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Sacre Investimentos
CiênciaCMDT
20/09/2026
4 min

O que o cheiro de café faz com o cérebro? Estudo encontra efeito em 5 minutos

Experimento registrou redução de fadiga, tensão, ansiedade e confusão, além de mudanças nas ondas cerebrais

O que o cheiro de café faz com o cérebro? Estudo encontra efeito em 5 minutos

Sentir o cheiro de café por apenas cinco minutos foi associado à redução de cansaço, tensão e confusão em um grupo de jovens, sem que eles precisassem beber uma única xícara. O experimento também identificou uma pequena mudança em um indicador calculado a partir da atividade cerebral.

A descoberta faz parte de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Farmacêutica Showa, no Japão, e publicado na revista científica Nutrients. O trabalho avaliou simultaneamente humor, ondas cerebrais e indicadores cardiovasculares após a exposição ao aroma da bebida.

Participaram do experimento 20 universitários saudáveis, entre 20 e 29 anos, sendo oito homens e 12 mulheres. A ausência de um grupo de controle, porém, impede concluir que as alterações observadas tenham sido provocadas especificamente pelo cheiro do café.

Como o cheiro de café foi testado?

Os pesquisadores prepararam 20 gramas de café moído com 400 mililitros de água a 85°C por extração de gotejamento. O preparo levou aproximadamente três minutos.

Em seguida, a bebida foi colocada em um recipiente de vidro a 50 centímetros de cada participante. Durante cinco minutos, os voluntários permaneceram no ambiente respirando normalmente, sem tocar ou consumir o café.

Antes e depois da exposição, eles responderam a um questionário que avaliava seis dimensões do humor: tensão e ansiedade, depressão, raiva, vigor, fadiga e confusão.

Uma faixa portátil de eletroencefalograma registrou aatividade cerebral e os batimentos cardíacos. Outro dispositivo mediu a variabilidade da frequência cardíaca, indicador relacionado ao funcionamento do sistema nervoso autônomo.

Cansaço, tensão e confusão diminuíram

Após os cinco minutos, os pesquisadores observaram uma redução no escore geral usado para medir a perturbação do humor. Depois dos ajustes estatísticos, as mudanças mais consistentes ocorreram em fadiga, tensão e ansiedade, confusão e depressão.

A raiva também apresentou queda inicialmente, mas o resultado perdeu significância estatística após o ajuste para múltiplas comparações. Já o vigor, relacionado à disposiçãoe à energia, não apresentou mudança relevante.

O padrão indica que o resultado esteve relacionado principalmente à diminuição de estados negativos de humor, e não a um aumento da energia dos participantes.

Atividade cerebral também apresentou mudança

O eletroencefalograma foi utilizado para calcular um índice de relaxamento baseado na proporção entre ondas alfa, beta e teta. Esse indicador aumentou de maneira estatisticamente significativa depois da exposição. A diferença absoluta, no entanto, foi pequena.

Os próprios pesquisadores alertam que o resultado representa apenas uma mudança no índice calculado. Portanto, não comprova que o cérebro tenha entrado fisiologicamente em um estado de relaxamento. A frequência cardíaca e sua variabilidade, por outro lado, não apresentaram alterações estatisticamente significativas.

Os pesquisadores também não encontraram uma relação relevante entre as mudanças individuais nas diferentes medidas. Isso significa que quem apresentou maior melhora no humor não necessariamente registrou maior alteração na atividade cerebral.

Limitações não permitiu atribuir efeito apenas ao cheiro do café

Uma das principais limitações está na ausência de um grupo de controle. Os participantes não foram comparados, por exemplo, com pessoas expostas a um ambiente sem cheiro, a um odor neutro ou a um placebo.

Por isso, não é possível separar o possível efeito do aroma de outros fatores. Os próprios autores apontam que permanecer cinco minutos em repouso e silêncio, a familiaridade com o laboratório ou as expectativas dos voluntários também podem ter influenciado os resultados.

A amostra também foi pequena e formada exclusivamente por universitários entre 20 e 29 anos. Além disso, não foram avaliados sistematicamente fatores como hábito de consumir café, preferência pela bebida e sensibilidade aos cheiros.

O eletroencefalograma utilizado era um equipamento de uso doméstico, com limitações técnicas em comparação aos aparelhos empregados em laboratórios. Diante disso, os autores defendem novos experimentos com grupos de controle e participantes mais numerosos e diversos. Estudos futuros também deverão medir de maneira sistemática a concentração do aroma no ambiente para determinar melhor se o cheiro do café está diretamente relacionado às mudanças observadas.

AutorVanessa Loiola
FonteExame
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