Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
NegóciosMPOLBDR
24/06/2026
5 min

'O único jeito de crescer agora é com lojas menores', diz CEO da Domino's

'O único jeito de crescer agora é com lojas menores', diz CEO da Domino's

Durante anos, crescer nosetor de alimentação significava abrir lojas maiores, ocupar pontos mais nobres e investir pesado. A conta funcionava quando o dinheiro era barato. Com juros acima de 14%, aluguel em alta e dificuldade para contratar funcionários, a matemática mudou. Em muitos casos, crescer passou a significar ocupar menos espaço.

A Domino's Pizza decidiu seguir por esse caminho. A maior rede de pizzarias do mundo está lançando cinco formatos compactos de franquia no Brasil, com investimento inicial a partir de 300 mil reais e lojas que podem ocupar apenas 4,9 metros quadrados.

A mudança acontece em um momento em que a companhia tenta acelerar a expansão sem repetir a lógica dos últimos anos. Com cerca de 220 unidades no país, a rede quer chegar a pelo menos 230 até o fim de 2026 e já mapeou mais de 200 cidades onde acredita haver espaço para operações menores.

"Eu não posso chegar para o investidor e falar para ele colocar 2 milhões de reais numa loja com payback de 40 meses. Essa conta hoje não fecha", diz Orestes Miraglia, CEO da Domino's no Brasil. "O único jeito de crescer agora é com lojas menores."

Por trás da estratégia está um executivo que conhece os dois lados do balcão. Antes de assumir a operação brasileira, ele passou mais de duas décadas como franqueado da marca em Belo Horizonte. Chegou a operar nove lojas e hoje lidera uma transformação que pode redefinir a expansão da rede no país.

Menos metros quadrados, mais cidades

Os novos formatos desenvolvidos pela Domino's no Brasil incluem quiosques e lojas compactas que variam de 4,9 metros quadrados a 100 metros quadrados. O investimento começa em 300 mil reais, menos da metade do necessário para uma unidade tradicional.

A principal aposta da companhia é a loja Brotinho, de 50 metros quadrados. O modelo será apresentado nesta quarta, 24, naABF Franchising Expo e foi desenhado para cidades menores e bairros onde uma operação convencional não conseguiria fechar a conta.

"Antigamente você precisava de uma loja de 120 metros quadrados. Hoje conseguimos operar com 50 metros quadrados", diz Miraglia.

A operação foi simplificada. A companhia substituiu a tradicional câmara fria por equipamentos menores, redesenhou a linha de produção e desenvolveu novos processos. O resultado foi uma estrutura mais barata e mais eficiente.

Segundo a empresa, o payback do modelo varia entre 24 e 36 meses. Em alguns casos, foi mais rápido. Um quiosque instalado na Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro, recuperou o investimento em apenas nove meses.

Outra operação compacta foi aberta em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro, dentro de um posto de combustível. O espaço principal tem 22 metros quadrados e conta com um contêiner de apoio para produção.

O interior entrou no radar

Depois de consolidar presença nas capitais, a Domino's quer avançar em cidades entre 150 mil e 200 mil habitantes.

A empresa já identificou mais de 200 municípios com potencial para receber os novos formatos. Entre eles está Jequié, no interior da Bahia, onde uma unidade será inaugurada neste ano.

"Nós queremos ir para o interior de maneira massiva", diz Miraglia.

Cidades menores exigem aluguel mais baixo, equipes mais enxutas e menor investimento inicial. Ao mesmo tempo, oferecem uma vantagem rara para uma rede global: pouca concorrência de grandes marcas.

A companhia espera assinar 35 novos contratos de franquia em 2026 e abrir pelo menos 20 operações. Oito inaugurações devem ocorrer até agosto.

O CEO que começou como professor de inglês

A relação de Miraglia com a Domino's começou em 2001. Na época, ele trabalhava como professor de inglês e guia de excursões para a Disney. Sem capital para abrir uma unidade sozinho, entrou na sociedade com um grupo mexicano que na época controlava a marca no Brasil.

Começou com apenas 15% da primeira loja em Belo Horizonte. Aos poucos, usou o lucro do negócio para ampliar sua participação e expandir a operação.

Nos anos seguintes, chegou a administrar nove unidades da Domino's e com a entrada do Grupo Trigo, chegou a ter três unidades do Spoleto. Também participou da criação da primeira store in store da marca no país, combinando as duas operações no mesmo espaço.

"Você tem que ser sócio operador. Se você não gosta da operação, da comida e do atendimento, o negócio não funciona", diz.

Hoje, a operação da Domino's no Brasil pertence à Vinci Partnes, a gestora de investimentos assumiu o controle da rede em 2018 e, desde então, vem acelerando a conversão das lojas próprias em franquias e apostando em uma expansão mais baseada em operadores locais. Atualmente, a marca soma cerca de 220 unidades espalhadas pelo país.

Em 2024, depois de vender suas lojas, Miraglia assumiu o comando da Domino's no Brasil.

Tecnologia brasileira virou exportação

Além de redesenhar as lojas, a companhia também fez mudanças na operação.

Hoje, 32% das vendas já são feitas pelo aplicativo próprio da marca, percentual próximo ao dos agregadores.

A empresa também desenvolveu um forno no Brasil que custa quatro vezes menos que o equipamento importado usado anteriormente. Segundo Miraglia, a solução brasileira já despertou interesse de mercados como México, Canadá, Inglaterra, Japão e Equador.

"O segredo está em pensar fora da caixa. A Domino's não é engessada", diz.

Para Miraglia, o ambiente atual obriga as redes a abandonar fórmulas antigas. E isso vale até para uma empresa com mais de 22 mil lojas espalhadas pelo mundo.

"Se você quer crescer hoje, precisa gastar menos por loja. O único jeito de crescer agora é com lojas menores", diz.

AutorIsabela Rovaroto
FonteExame
Distribuído por