O segredo brasileiro por trás da IA que moveu a Copa do Mundo de 2026

Milhões de brasileiros lamentam a ausência da Seleção Brasileira na decisão da Copa do Mundo, marcada para este domingo, 19, entre Argentina e Espanha, em Nova Jersey. Mas mesmo fora de campo, o Brasil estará presente nos bastidores tecnológicos. O conhecimento adquirido pelas equipes locais de engenharia do Google em solo brasileiro, moldado durante a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, tornou-se o padrão operacional aplicado em competições internacionais.
Em entrevista ao EXAME Insight, Newton Neto, diretor de parcerias globais do Google, detalhou os bastidores da operação. O executivo, que lidera as divisões de parcerias de plataformas como Google Maps, Street View e Gemini no Brasil, México e Canadá, explica a exportação do "jeitinho brasileiro".
“O trabalho desenvolvido nacionalmente inspirou um playbook de diretrizes técnicas e conceituais que permanece como base das operações atuais, agora potencializado pelo uso da inteligência artificial generativa”, afirma.
O processo exige um refinamento constante. Segundo Neto, embora as cidades-sede e o entorno dos estádios já constem nos sistemas de satélite, "a aproximação dos jogos demanda uma calibração minuciosa para garantir a precisão da geolocalização frente ao fluxo intenso de torcedores". Estima-se que o estádio da final receberá mais de 82 mil torcedores.
Direcionamento estratégico
Em entrevista recente à EXAME, o CEO global do Google, Sundar Pichai, esmiuçou a estratégica de investimentos da companhia no Brasil.
Pichai destacou que o país permanece na vanguarda da adoção tecnológica. Desde 2005, com a instalação do centro de engenharia em Belo Horizonte voltado ao motor de busca e, recentemente, a inauguração de um novo Centro de Engenharia em São Paulo, localizado no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária (USP), o mercado local é um dos mais estratégicos.
“O pioneirismo brasileiro na interação por voz, por exemplo, elevou as equipes locais ao posto de referência internacional”, pontua.
Atualmente, o Brasil figura entre os cinco maiores mercados globais do Google. O ecossistema local, que engloba Busca, YouTube, Ads, Cloud e Play Store, sustenta um impacto econômico anual estimado em R$ 215,4 bilhões, segundo levantamento da consultoria Access Partnership, que considera tanto o incremento direto de receitas quanto o efeito multiplicador da digitalização de PMEs brasileiras através de soluções de nuvem e publicidade digital.
A Copa das IAs
A Copa do Mundo de 2026 consolida a era da massificação das IAs generativas, com Gemini, ChatGPT, Claude e Copilot competindo pela atenção do usuário. Para o torneio, o Google estruturou sua estratégia focando em centralizar o ecossistema. O Gemini atuou como motor para integrar a busca a estatísticas e resumos em tempo real, enquanto o Google Maps focou em logística sob picos de tráfego inéditos.
A empresa também incluiu o uso de Street View e Google Assistente, que passou a utilizar processamento de linguagem natural para oferecer interações contextuais customizadas em dispositivos. Até as quartas de final, a FIFA calculou mais de 6 milhões de torcedores nos estádios nos três países.
No cenário do Gemini, o Brasil mantém protagonismo. Embora a empresa não divulgue números segmentados por país, o Google confirma a marca global de 750 milhões de usuários ativos mensais, posicionando o mercado brasileiro entre os mais engajados na plataforma.
