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NegóciosMPOL
25/08/2026
6 min

Oktoberfest Summit: os bastidores da indústria de eventos que gera R$ 7,6 bi

Durante dois dias, em Blumenau, evento reúne representantes dos cinco maiores eventos do país para discutir planejamento estratégico, gestão e organização de grandes festas

Oktoberfest Summit: os bastidores da indústria de eventos que gera R$ 7,6 bi

Por trás dos palcos, desfiles, arenas e grandes celebrações existe uma indústria de eventos que engloba hotéis, restaurantes, transporte, comércio, fornecedores, publicidade e turismo.

Juntos, cinco dos principais eventos culturais e turísticos do país movimentam cerca de R$ 7,6 bilhões e registram aproximadamente 13 milhões de visitas em suas respectivas edições.

A escala desse mercado faz parte de um fenômeno ainda maior. Parques, atrações turísticas e centros de entretenimento familiar receberam 143 milhões de visitantes no Brasil em 2025, segundo levantamento da consultoria Noctua Advisory, produzido para o Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (SINDEPAT) e a Associação Brasileira de Parques e Atrações (ADIBRA), entidades que representam o setor no país.

O estudo também aponta R$ 9,5 bilhões em faturamento no período, além de R$ 11,5 bilhões em investimentos previstos.

É esse mercado, que transforma tradição, entretenimento e experiências em atividade econômica, que estará no centro do Oktoberfest Summit 2026, marcado para os dias 20, 21 e 22 de outubro, em Blumenau (SC).

O encontro chega à segunda edição reunindo representantes de cinco eventos de grande relevância no calendário brasileiro: Carnaval do Rio de Janeiro, São João de Campina Grande, Festival Folclórico de Parintins, Festa do Peão de Barretos e Oktoberfest Blumenau.

A ideia é colocar em discussão aquilo que o público normalmente não vê: gestão, operação, patrocínio, comunicação, construção de marcas e estratégias para transformar grandes festas em ativos para seus destinos.

A dimensão econômica ajuda a explicar por que esses eventos deixaram de ser apenas celebrações no calendário. O Carnaval carioca é o maior exemplo. Em 2025, a Prefeitura estimou em R$ 5,7 bilhões a movimentação econômica gerada pela festa na cidade, com mais de 8 milhões de foliões. O cálculo considera o impacto sobre diferentes atividades relacionadas ao Carnaval, e não apenas a receita dos organizadores.

Em Campina Grande, o São João também alcançou escala nacional. A edição de 2025 recebeu 3,23 milhões de visitantes ao longo de 38 dias e movimentou mais de R$ 740 milhões na economia local.

Barretos combina rodeio, música, gastronomia e entretenimento em uma operação que já ultrapassa as fronteiras do evento. A 70ª Festa do Peão, realizada em 2025, registrou aproximadamente 990 mil visitas e movimentou R$ 545 milhões, segundo balanço divulgado pela organização.

Em Parintins, a tradição amazônica se tornou um importante ativo turístico. O Festival Folclórico recebeu mais de 120 mil visitantes em 2025 e movimentou aproximadamente R$ 180 milhões, de acordo com dados do Governo do Amazonas.

Blumenau completa o grupo com uma das festas mais conhecidas do país. A Oktoberfest registrou 689.201 visitantes em 19 dias em 2025 e teve impacto econômico estimado em aproximadamente R$ 450 milhões.

Os números não representam, necessariamente, o faturamento dos eventos. São estimativas de movimentação ou impacto econômico calculadas a partir de metodologias distintas. A diferença é relevante: uma festa pode gerar dezenas de milhões de reais diretamente e, ao mesmo tempo, movimentar centenas de milhões em hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços.

É justamente nessa cadeia que está o principal negócio. O visitante que compra um ingresso também pode pagar por hospedagem, alimentação, transporte, compras e experiências. O patrocinador compra exposição e relacionamento com o público. Empresas locais ampliam vendas. Fornecedores são contratados. O município arrecada impostos. O evento, durante alguns dias, funciona como um acelerador da economia.

Essa lógica também mudou a relação entre festas e destinos turísticos. Grandes eventos passaram a ser utilizados como ferramentas de posicionamento de cidades e regiões, capazes de ampliar a visibilidade de um lugar e estimular a permanência do visitante.

O desafio, entretanto, é maior do que simplesmente colocar mais pessoas dentro dos portões. Eventos dessa escala precisam preservar sua identidade, renovar a experiência do público, atrair novas gerações, conquistar patrocinadores e administrar operações cada vez mais complexas.É nesse ponto que a experiência de diferentes festas pode se tornar estratégica.

Como uma celebração regional se transforma em uma marca nacional? Como crescer sem perder identidade? Como aumentar o tempo de permanência do turista? Como transformar patrocínio em relacionamento? E como fazer com que o dinheiro gerado pelo evento permaneça circulando na economia local? Essas são algumas das questões que o Oktoberfest Summit pretende levar a Blumenau.

Economia criativa

“A presença desses importantes cases amplia a troca de conhecimento e qualifica o debate sobre o papel dos grandes festivais na promoção do turismo e do desenvolvimento”, afirma Guilherme Benno Guenther, diretor-geral da Oktoberfest Blumenau.

A programação terá conteúdos sobre economia criativa, construção de marcas, comunicação integrada, captação de recursos, relacionamento com patrocinadores, experiências para o público e estratégias operacionais utilizadas por grandes festivais brasileiros.

Uma das novidades da edição será a apresentação de informações inéditas relacionadas à gastronomia e aos desfiles da Oktoberfest Blumenau, com acesso a detalhes técnicos e operacionais de áreas fundamentais para a realização da festa.

O Summit também terá uma dimensão prática. O Oktoberfest Experience Tour levará os participantes aos bastidores do Parque Vila Germânica para conhecer estruturas, processos e modelos de operação utilizados durante a Oktoberfest.

“A proposta vai muito além de um congresso tradicional. Durante três dias, promovemos uma verdadeira imersão, com acesso a áreas exclusivas, conteúdos inspiradores e oportunidades de relacionamento profissional. É uma experiência que conecta conhecimento, mercado e entretenimento em um único ambiente”, afirma Gelson Walker, CEO da Tô Indo Viagens e Eventos, organizadora oficial do Summit.

A escolha de Blumenau como sede ganha ainda mais significado porque o Summit acontecerá durante a 41ª Oktoberfest, programada para ocorrer de 7 a 25 de outubro de 2026.

Na prática, a cidade será palco simultaneamente de duas discussões: nos espaços do Summit, executivos, gestores e especialistas discutirão o futuro da indústria de eventos; no Parque Vila Germânica, uma das maiores festas brasileiras estará sendo realizada em tempo real.

Essa combinação resume a proposta do encontro. Em vez de discutir eventos apenas como entretenimento, o Oktoberfest Summit quer tratá-los como negócios, instrumentos de desenvolvimento turístico e plataformas capazes de gerar valor para cidades, empresas e comunidades.

A indústria, portanto, não está apenas nos grandes palcos. Ela está na hotelaria, na gastronomia, no transporte, no varejo, no turismo e em toda a cadeia que se forma ao redor da experiência.

 

AutorRafael Martini
FonteExame
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