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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
30/09/2026
8 min

O que levou a Irani ao topo do Melhores e Maiores da EXAME

Após investir R$ 1,7 bilhão em eficiência, geração de energia e capacidade, companhia lidera o ranking na categoria Papel e Celulose – e inicia novo ciclo de expansão

O que levou a Irani ao topo do Melhores e Maiores da EXAME

A Irani chegou ao primeiro lugar da categoria Papel e Celulose do Melhores e Maiores 2026, da EXAME, depois de atravessar um ciclo de investimentos que mudou a escala e a estrutura do negócio.

Em 2025, a companhia aumentou a receita e o EBITDA, indicador que mede o desempenho operacional, reduziu a alavancagem e manteve uma agenda de investimentos em eficiência, energia renovável e expansão. Ao mesmo tempo, avançou em uma estratégia que vem sendo construída há anos: integrar floresta, papel, energia, reciclagem e embalagens em uma mesma operação.

O resultado não se resume aos números de um exercício. O ranking considera cinco dimensões — desempenho financeiro, crescimento nos últimos cinco anos, governança corporativa, responsabilidade socioambiental e a própria conquista no ranking — e coloca lado a lado aspectos que, na Irani, fazem parte de uma mesma estratégia.

“Esse prêmio representa a solidez da nossa estratégia, pois avalia a Irani de forma ampla, ao considerar não apenas o desempenho financeiro, mas também a geração de valor em outras perspectivas. Nós temos a sustentabilidade como tese de alocação de capital e esse reconhecimento indica que estamos no caminho certo”, afirma Odivan Cargnin, CEO da companhia.

Embalagens sustentáveis: Irani pretende avançar no mercado de embalagens de papelão ondulado, ampliando sua atuação nesse segmento. (IRANI/Divulgação)

O resultado por trás do ranking

Em 2025, a receita líquida da Irani chegou a R$ 1,7 bilhão, crescimento de 8,4% sobre o ano anterior. O EBITDA Ajustado avançou 11,4%, para R$ 539 milhões, com margem de 32%. A dívida líquida equivalia a 1,99 X o EBITDA ao fim do ano, uma medida da relação entre o endividamento e a capacidade de geração de caixa da companhia.

No segundo trimestre de 2026, a companhia manteve o ritmo: a receita líquida foi de R$ 431,9 milhões, alta de 4,4% sobre o mesmo período de 2025, enquanto o EBITDA Ajustado alcançou R$ 131,6 milhões, crescimento de 3,2%. A margem ficou em 30,5%.

Os números, diz Cargnin, refletem uma combinação de fatores que não depende de uma única linha do balanço. “Os resultados de 2025 refletem principalmente a combinação de melhores preços e mix de vendas, eficiência operacional e disciplina na gestão de custos e na alocação do capital.”

A redução da alavancagem também ajudou a fortalecer a estrutura financeira da companhia. “Mais importante do que um número isolado é perceber que estamos conseguindo crescer, gerar caixa e manter disciplina financeira mesmo em um ambiente de juros elevados”, afirma o executivo.


Cinco anos de investimento

O desempenho recente é resultado de um ciclo de investimentos iniciado há alguns anos. O principal eixo foi a Plataforma Gaia, formada por 12 projetos voltados à atualização tecnológica, eficiência operacional, geração de energia renovável e aumento da capacidade produtiva.

Os investimentos da plataforma somam R$ 1,7 bilhão, dos quais R$ 600 milhões ainda estão em execução. “Foi um crescimento construído principalmente por investimentos orgânicos em eficiência e produtividade, fortalecendo nosso modelo de negócio”, diz Cargnin.

A mudança, segundo ele, não foi apenas de tamanho. “Nos últimos anos, transformamos a Irani em uma empresa mais integrada, eficiente, sustentável e preparada para crescer.”

A companhia entra agora em uma nova etapa. A Plataforma Neos foi desenhada para ampliar de 4% para 8% a participação da Irani no mercado brasileiro de embalagens sustentáveis até 2034.

O primeiro movimento será a implementação de uma terceira planta de embalagens sustentáveis nos próximos anos. A partir de 2030, estão previstas uma quarta planta e uma nova máquina de papel reciclado.

Da floresta à embalagem

Uma das características da Irani é o grau de integração da operação. A companhia tem florestas próprias, produz papel, gera energia renovável, recicla aparas e transforma o papel em chapas e caixas, além de comercializar bobinas de papel para conversão em sacos e sacolas.

Essa estrutura também está ligada à forma como a empresa trabalha com os clientes. Em vez de olhar apenas para a embalagem, a companhia busca atuar sobre problemas de logística e transporte.

“Nos posicionamos ao lado deles, olhando para onde eles olham, com a mesma perspectiva, para entender os seus desafios e ajudá-los a melhorar a sua logística, desenvolvendo projetos de embalagens mais eficientes, que otimizem o custo do transporte e gerem menos impacto ambiental”, afirma Cargnin.

O executivo vê espaço para avançar nesse caminho com tecnologia e inteligência aplicada ao desenvolvimento de embalagens, especialmente em caixas de papelão ondulado e em papel para sacos e sacolas para delivery e varejo.

