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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
21/07/2026
4 min

O vibe coding é ruim para a Apple e o Google?

O vibe coding é ruim para a Apple e o Google?

Até alguns anos atrás, criar um aplicativo exigia equipe, orçamento e meses de trabalho. Com o vibe coding (a prática de programar descrevendo em texto comum o que se quer), uma pessoa sozinha faz isso em um fim de semana.

O resultado chegou rápido às lojas de aplicativos — mas nem a Apple nem o Google parecem inteiramente confortáveis com ele.

Os números explicam o desconforto. O número de novos aplicativos submetidos à App Store cresceu 84% em um único trimestre, segundo o The Information — foram 235,8 mil no primeiro trimestre deste ano, contra o mesmo período de 2025.

A consultoria Appfigures calcula que a loja da Apple recebeu 557 mil submissões em 2025, alta de 24% sobre o ano anterior e o maior volume desde 2016.

O bloqueio da Apple

A resposta da Apple foi restritiva. Em março, a empresa bloqueou atualizações de aplicativos de construção com IA, entre eles o Replit e o Vibecode, segundo o Financial Times.

A justificativa é a diretriz 2.5.2 de suas regras, que existe desde o lançamento da loja e proíbe aplicativos de baixar, instalar ou executar código que altere sua funcionalidade.

O efeito colateral apareceu na fila. Desenvolvedores relataram, em março, prazos de análise de sete a mais de 30 dias, contra o histórico de 24 a 48 horas — a maior parte do tempo parada antes mesmo da revisão começar.

Por que isso mexe com o bolso?

A revisão da App Store não é só um mecanismo de segurança: é o que sustenta a comissão de 15% a 30% que a Apple cobra sobre compras e assinaturas dentro dos aplicativos.

Ferramentas que permitem construir e distribuir aplicativos web direto no aparelho criam um caminho que não passa pela loja — nem pela taxa.

OGoogle segue direção oposta. A partir de 30 de junho, a empresa passou a cortar tarifas da Play Store, permitir sistemas de pagamento externos e lançar novos programas para desenvolvedores. A plataforma também impõe menos restrições à execução dinâmica de código, o que na prática torna o Android mais permeável a esses aplicativos.

O argumento da segurança

Há um problema técnico independente da política das lojas. Pesquisa publicada em janeiro apontou que aplicativos construídos por agentes de inteligência artificial (IA) tendem a conter erros básicos de lógica e vulnerabilidades: três aplicativos de teste, criados a partir do mesmo comando detalhado, apresentaram falhas que uma revisão de código convencional pegaria de imediato.

É esse o argumento da Apple — impedir que software não verificado rode nos aparelhos dos usuários. Do outro lado, empresas de IA classificam as regras como ultrapassadas. Uma coluna da CNBC publicada em março sustentou que a restrição coloca a companhia "do lado errado da história", por defender um modelo de revisão pensado para um mundo que já não existe.

O mercado em disputa

O setor que a Apple restringiu não é pequeno. O Cursor, da Anysphere, usado por sete milhões de desenvolvedores, superou US$ 2 bilhões em receita anualizada em março e foi avaliado em US$ 29,3 bilhões. O Replit, também bloqueado, vale US$ 9 bilhões.

O termo foi cunhado no início de 2025 por Andrej Karpathy, ex-líder de IA da Tesla e cofundador da OpenAI, para descrever o próprio método de trabalho: conversar com o editor de código e aceitar as sugestões sem ler as alterações.

A vitrine não cresceu

Há ainda um efeito que atinge os desenvolvedores, não as plataformas. Apple e Google não ampliaram o número de resultados exibidos por busca. Segundo dados da própria Apple, 70% dos visitantes da App Store descobrem aplicativos pela busca, e 90% nunca passam do décimo resultado.

Ou seja: a oferta cresceu 84% em um trimestre, e as vitrines continuam do mesmo tamanho. A resposta à pergunta do título, por ora, depende de qual empresa se olha — a Apple vê uma ameaça ao seu modelo de curadoria e comissão, enquanto o Google aposta em abrir a porta. Na Europa, a disputa ganhou outra camada: o poder da Apple sobre sua loja já é examinado sob a Lei dos Mercados Digitais, e o caso do vibe coding entrou nessa conta.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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