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Sacre Investimentos
Economia
01/07/2026
3 min

O roubo do prêmio da Mega-Sena: casal é denunciado por furto de bilhete premiado de R$ 29 milhões

O roubo do prêmio da Mega-Sena: casal é denunciado por furto de bilhete premiado de R$ 29 milhões

Parecia uma noite como outra qualquer no Espaço da Sorte da Caixa Econômica Federal, em São Paulo. Era de 12 de agosto de 2023 e o prêmio do concurso 2620 da Mega-Sena estava acumulado em pouco mais de R$ 116 milhões. O globo da sorte expeliu as dezenas 04, 06, 13, 21, 26 e 28. Quando saiu o rateio, a Caixa anunciou que o valor seria dividido entre quatro ganhadores.

Cada um dos bilhetes premiados dava direito a um total de pouco mais de R$ 29 milhões. Uma aposta ganhadora era de Fortaleza (CE), uma era de Uberaba (MG) e as outras duas haviam sido registradas exatamente na mesma casa lotérica de Sinop (MT). Uma coincidência improvável, mas não impossível.

Isso aconteceu porque, no dia do sorteio, um sábado, uma cliente fez uma aposta, mas o bilhete foi impresso com defeito. A funcionária Clarice Simon Picoli refez a aposta para a cliente e guardou o bilhete com erro no cofre da casa lotérica. O bilhete defeituoso deveria ser recolhido pela matriz, conforme o procedimento padrão da empresa.

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Como o roubo do bilhete da Mega-Sena foi descoberto

A questão é que se tratava exatamente do bilhete premiadoda Mega-Sena.

Dois dias depois do sorteio, na segunda-feira, câmeras de monitoramento da casa lotérica registraram o momento em que Clarice abre o cofre e retira o bilhete defeituoso.

Na sequência, ela pediu para uma colega cobrir seu turno, sob a justificativa de que precisaria resolver problemas na Caixa Econômica Federal, e deixou o local.

No dia seguinte, terça-feira, Clarice voltou à lotérica acompanhada de seu marido, Cladecir José Picoli, e pediu demissão. De acordo com ela, o marido seria um dos ganhadores do prêmio da Mega-Sena.

Suspeita, ameaças e processo

Diante da improvável coincidência, os responsáveis pelo estabelecimento verificaram as imagens internas e confirmaram que um bilhete havia sido furtado do cofre. No fim de setembro de 2023, um dos sócios da empresa ligou para o casal e conseguiu falar com Cladecir sobre o roubo.

Cladecir “atendeu o telefonema e, de forma ameaçadora, afirmou ser o dono legítimo do prêmio, ordenou o fim das investigações e declarou que sabia onde encontrar os proprietários caso houvesse problemas”.

A sequência de acontecimentos e as aspas constam da decisão do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com o término das investigações, o Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) ofereceu denúncia contra o casal por furto qualificado por abuso de confiança e concurso de pessoas.

Na última sexta-feira, Ribeiro Dantas manteve o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) como fórum responsável pelo processo movido contra o casal.

O magistrado negou recurso apresentado pela defesa de Clarice e Cladecir. O casal pretendia transferir o julgamento para a Justiça Federal.

Para pedir a transferência do caso para a Justiça Federal, a defesa do casal alegou que o prêmio seria pago pela Caixa, o que caracterizaria interesse da União.

No entanto, o ministro considerou que o prejuízo direto e imediato é da casa lotérica. Para ele, o saque do prêmio é apenas consequência do crime de furto e, por isso, não altera a natureza do delito nem quem foi a vítima.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

AutorRicardo Gozzi
FonteMoney Times
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