões de reais.
A Amigo Tech seguiu outro caminho. Criou uma plataforma que ajuda médicos a organizar a gestão de seus consultórios e recebeu um aporte de 160 milhões de reais do fundo Riverwood Capital.
São modelos diferentes, mas com uma característica em comum: usam tecnologia para resolver problemas de setores que já movimentam muito dinheiro.
E existe também o exemplo de empresas tradicionais, como a fabricante de baterias Moura, que cresceu a partir de Pernambuco e avançou para outros mercados.
A questão para os novos empreendedores é descobrir como repetir essas trajetórias sem depender apenas de uma boa ideia. É preciso vender, controlar os custos, conseguir financiamento e montar uma equipe que acompanhe o crescimento.
O que estará em debate no Road Show da EXAME em Recife?
Como transformar uma empresa pequena em um negócio que fatura milhões? Como conseguir dinheiro para crescer? E até que ponto a inteligência artificial pode ajudar uma empresa a vender mais e gastar menos?
Essas são algumas das perguntas que estarão no centro do Road Show Negócios em Expansão, marcado para 24 de novembro, em Recife.
O encontro faz parte de uma série de eventos promovidos pela EXAME e pelo BTG Pactual Empresas. A caravana já passou por Porto Alegre, Belo Horizonte e Fortaleza, reunindo empresários para discutir os desafios de crescer em um país com juros altos e crédito caro.
Em Recife, um dos temas será o uso da inteligência artificial nas empresas. Marcos Sanchez, CTO da EXAME e da Saint Paul Escola de Negócios, vai mostrar como a tecnologia pode sair das apresentações de PowerPoint e começar a resolver problemas reais dos negócios.
O público também vai conhecer histórias de quem conseguiu transformar tecnologia em dinheiro. Rodrigo Cunha, cofundador da Neurotech, empresa vendida à B3 por mais de 600 milhões de reais, estará ao lado de Fernando Raposo, fundador da Amigo Tech, que recebeu um investimento de 160 milhões de reais. Gabriel Motomura, do BTG Pactual Empresas, completa a conversa sobre tecnologia, financiamento e crescimento.
Outro debate vai reunir dois nomes que conhecem bem os desafios de construir empresas em Pernambuco. Paulo Sales, presidente do Conselho de Administração da fabricante das Baterias Moura, vai abordar a experiência de uma indústria que cresceu e chegou a outros países. Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, trará a perspectiva das empresas de tecnologia que precisam atrair talentos e conquistar mercados fora do Nordeste. A conversa será conduzida por Lucas Amorim, diretor de redação da EXAME.
Os desafios de crescer também estarão na pauta de quem já passou pelo ranking Negócios em Expansão. Deise Coelho, fundadora da Almerindas Saneamento, dividirá o palco com Alfredo Carneiro Júnior, do Hub Plural, e Alessandro Barbosa Lima, fundador da Elife e da Buzzmonitor, empresa que hoje fatura mais de 120 milhões de reais por ano. A mediação será de Leo Branco, editor de negócios e carreiras da EXAME.
Para fechar, Beatriz Guarezi, fundadora da Bits to Brands, vai tratar de um problema que toda empresa enfrenta em algum momento: como fazer o consumidor escolher sua marca em vez da concorrente.
A proposta do encontro é colocar na mesma conversa empresários que estão começando, fundadores que já conseguiram crescer e executivos de companhias consolidadas. Afinal, uma empresa que fatura 2 milhões de reais pode ter muito a aprender com outra que já passou da marca dos 100 milhões de reais — inclusive sobre os erros que não vale a pena repetir.
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