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Mundo
19/09/2026
3 min

O que são as eleições 'midterm' nos EUA e por que elas importam para Trump

Antes das eleições para decidir o próximo presidente, as midterms definem os membros do Congresso, e servem como barômetro político — no meio do mandato de um presidente

O que são as eleições 'midterm' nos EUA e por que elas importam para Trump

Enquanto as eleições gerais americanas ocorrem a cada 4 anos e decidem o presidente e o vice-presidente, existem no país eleições secundárias, chamadas de midterms, que ocorrem a cada dois anos — caindo propositalmente no meio do mandato do presidente em exercício, como sugere o nome. Essas eleições são programadas para a terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro, caindo, neste ano, no dia 3.

As midterms, além da frequência, têm outras particularidades. A maior diferença está em quem é eleito: nessas eleições intermediárias, são decididos os assentos do Congresso, formado pela Câmara Baixa (também conhecida como Câmara dos Representantes) e pelo Senado. Dos 435 assentos da Câmara Baixa, todos estão em disputa nas midterms, e cerca de um terço dos 100 assentos do Senado também está em jogo.

Dessa maneira, eleitores conseguem influenciar qual será o partido de maioria no Congresso, entidade que aprova ou veta propostas presidenciais e pode limitar ou ampliar o poder do presidente e de sua administração. Portanto, servem também como um importante barômetro eleitoral, ajudando a medir o clima político do país.

Além disso, 36 dos 50 estados americanos também elegem seus governadores para mandatos de dois anos nas eleições de meio de mandato, ou seja, a liderança da maioria dos estados também é decidida dessa forma.

Além disso, outros cargos públicos de menor nível, como os de prefeitos, também são decididos por muitos estados nesse período.

Em anos de midterms, apesar das eleições gerais estarem reservadas para novembro, as corridas primárias já ocorrem desde o começo do ano. Essas eleições determinam quais candidatos serão nomeados representantes de cada estado — e de cada partido — para a corrida do Congresso. As datas das primárias variam de acordo com o estado.

Grande impacto, pouca participação

No geral, a participação nessas eleições é menor, com menos pessoas votando em cargos de menor expressão política, apesar do potencial impacto desses cargos. Diversas plataformas de análise eleitoral nos EUA, como FairVote e Center for Voting and Democracy, oferecem explicações distintas para a baixa participação, que vão da competitividade eleitoral a questões demográficas.

Além disso, as leis de registro eleitoral e de identificação de eleitores, o período das primárias e a acessibilidade às urnas também podem afetar a participação, apura o FairVote.

Os dados históricos mostram que a participação dos eleitores americanos nas eleições nacionais apresentou uma trajetória ascendente ao longo das últimas décadas.

Nos pleitos de meio de mandato, a taxa de comparecimento passou de 55,6% dos eleitores registrados em 1990 para 66,1% em 2010, segundo dados do Pew Charitable Trusts.

O movimento, porém, não foi linear. Em 2018, 49% dos eleitores aptos participaram das eleições de meio de mandato, a maior taxa registrada desde 1914. Em 2022, o índice recuou levemente, para 46%, mas ainda superou o registrado em qualquer eleição de meio de mandato desde 1970.

O histórico recente, portanto, sugere que os midterms deixaram de ser caracterizados apenas pela baixa mobilização típica de eleições realizadas entre disputas presidenciais.

O aumento da participação eleitoral indica um eleitorado mais engajado nesses pleitos, o que pode tornar a disputa por cadeiras no Congresso cada vez mais relevante para o equilíbrio político dos Estados Unidos.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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