Unidade de Vargem Bonita: integra florestas plantadas, produção de papel e fábrica de embalagens (IRANI/Divulgação)

Sustentabilidade na operação

A Irani fortalece sua atuação em sustentabilidade por meio de iniciativas de restauração e conservação florestal. Ao longo dos últimos 20 anos, a companhia ampliou em 14% as áreas destinadas à conservação e alcançou 16.585 hectares preservados em 2025. Na unidade florestal de Santa Catarina, cerca de 49% da área é composta por florestas nativas conservadas, reforçando o compromisso da empresa com a proteção da biodiversidade e dos recursos naturais.

A lógica de circularidade acompanha o produto ao longo de sua vida útil. “Plantamos as nossas florestas que viram celulose e depois papel. Transformamos o papel em chapas e caixas e comercializamos para clientes que convertem em sacos e sacolas. Reciclamos estes mesmos produtos após o uso, comprando aparas e fazendo papel novamente, que vira mais uma vez caixas, sacos e sacolas. É economia circular na essência”, destaca Cargnin.

Na energia, 100% do processo produtivo utiliza fontes renováveis. Cerca de 70% dessa energia é gerada pela própria companhia, por meio de pequenas centrais hidrelétricas, caldeira de biomassa e caldeira de recuperação. Os projetos Gaia IV e Gaia V devem ampliar essa participação.

A relação entre sustentabilidade e desempenho também aparece em outros indicadores. No segundo trimestre de 2026, o retorno sobre o capital investido (ROIC) da companhia foi de 12,5%. O NPS de clientes ficou acima de 85% nos últimos anos.

A trajetória ambiental não é recente. A Irani foi, segundo Cargnin, a primeira empresa brasileira do setor e a segunda no mundo a emitir créditos de carbono, em 2007. Há duas décadas, publica relatório de sustentabilidade auditado. “Estes são alguns exemplos concretos de como a sustentabilidade faz parte do nosso dia a dia e gera prosperidade para as pessoas”, afirma.

Governança e acesso ao capital

A Irani também está no Novo Mercado da B3 e integra os índices de Carbono Eficiente (ICO2), de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e de Dividendos (IDIV). Para a companhia, a governança está ligada à maneira como o capital é alocado e à relação com os investidores.

“Representa compromisso com a transparência e com a governança. Estar no Novo Mercado significa operar segundo o mais elevado padrão de governança para as empresas no Brasil”, diz Cargnin. A presença nos índices de sustentabilidade, acrescenta, reforça a mesma lógica. “Sustentabilidade para a Irani é tese de alocação de capital.”

A estratégia é buscar investidores que compartilhem de uma visão de longo prazo. “Atrair capital que esteja alinhado ao nosso pensamento estratégico é fundamental para nós.”

O equilíbrio que sustenta o crescimento

Entre os cinco critérios do ranking, Cargnin não aponta um deles como maior desafio. O trabalho, afirma, está justamente em manter todos funcionando ao mesmo tempo.

“O desafio é manter consistência e o equilíbrio em todos os critérios ao mesmo tempo. Não existe resultado financeiro sustentável sem uma operação eficiente, assim como não existe crescimento de longo prazo sem cuidar das pessoas, da governança e do meio ambiente.”

É uma equação que a companhia vem tentando sustentar em diferentes ciclos. Em 85 anos, a Irani atravessou inflação, mudanças no custo de capital, transformações tecnológicas e crises econômicas. Cargnin cita a crise financeira de 2008, a recessão de 2015 e 2016 e a pandemia de 2020.

“Aprendemos muito com todas as dificuldades que passamos. Entendemos que o Brasil tem suas idiossincrasias, como juros elevados e ambiente de negócios complexo. Para termos consistência no longo prazo e obtermos retornos econômicos adequados, precisamos trabalhar com uma estrutura de capital robusta.”

A própria natureza do negócio impõe esse horizonte. “Parte da nossa matéria-prima é a floresta, que leva 15 anos para ficar pronta. Pensar no longo prazo faz parte da nossa essência.”

O próximo ciclo

Aos 85 anos, a Irani está novamente diante de um ciclo de expansão. A Plataforma Neos prevê aumento da participação da companhia no mercado de embalagens sustentáveis, com novas plantas e investimentos em papel reciclado.

O mercado de embalagens sustentáveis cresceu, em média, 2,5% ao ano nos últimos dez anos, segundo a companhia. A aposta da Irani é crescer nesse mercado sem abandonar os pilares que orientaram o ciclo anterior: eficiência, inovação, sustentabilidade, desenvolvimento de pessoas e proximidade com os clientes.

“Vamos continuar investindo nas pessoas, em inovação, tecnologia, eficiência, na economia circular e com o foco do cliente, porque acreditamos que esses elementos são fundamentais para o crescimento sustentável da Irani.”

O executivo resume a ambição da próxima etapa sem colocar o tamanho da companhia como ponto de chegada: “Nosso objetivo não é simplesmente ser uma empresa maior, mas ser uma empresa que cresce de forma sustentável, gerando prosperidade compartilhada para todos no longo prazo.”

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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