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Sacre Investimentos
InvestMercados
08/06/2026
3 min

O verdadeiro risco para as ações está nos juros dos EUA, diz trader

O verdadeiro risco para as ações está nos juros dos EUA, diz trader

As máximas históricas alcançadas recentemente pelos principais índices das bolsas no exterior, especialmente nos Estados Unidos, não são, por si só, um motivo para os investidores reduzirem exposição à renda variável.

A avaliação é do trader profissional desde 2007, Erik Smolinski, entrevistado pelo Business Insider. Ele vê que o mercado costuma passar grande parte do tempo próximo de seus recordes e que decisões motivadas pelo medo podem custar caro no longo prazo.

O investidor acredita, porém, que o cenário atual é incomum por reunir o forte desempenho das ações, impulsionado por fortes resultados corporativos, e as incertezas em torno da trajetória dos juros nos EUA, já que há a possibilidade de o Federal Reserve manter as taxas em níveis elevados por mais tempo.

Para o trader, a proximidade dos recordes gera, de fato, desconforto entre investidores, que passam a considerar reduzir posições ou aumentar proteção nas carteiras diante do receio de uma correção.

Essa reação tende a ser equivocada para quem investe com horizonte de longo prazo, pontua.

"Na realidade, a maioria das pessoas passa o tempo nos mercados de ações procurando riscos. É assim que se ganha dinheiro. Se você hesitar demais em assumir riscos, é como se dissesse: 'o que você está fazendo aqui? Esta não é a festa para você."

O especialista destaca que previsões recorrentes de colapso do mercado costumam ganhar destaque quando os índices estão em patamares altos, mas isso não significa que uma queda esteja chegando.

O mercado de títulos é o principal sinal de alerta

Embora descarte uma postura alarmista, Smolinski acredita que os investidores devem acompanhar de perto o comportamento dos títulos públicos dos EUA, os Treasuries, não pelo nível alcançado pelos rendimentos, mas a velocidade com que esses juros avançam.

"Uma subida lenta rumo a 5% com forte crescimento é completamente diferente de um pico rápido e desordenado. Uma variação de 40 a 50 pontos-base em algumas semanas me diz muito mais do que o número redondo. Esse tipo de velocidade é o que tende a afetar negativamente as ações", detalha.

O trader ressalta, ainda, que acompanha particularmente os rendimentos reais por entender que eles oferecem um retrato mais preciso da competição entre renda fixa e renda variável.

"Uma liquidação devido ao forte crescimento é uma coisa. Uma liquidação impulsionada pela aceleração da inflação ou por preocupações com a oferta e o déficit é a que historicamente se torna prejudicial para os ativos de risco."

Nem toda alta dos juros tem o mesmo significado

Outro aspecto observado por Smolinski é a origem da alta dos rendimentos. Juros mais altos provocados por expectativas de crescimento econômico tendem a ser menos problemáticos para os mercados.

Já aumentos impulsionados por pressões inflacionárias persistentes, preocupações fiscais ou questões relacionadas à oferta de títulos costumam representar um risco maior para os ativos de maior volatilidade.

O trader também alerta que o mercado de renda fixa vem indicando que uma trajetória suave de cortes de juros pelo Fed não deve ser considerada garantida pelos investidores.

Hora de revisar a carteira, mas não de abandoná-la

Apesar das incertezas, Smolinski afirma que o momento não exige medidas radicais. "Não é necessariamente hora de se desfazer de tudo e comprar ouro", disse. A recomendação é aproveitar o ambiente atual para revisar a composição da carteira e verificar se ela continua adequada aos objetivos de longo prazo.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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