OMS vê avanço em vacinas e tratamentos contra ebola no Congo
Ainda sem tratamento aprovado, variante Bundibugyo já provocou mais de 1.600 mortes na República Democrática do Congo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira, 4, que os ensaios clínicos de vacinas e tratamentos contra a variante Bundibugyo do vírus ebola apresentam resultados considerados promissores.
A cepa é responsável pelo atual surto na República Democrática do Congo, que já provocou 1.657 mortes e 3.748 casos confirmados desde maio.Esse é o maior surto da doença da história do país.
Segundo a OMS, um grupo técnico que acompanha as pesquisas se reuniu no fim de julho e deve divulgar novas recomendações ainda nesta semana. Apesar dos avanços, a entidade ressalta que ainda não há vacinas ou tratamentos com segurança e eficácia comprovadas especificamente contra a variante Bundibugyo.
Vacinas e medicamentos estão em fase de testes
Os ensaios clínicos de tratamentos já estão em andamento em três centros da província de Ituri,uma das regiões mais afetadas pelo surto, com mais de 50 pacientes. As pesquisas contam com apoio da OMS, dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) e da Aliança para a Ação Médica Internacional (ALIMA).
Na frente das vacinas, a primeira candidata desenvolvida especificamente para a cepa Bundibugyo, criada pela Universidade de Oxford em parceria com o Serum Institute of India, iniciou a fase inicial de testes em humanos no Reino Unido em 24 de julho. A farmacêutica Moderna também deve começar os estudos clínicos de sua candidata nesta semana, no Canadá.
Além disso, pesquisadores avaliam se a vacina Ervebo, atualmente utilizada contra a variante Zaire do ebola, também pode oferecer proteção contra a cepa Bundibugyo.
Pesquisas incluem prevenção após exposição ao vírus
Outra linha de pesquisa envolve o medicamento oral obeldesivir, usado como profilaxia pós-exposição para evitar o desenvolvimento da doença após contato com o vírus. O tratamento já foi administrado a mais de 35 pacientes na província de Ituri.
Esses estudos são conduzidos pelo Instituto Nacional de Investigação Biomédica da República Democrática do Congo em parceria com um consórcio internacional, sem participação direta da OMS.
Segundo Vasee Moorthy, responsável interino de pesquisa e desenvolvimento da organização, ainda serão necessários vários meses para que os estudos produzam resultados conclusivos, embora a expectativa seja acelerar o processo.
Surto é o maior da história da República Democrática do Congo
De acordo com as autoridades congolesas, o atual surto apresenta taxa de letalidade de 44,2% e já se tornou o maior da história do país em número de casos confirmados, superando a epidemia registrada entre 2018 e 2020, que contabilizou 3.481 infecções.
Apesar disso, o cenário ainda está abaixo da maior epidemia de ebola já registrada no mundo, ocorrida entre 2014 e 2016 na África Ocidental, quando cerca de 28 mil pessoas foram infectadas e aproximadamente 11 mil morreram.
*Com EFE
