O que guias da OpenAI e pesquisas da Microsoft ensinam sobre usar IA com mais critério
Instruções específicas, material de referência, tarefas em etapas e checagem das respostas aparecem em guias da OpenAI e em pesquisas da Microsoft como práticas para usar IA com critério

Escrever bem a instrução e conferir a resposta são duas práticas que separam o uso consciente de inteligência artificial da dependência. Guias de empresas como a OpenAI e pesquisas da Microsoft ajudam a transformar essas práticas em hábitos aplicáveis no trabalho. Este texto reúne dicas de prompts e formas de explorar ferramentas.
Cinco práticas para escrever prompts melhores
Prompt é a instrução escrita que o usuário envia à IA. O guia de prompts da OpenAI reúne seis estratégias, e cinco delas viram hábitos simples:
- Seja específico: informe contexto, público e formato. Exemplo: "Resuma este relatório em cinco linhas para a diretoria financeira e destaque os três principais riscos."
- Forneça material de referência: o guia recomenda pedir que a IA responda com base em um texto e cite os trechos usados. Exemplo: "Use apenas o documento abaixo e indique de onde tirou cada informação."
- Divida tarefas complexas: segundo o guia, tarefas complexas tendem a ter mais erros que tarefas simples. Exemplo: peça primeiro a lista de tópicos de uma apresentação e depois o rascunho de cada um.
- Peça o raciocínio: o guia sugere que a IA resolva antes de concluir e revise se esqueceu algo. Exemplo: "Liste as premissas usadas e aponte o que pode estar faltando."
- Teste as mudanças: um ajuste pode melhorar um caso e piorar o conjunto, por isso vale comparar versões do prompt em mais de um exemplo.
Como explorar ferramentas de IA
Assistentes de conversa gerais, como ChatGPT, Gemini e Copilot, são usados para rascunhos, resumos e ideias. Já o NotebookLM, do Google, segue outra lógica: segundo a página de suporte da empresa, as respostas usam dados das fontes enviadas pelo usuário, com citações de trechos que permitem conferir a precisão.
Um uso prático é subir três relatórios trimestrais e perguntar: "Segundo as fontes, o que mudou nos custos entre o primeiro e o terceiro trimestre?". O Google informa que é possível marcar ou desmarcar fontes para definir de quais a resposta deve partir.
Um exercício simples é enviar o mesmo prompt a duas ferramentas e comparar clareza, erros e fontes citadas.
O hábito que completa o uso: verificar
Um estudo da Microsoft Research com a Carnegie Mellon ouviu 319 trabalhadores do conhecimento e associou maior confiança na IA a menos pensamento crítico. Segundo os pesquisadores, o esforço passa a se concentrar em verificar informações, integrar respostas e supervisionar a tarefa.
Três perguntas ajudam a aplicar isso: os dados batem com a fonte original? O texto serve para este público? Quem responde pelo resultado final?
Em um experimento publicado na PNAS com quase mil estudantes, quem usou uma IA aberta e pediu respostas prontas teve desempenho 17% menor na prova sem a ferramenta. Quem usou uma versão que orientava o raciocínio ficou em nível semelhante ao do grupo de controle.
O que vale lembrar
Os guias descrevem recomendações de uso, e não resultados de testes controlados, e o desempenho varia conforme a ferramenta e a tarefa. Em comum, as fontes apontam instruções claras, material de referência, tarefas em etapas e checagem do resultado antes de usá-lo.
