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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
17/07/2026
5 min

O que os investidores estão achando da primeira farmácia do Assaí

O que os investidores estão achando da primeira farmácia do Assaí

A entrada do Assaí (ASAI3) no setor farmacêutico foi recebida de forma positiva por BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), Banco Safra e XP Investimentos. Na avaliação das instituições financeiras, a inauguração da primeira farmácia da rede fortalece a estratégia de diversificação da companhia e pode abrir uma nova avenida de crescimento, embora os impactos sobre os resultados devam aparecer apenas no médio e longo prazo.

O primeiro passo desse plano foi dado nesta quinta-feira, 16, com ainauguração da primeira unidade da Assaí Farma na loja da Marginal Tietê, em São Paulo. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo da companhia para diversificar suas fontes de receita em um momento de juros elevados e menor ritmo de expansão física, após a aquisição das lojas do Extra.

A nova operação se apoia em uma das principais vantagens competitivas do Assaí, a rede de mais de 300 lojas espalhadas pelo país e um fluxo de aproximadamente 40 milhões de clientes por mês. A ideia da companhia é aproveitar esse tráfego para ampliar sua atuação além do varejo alimentar e oferecer medicamentos a preços competitivos, aumentando a frequência de visitas, o valor gasto por cliente e a produtividade das unidades.

O plano de expansão prevê a abertura de 25 farmácias no estado de São Paulo ao longo do segundo semestre.

Para o BTG, ainauguração da farmácia representa o início de um novo ciclo de crescimento para a empresa. Em relatório, o banco afirma que o Assaí passa a priorizar a inovação como principal motor de expansão, em substituição ao forte ritmo de abertura de lojas observado nos últimos anos.

"A administração acredita que sua escala, localizações estratégicas e alto volume de clientes criam uma vantagem competitiva significativa para estender sua proposta de valor de preços baixos ao setor de saúde, ao mesmo tempo em que aumentam a frequência dos clientes, o valor médio da cesta de compras e a produtividade geral das lojas", escreveram os analistas.

A venda de medicamentos em supermercados é permitida no Brasil desde março, quando foi regulamentada pela Lei 15.357 de 2026. A legislação exige, contudo, que as farmácias funcionem como espaços físicos independentes.

Preparação do Assaí para a venda de GLP-1

O BTG também chama atenção para outro aspecto da estratégia como a preparação da companhia para mudanças no padrão de consumo provocadas pelos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, as chamadas canetas emagrecedoras.

A administração da varejista acredita que a maior adoção dessas terapias deve reduzir o consumo de carboidratos e bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo em que aumenta a demanda por proteínas, suplementos e produtos ligados à saúde. A entrada no segmento farmacêutico faz parte dessa adaptação, já que o Assaí pretende comercializar esses medicamentos quando cumprir todas as exigências regulatórias e operacionais.

"A nova iniciativa no setor farmacêutico amplia ainda mais essa estratégia, posicionando a Assaí dentro do que a administração chama de 'ecossistema da saúde', com planos de comercializar medicamentos à base de GLP-1 assim que os requisitos regulatórios e operacionais forem cumpridos. Embora o cronograma para a adoção em massa permaneça incerto, a disposição da administração em se preparar com bastante antecedência para a mudança estrutural reflete uma perspectiva estratégica de longo prazo, em vez de uma resposta à demanda imediata", diz o BTG.

Apesar da avaliação positiva, o banco também ressalta que a diversificação não deve ser encarada como um catalisador de curto prazo para os resultados da companhia.

"Vemos essas iniciativas de forma positiva do ponto de vista estratégico, mas acreditamos que elas devem ser consideradas principalmente como esforços de diversificação de médio e longo prazo, e não como impulsionadores imediatos dos lucros", advertem os analistas. O banco lembra que o varejo alimentar ainda enfrenta um ambiente desafiador, marcado pelo consumo mais fraco e pela dificuldade de repassar preços ao consumidor.

Divergência sobre a tese de investimento

O Banco Safra também avalia a iniciativa de forma favorável, mas destaca que ela ainda não altera a tese de investimento para o Assaí. A instituição mantém recomendação neutra para as ações (ASAI3), com preço-alvo de R$ 10.

Segundo o banco, a visita à primeira unidade confirmou que o projeto foi desenhado para operar com baixo investimento adicional. Como a farmácia funciona dentro das lojas já existentes, despesas como aluguel, segurança e parte dos serviços compartilhados são absorvidas pela operação principal, reduzindo a necessidade de capital.

Além disso, o Safra destaca que a farmácia possui um portfólio de aproximadamente 10 mil produtos, semelhante ao das grandes redes do setor, com foco em medicamentos de uso contínuo, categoria que tende a estimular compras recorrentes e aumentar a frequência dos consumidores.

"A base de custos incrementais mais baixa e a menor intensidade de capital poderiam resultar em um
ROIC superior à média do setor, desde que o formato alcance uma produtividade de vendas adequada", afirma. Ainda assim, os analistas ponderam que o ritmo de expansão dependerá do desempenho das primeiras unidades. A expectativa é de abertura de 25 farmácias em 2026, enquanto a expansão para cerca de 225 lojas adicionais poderá ser adiada caso os resultados do projeto-piloto não confirmem as expectativas.

A XP Investimentos também vê a estratégia com bons olhos e manteve recomendação de compra para as ações do Assaí, com preço-alvo de R$ 13.

Para a corretora, a entrada no segmento farmacêutico pode contribuir para elevar tanto a receita quanto as margens da companhia em um momento de pressão sobre o varejo alimentar. A XP destaca ainda que o modelo exige baixo investimento e tem potencial para gerar um retorno sobre o capital investido superior ao da operação tradicional de alimentos, reforçando a estratégia de diversificação da companhia sem demandar grandes aportes de capital.

AutorClara Assunção
FonteExame
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