Oceanos bem recorde histórico de temperatura e assustam especialistas; e o pior ainda pode estar por vir
Com o El Niño longe do pico, especialistas preveem que o aquecimento das águas pode se intensificar nos próximos meses.

Os oceanos do planeta acabam de bater um recorde histórico de temperatura — e os cientistas não conseguem esconder a preocupação.
Entre a última sexta-feira (21) e o último sábado (22), a temperatura média da superfície dos mares do globo atingiu 21,1°C.
O dado supera o recorde anterior, registrado em março de 2024, segundo o serviço climático europeu Copernicus.
O aquecimento é impulsionado tanto pelo El Niño, fenômeno natural que aquece temporariamente partes do Oceano Pacífico, quanto pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana.
Mas os cientistas temem que isso seja apenas o começo.
Como o El Niño ainda não atingiu seu pico, previsto para ocorrer entre novembro e janeiro, a tendência é que os oceanos continuem esquentando nos próximos meses. Consequentemente, novos recordes de temperatura são esperados.
Para a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), o cenário é "muito preocupante".
A entidade alerta que águas excepcionalmente quentes podem afetar a vida marinha, ameaçar a segurança alimentar e prejudicar a atividade econômica ao redor do mundo.
Temporais e noites quentes
O serviço climático Copernicus explica que, quando o oceano se aquece, ele se torna mais ácido e transporta menos oxigênio. Isso não apenas prejudica a produção de alimentos que depende dos mares, como também altera as correntes oceânicas e os padrões climáticos, intensificando tempestades.
Como o Hemisfério Sul é majoritariamente coberto por oceanos, que absorvem e liberam calor lentamente, a temperatura da superfície do mar costuma atingir seu pico em março e abril. Neste ano, porém, o recorde foi estabelecido em agosto.
Por isso, a entidade avalia que o aquecimento dos oceanos poderá se intensificar ainda mais nos próximos meses, já que o pico do atual El Niño está previsto entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
Consequências econômicas e ambientais
Especialistas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, demonstraram preocupação com o aquecimento recorde das águas oceânicas.
Para eles, os oceanos funcionam como um "termostato" do planeta, ajudando a regular o clima global. Por isso, o aquecimento recorde das águas indica desafios crescentes para a segurança alimentar e a economia global.
Nesse sentido, cientistas alertam para impactos intensos, sobretudo no Hemisfério Sul, com riscos para recifes de corais, pescarias e a disponibilidade de alimentos. Espécies marinhas fundamentais para a cadeia alimentar, por exemplo, podem ter sua reprodução e sobrevivência comprometidas pelas águas mais quentes.
Embora alguns corais estejam demonstrando capacidade de adaptação ao calor, os pesquisadores afirmam que o ecossistema marinho como um todo continua sob forte ameaça.
"É assustador", disse John Bruno, ecologista marinho da Universidade da Carolina do Norte.
Segundo ele, o fato de os oceanos já registrarem temperaturas excepcionalmente elevadas antes do pico do El Niño aumenta a preocupação com os possíveis impactos no Hemisfério Sul durante o verão de 2027.
*Com informações de Estadão Conteúdo.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
