OCDE reduz projeções e vê inflação maior por causa da guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio deve reduzir o ritmo de crescimento da economia global e pressionar a inflação nos próximos anos, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira, 3, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em relatório atualizado, a entidade revisou para baixo suas estimativas para 2026 e alertou que o conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos já provoca efeitos sobre os preços da energia, dos fertilizantes e das cadeias globais de suprimentos.
A OCDE trabalha com dois cenários. No mais favorável, em que as interrupções sejam temporárias e limitadas, o crescimento global cairia para 2,8% em 2026. Em março, a organização projetava expansão de 2,9%.
Já em um cenário de prolongamento das tensões até 2027, a economia mundial poderia crescer apenas 2,1%, com risco de recessão em alguns países.
"O choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio é real e grave. Está gerando um aumento dos custos e da incerteza para as famílias e as empresas em todo o mundo", afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.
Guerra afeta energia e comércio global
Segundo a organização, os impactos estão ligados principalmente à instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural.
Embora exista um cessar-fogo frágil desde abril, as negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã seguem paralisadas. Para a OCDE, os efeitos econômicos do conflito devem persistir mesmo após um eventual acordo, devido à reconstrução de infraestrutura e à reorganização das cadeias logísticas.
As economias asiáticas aparecem entre as mais vulneráveis por sua dependência das importações de energia do Oriente Médio. Países em desenvolvimento e produtores do Golfo também tendem a sentir os efeitos de forma mais intensa.
Ainda assim, a organização ressalta que o impacto será global por causa da integração dos mercados energéticos e das cadeias internacionais de produção.
Brasil tem previsão ligeiramente melhor
No cenário considerado mais provável pela OCDE, os Estados Unidos cresceriam 2% em 2026. A China avançaria 4,5%, enquanto a Índia manteria um ritmo mais forte, de 6,3%.
Na zona do euro, a expansão econômica prevista é de 0,8%, com destaque para a Espanha, que deve crescer 2,2%. Alemanha e França aparecem com projeções de 0,7%.
Para o Brasil, a OCDE elevou a previsão de crescimento em 2026 para 1,6%, alta de 0,1 ponto percentual em relação à estimativa divulgada em março.
A projeção para a Argentina foi mantida em 2,8%, enquanto a do México caiu para 1,3%.
Inflação pode voltar a acelerar
A OCDE também prevê pressão inflacionária adicional nos próximos anos. A inflação média das economias do G20 deve subir de 3,4% em 2025 para 4% em 2026, antes de desacelerar para 3,1% em 2027.
Diante desse cenário, a organização recomenda cautela dos governos em programas de apoio econômico e pede que bancos centrais permaneçam vigilantes para evitar uma disseminação mais ampla das pressões sobre os preços.
A entidade também defende a redução da dependência global de combustíveis fósseis importados e a diversificação das matrizes energéticas, incluindo fontes renováveis e energia nuclear.
Segundo a OCDE, uma eventual falta de acordo entre Estados Unidos e Irã poderia afetar não apenas os preços dos alimentos e da energia, mas também setores estratégicos da economia mundial, como a inteligência artificial, devido à dependência de cadeias globais de fornecimento.
*Com AFP
