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Sacre Investimentos
EmpresasACS
03/07/2026
4 min

O verdadeiro ‘efeito Ozempic’ chegou na RD Saúde (RADL3): por que os GLP-1 estão emagrecendo as ações, ao invés de engordar?

O verdadeiro ‘efeito Ozempic’ chegou na RD Saúde (RADL3): por que os GLP-1 estão emagrecendo as ações, ao invés de engordar?

Se a expectativa era que os medicamentos do tipo GLP-1 engordassem as ações da RD Saúde (RADL3), o efeito tem sido justamente o mesmo que remédios como o Ozempic ou Monajuro, à base desse hormônio, provocam nos pacientes: emagrecimento rápido.

Os papéis da rede de farmácias estão caindo quase 30% no ano e, segundo analistas do Itáu BBA, isso tem tudo a ver com esses fármacos. O cenário macroeconômico também está difícil para as empresas do setor, com juros nas alturas.

"A visão mais negativa no tema GLP-1 se apoia em dois fatores: as vendas de Mounjaro estão estáveis em cerca de R$ 900 milhões por mês desde novembro de 2025, o que é atribuído ao crescimento do mercado informal", dizem os analistas da casa em relatório.

Eles também apontam que o lucro bruto por caneta de produtos similares e genéricos ficou abaixo do esperado, com margem de cerca de 20%, contra estimativas anteriores acima de 30%.

No entanto, o banco considera exagerado o pessimismo atual com as ações, assim como avaliou excessivo o otimismo que tomou conta do mercado após os resultados muito fortes do quarto trimestre.

"RADL3 negocia próximo a níveis anteriores ao crescimento desse mercado de GLP-1, com um múltiplo de preço em relação ao lucro (P/L) de 15 vezes a 16 vezes estimado para 2026, nível que historicamente funcionou como piso", escreve o time de análise.

Os medicamentos do tipo GLP-1 vão voltar a engordar RADL3?

Segundo os analistas, cerca de metade dos medicamentos da classe GLP-1 é comercializada atualmente no mercado informal, mas essa fatia deve cair para 43% até 2030. Para a RD Saúde, esse movimento tende a ser positivo.

O Itaú BBA estima que os GLP-1 responderão por cerca de 12% da receita da companhia em 2026, participação que deve subir para aproximadamente 19% até o fim da década. A avaliação é que a rede continuará acima da média do setor nesse segmento, beneficiada pela maior exposição a consumidores de renda mais alta e por sua capacidade financeira para sustentar as vendas.

O banco também projeta melhora na rentabilidade dos medicamentos da classe. A margem bruta deve subir dos atuais 17% para cerca de 21% com a chegada de novos produtos e o aumento da concorrência entre fornecedores, o que tende a fortalecer o poder de negociação das farmácias.

Outro potencial catalisador é um endurecimento da fiscalização da Anvisa sobre as clínicas de manipulação. Segundo o Itaú BBA, esse mercado informal deve movimentar cerca de R$ 12 bilhões em 2026, o equivalente a aproximadamente 40% das vendas de tirzepatida. Caso parte dessa demanda migre para o mercado regulado, as grandes redes de farmácia podem ser as principais beneficiadas.

O banco reconhece, porém, que a popularização dos similares reduziu o lucro bruto por unidade vendida. Enquanto medicamentos como Ozempic e Wegovy geram entre R$ 150 e R$ 160 por caixa, os novos concorrentes rendem cerca de R$ 60 por unidade — uma diferença de 2,5 a 3 vezes que ajudou a pressionar as ações da companhia.

A compensação pode vir pelo aumento do volume de vendas, embora seja cedo para medir o impacto da queda dos preços sobre a demanda. Ainda assim, o Itaú BBA destaca que o lucro bruto por loja continua avançando, com crescimento de 9,7% no primeiro trimestre e de 9,2% no quarto trimestre, na comparação anual, desempenho que também melhora quando se exclui o efeito dos medicamentos GLP-1.

Itaú BBA revisa estimativas para RD Saúde

Mesmo assim, o banco revisou para baixo praticamente todas as projeções para a companhia entre 2026 e 2028. A expectativa para a receita líquida caiu cerca de 7% em todos os anos projetados, enquanto a estimativa de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi reduzida entre 6,8% e 11,3%.

O corte mais expressivo ficou com o lucro líquido, cuja estimativa para 2026 caiu 17%, para R$ 1,45 bilhão. Para 2027, a projeção foi reduzida em 11,9%, para R$ 1,92 bilhão, enquanto a estimativa para 2028 recuou 13%, para R$ 2,27 bilhões.

Apesar das revisões negativas para receitas e resultados, o banco elevou as projeções para a margem bruta em cerca de 2 pontos percentuais ao longo do período, refletindo uma visão mais favorável para o mix de vendas e a rentabilidade operacional, ainda que parcialmente compensada por maiores despesas, o que levou a uma redução nas estimativas de margem Ebitda.

O Itaú BBA tem recomendação neutra para as ações, com preço-alvo para 2026 em R$ 20, o que implica em um potencial de quase 20% em relação ao fechamento de ontem (2).

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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