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Sacre Investimentos
EXAME AgroCMDT
04/06/2026
3 min

Oferta de carnes aumenta no Brasil e deve pressionar preços nos próximos meses

Oferta de carnes aumenta no Brasil e deve pressionar preços nos próximos meses

A produção de proteínas animais no Brasil ganhou força no primeiro trimestre, impulsionada pelo aumento dos abates e pela demanda externa. Em relatório, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) diz que a produção de carne bovina, suína e de frango registrou crescimento na comparação anual, ampliando a oferta no mercado doméstico.

Dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que aprodução de carne suína cresceu 3% no período, enquanto a produção de carne bovina avançou 5% e a de frango subiu 7%.

No segmento bovino, o banco observa que o ciclo pecuário ainda não dá sinais claros de reversão. O abate de bovinos aumentou 3,3% na comparação anual, enquanto o volume acumulado em 12 meses alcançou um recorde de 43,3 milhões de cabeças.

Para este ano, a projeção é de queda de 7,5% no número de abates, para 38 milhões de cabeças, segundo a Datagro, em razão do ciclo pecuário.

Funciona assim: quando há muito abate, como ocorre agora, a oferta de bezerros diminui. Uma vez que há menos animais para engorda, o preço do bezerro dispara, e ele passa a valer mais do que o boi gordo, aumentando o chamado “ágio da reposição”, que é o valor extra pago pela arroba de um animal de reposição em comparação ao valor obtido na venda do boi gordo.

Diante disso, o pecuarista decide reter as fêmeas no campo, em vez de abatê-las, porque sabe que os bezerros que nascerem no ano seguinte terão alto valor.  O movimento é parte natural dociclo pecuário, que busca restabelecer o equilíbrio do mercado.

Segundo os analistas, o cenário sugere que a fase de retenção de matrizes ainda não começou de forma mais consistente.

“Com o abate total de bovinos em alta de 3,3% na comparação anual e o indicador dos últimos 12 meses atingindo um recorde histórico de 43,3 milhões de cabeças, o ciclo não parece ter virado completamente”, afirmam Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, analistas do banco.

O BTG avalia que os preços mais elevados pagos pelos mercados de exportação e a corrida para atender à demanda chinesa podem estar contribuindo para prolongar o atual momento de oferta elevada.

Suínos e frango

Entre os suínos, a expansão da produção segue mais intensa. O número de animais abatidos cresceu 5,5% em relação ao mesmo período do ano passado, movimento que já tem reflexos sobre os preços.

Segundo os analistas, as cotações acumulam queda de 32% no ano, enquanto os preços médios do segundo trimestre estão cerca de 15% abaixo da média registrada no primeiro trimestre.

No caso do frango, a oferta apresentou o crescimento mais expressivo. O abate de aves avançou 4% na comparação anual e o peso médio dos animais aumentou 3%, resultando em uma alta de 7% na produção da proteína.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne de frango do Brasil cresceram 5% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. No período, o setor embarcou 1,456 milhão de toneladas.

Apesar disso, os preços domésticos permanecem relativamente resistentes, cenário que os analistas atribuem ao forte desempenho das exportações. Ainda assim, o BTG vê espaço para ajustes adiante.

“Historicamente, sempre que a oferta aumentou nessa magnitude, os preços do frango caíram e as margens das empresas acompanharam esse movimento. Não vemos uma razão forte para esperar que desta vez seja diferente”, dizem os analistas.

Na avaliação do banco, o aumento da produção em todas as cadeias de proteína animal deve continuar pressionando o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses, especialmente nos mercados de suínos e aves.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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