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Future of MoneyCPTO
12/09/2026
5 min

O que sustenta o banco que cabe no celular

Há 20 anos, a nuvem transformava a relação das empresas com a tecnologia. Hoje, ela sustenta a nova era do setor financeiro

O que sustenta o banco que cabe no celular

Por Tatiana Orofino*

Quando você faz um Pix, aprova um empréstimo em segundos ou recebe um alerta de fraude antes mesmo de perceber que algo aconteceu, sua atenção está na tela do celular. O que permite essa experiência, porém, começa muito antes de ela chegar ao usuário. Está na infraestrutura capaz de processar dados e escalar toda a operação com segurança.

O brasileiro incorporou a velocidade digital ao cotidiano. Segundo o Banco Central, 148 milhões de pessoas físicas e 12,8 milhões de empresas usaram o Pix em 2025. Foram 79,8 bilhões de transações, movimentando R$ 35,3 trilhões. Mais do que números impressionantes, esses indicadores revelam uma mudança de expectativa. Esperar o dinheiro “cair” na conta ou ir a uma agência para resolver uma questão simples ficou pra trás.

Para acompanhar esse ritmo, as instituições financeiras precisaram rever a forma como construíam e dimensionavam sua tecnologia. Antes da computação em nuvem, ampliar capacidade significava investir em servidores, data centers e equipamentos com muita antecedência, muitas vezes sem nem saber exatamente qual seria a demanda.

A nuvem mudou essa equação ao permitir que a capacidade computacional acompanhasse o negócio. Essa mudança abriu espaço para uma nova geração de empresas digitais, incluindo fintechs como Nubank, C6 Bank e PicPay, ao reduzir a necessidade de grandes investimentos iniciais em infraestrutura física.

Para as instituições tradicionais, o caminho foi outro. A inovação precisou conviver com décadas de sistemas legados, o que levou a uma migração e modernização progressiva, combinando diferentes arquiteturas e ambientes. A discussão deixou de ser se a nuvem faria parte da operação e passou a ser como adotá-la com segurança, estratégia e escala.

Chegada da nuvem no Brasil

No Brasil, esse movimento ganhou força a partir da década de 2010, com a chegada da computação em nuvem ao país. Quinze anos depois, a nuvem já ocupa um papel que vai muito além da infraestrutura. Ela passou a fazer parte de decisões relacionadas a crescimento, eficiência, inovação e experiência do cliente.

Os dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 ajudam a dimensionar essa transformação. Os bancos preveem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia neste ano, alta de 8% em relação a 2025 e de 58% em cinco anos. Inteligência artificial generativa e cloud aparecem entre as prioridades de 84% das instituições pesquisadas. Cibersegurança, por sua vez, é considerada um tema de relevância alta ou média por 100% delas.

Faz sentido. O Pix acelerou o dinheiro. O Open Finance ampliou a circulação de dados. Os aplicativos colocaram uma quantidade cada vez maior de serviços na palma da mão. Para o cliente, tudo parece mais simples e imediato. Mas, para as instituições, cada avanço adicionou camadas de dados, processamento e complexidade à operação.

E é justamente aí que começa a próxima etapa.

A mudança com a IA

Com a inteligência artificial generativa, o banco pode compreender a intenção do cliente, em vez de apenas responder a comandos específicos. Se alguém disser “Recebi meu salário e quero organizar melhor esse dinheiro”, por exemplo, o sistema pode analisar histórico, despesas e objetivos para oferecer uma orientação personalizada, sem exigir uma sequência de menus. É o banco conversacional, em que o cliente fala e o sistema entende.

A diferença em relação ao chatbot tradicional não está apenas na naturalidade da conversa, mas no que o sistema faz com ela. Entender que um cliente está baixando um extrato porque vai pedir um financiamento imobiliário - e não apenas porque quer consultar o saldo, muda completamente a experiência. O banco deixa de reagir a cliques e passa a antecipar necessidades.

Os agentes de IA levam essa experiência adiante. Mais do que responder uma solicitação, eles podem analisar informações, identificar oportunidades ou riscos, sugerir caminhos e, com autorização, executar determinadas tarefas. Sempre dentro dos limites definidos, em vez de apenas indicar onde o cliente deve clicar, o sistema passa a realizar parte da jornada por ele — o que muda completamente a experiência.

O banco deixa de reagir a cliques e passa a antecipar necessidades. É um retorno, em certa medida, ao modelo de atendimento que existia quando o cliente conhecia o gerente da agência e era conhecido por ele. A diferença é que agora essa personalização pode acontecer para milhões de pessoas ao mesmo tempo e em qualquer canal — aplicativo, telefone ou mensagem de texto.

E quanto mais autonomia chega à ponta, maior é a responsabilidade dos bastidores. No setor financeiro brasileiro, isso fica especialmente evidente. O cliente vê o Pix, o aplicativo, o atendimento por linguagem natural, mas por trás dessas experiências existe uma infraestrutura capaz de processar, em segundos, uma escala de operações difícil de imaginar.

Vinte anos depois, a história da nuvem se mistura à própria evolução da economia digital. No setor financeiro, ela ajudou a transformar capacidade tecnológica em uma base mais flexível para inovar, crescer e responder a novas demandas. Agora, com o avanço do setor em direção à inteligência artificial e aos agentes autônomos, a mesma infraestrutura passa a sustentar uma nova geração de serviços. O que vem pela frente pode ser difícil de prever, mas a capacidade de construir e escalar, felizmente, já está aqui.

*Tatiana Orofino é líder de desenvolvimento de negócios para o setor financeiro na AWS América Latina

AutorDa Redação
FonteExame
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