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EconomiaACS
31/08/2026
5 min

O que precisa acontecer para os juros caírem no Brasil? Grandes mentes do BTG Pactual apontam o caminho

No evento Macro Day realizado pelo BTG Pactual nesta segunda-feira (31), especialistas do banco debateram inflação, juros e a relação com a situação fiscal; confira as principais conclusões

O que precisa acontecer para os juros caírem no Brasil? Grandes mentes do BTG Pactual apontam o caminho

Quer ver os juros caírem de forma sustentável no Brasil? Esqueça as soluções mágicas ou os ataques às metas do Banco Central: o caminho depende de decisão política e, consequentemente, freio nos gastos públicos. A mensagem deu o tom do Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual nesta segunda-feira (31).  

"O ajuste fiscal possível se cria", afirmou Mansueto Almeida, frisando que, diante de uma trajetória explosiva da dívida pública, o próximo governo terá como grande desafio controlar as despesas obrigatórias, mirando a redução dos juros. 

Para demonstrar que medidas fiscais estruturantes funcionam, Mansueto Almeida lembrou a aprovação do teto de gastos no governo de Michel Temer, em 2016, criada em meio a uma recessão econômica e juros elevados.  

Naquele momento, a implementação da regra ajudou a reancorar as expectativas do mercado, abrindo espaço para o Banco Central iniciar um ciclo de cortes de juros, com alívio sobre o custo da dívida público-federal. 

Avaliando o quadro atual, Mansueto Almeida observou que o crescimento do gasto público federal superou a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos, pressionando a inflação em um contexto de economia próxima do pleno emprego.  

O economista ponderou que, embora o arcabouço fiscal tenha sido bem recebido pelo mercado no início de 2024, episódios posteriores aumentaram a desconfiança quanto à sua efetividade, gerando elevação do juro real de longo prazo. 

Para contornar a dificuldade de desacelerar gastos permanentes, Mansueto Almeida indicou a necessidade de um plano coerente de controle de despesas obrigatórias que inclua mudanças nas regras de indexação do orçamento.  

A exemplo do ocorrido com a regra do teto de gastos, ele ressaltou que a resposta do mercado seria rápida se o próximo governo apresentar um projeto claro para a contenção dessas despesas. 

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O enigma dos juros no Brasil 

Em convergência com o diagnóstico fiscal, o pesquisador macroeconômico do BTG Pactual Samuel Pessôa avaliou que o principal entrave para a convergência da inflação e para a queda estrutural dos juros no Brasil é a condução da política fiscal, e não a meta de inflação ou o desenho do regime do Banco Central. 

Pessôa explicou que o Brasil convive com juros elevados desde o Plano Real, mas apontou que as razões mudaram ao longo do tempo.  

No início, sob a vigência do câmbio fixo, a taxa de juros alta compensava o risco de desvalorização; com o câmbio flutuante, entre 1999 e 2005, o diferencial de juros entre o Brasil e os EUA (descontado o risco-país via CDS de cinco anos) chegou a ser próximo de zero, mostrando que os juros altos refletiam o risco. 

O gargalo estrutural surgiu nos anos seguintes. 

“Quando o Brasil acumulou reservas, o risco despencou e os juros não caíram na mesma proporção. É aí que surge o enigma dos juros altos no Brasil”, disse Pessôa durante o evento. 

O pesquisador acrescentou que, a partir desse ponto, a dinâmica passou a se assemelhar à de uma economia mais fechada, em que o excesso de demanda doméstica sobre a oferta local dita o patamar dos juros. 

Pessôa também criticou as teses de que a meta de inflação brasileira seria excessivamente rígida, apontando falta de sustentação empírica nessas alegações. Para ele, culpar o regime de metas é uma tentativa de desviar do foco principal. 

“Um modo de não enfrentar o problema é ‘procurar pelo em ovo’, ao buscar coisas insignificantes para justificar uma explicação alternativa e, com isso, aliviar a pressão de lidar com o tema central”, afirmou. 

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Os juros caem ou não 

No plano imediato das decisões de política monetária, Tiago Berriel, sócio e head de Macro Research do BTG Pactual, apontou que, embora a atividade econômica tenha desacelerado com dados favoráveis, a piora nas expectativas de inflação de longo prazo exige cautela por parte do Banco Central. 

Ao comentar o rumo da taxa de juros, atualmente em 14%, Berriel avaliou que “o próximo corte de juros está dado, mas tem um caso de pausa bastante sólido”. 

O executivo enfatizou que a autoridade monetária ainda está longe de poder afirmar que consolidou a convergência da inflação para a meta. “Então talvez a gente precise de uma pausa para analisar a situação”. 

Além do quadro fiscal, Berriel citou choques de oferta exógenos à política monetária que podem impactar a inflação e a atividade econômica, como o Super El Niño, discussões sobre a jornada de trabalho (escala 6x1) e o choque do petróleo transmitido para expectativas mais longas.  

Diante desses fatores imprevisíveis, ele concluiu que a situação requer uma postura mais conservadora por parte do Banco Central. 

AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
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