Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
Empresa avança na reestruturação financeira com um novo plano de recuperação financeira; proposta precisa passar por adesão dos credores

A Oncoclínicas (ONCO3) deu mais um passo em seu processo de reestruturação financeira. A companhia aprovou uma nova versão de seu plano de recuperação extrajudicial, após meses de negociações com credores e outros agentes envolvidos na operação.
O documento, divulgado nesta sexta-feira (23), substitui a proposta apresentada em agosto e abrange cerca de R$ 5,7 bilhões em créditos quirografários, aquelas dívidas sem garantias. Na versão anterior, o valor envolvido era de R$ 5,1 bilhões.
A proposta oferece diferentes também caminhos para os credores, como:
- a troca de parte da dívida por novos títulos,
- o alongamento dos prazos de pagamento,
- a entrega de ativos,
- a emissão de debêntures conversíveis e
- a possibilidade de quitação parcial por meio de ações da própria companhia.
Apesar do avanço, o plano ainda depende da adesão dos credores para seguir adiante. Caso o quórum exigido pela legislação seja alcançado, a proposta seguirá para homologação judicial.
Em entrevista ao Pipeline, do Valor Econômico, o CEO da companhia, Carlos Gil, afirmou que o acordo foi resultado de uma negociação ampla.
"Foi uma construção complexa, que envolve não só credores e diretoria, mas operadoras de saúde, farmacêuticas e nosso corpo clínico".
Segundo o CFO Maurício Hasson, o modelo aprovado foi o mais viável diante das circunstâncias da empresa.
"Não estamos numa companhia privada nem pacificada, então avançamos com o formato que mais se adequava."
O executivo também reconheceu que alguns pontos ainda dependerão de aprovações posteriores.
A emissão de debêntures conversíveis e a implementação de determinadas etapas do plano precisarão passar pelo crivo dos órgãos competentes e do conselho de administração após a homologação judicial, por exemplo.
Enquanto busca resolver sua estrutura de capital, a Oncoclínicas continua no radar do mercado por outro motivo:a possibilidade de uma OPA bilionária para fechamento de capital, tema que vem sendo acompanhado de perto por investidores.
Como a empresa chegou à recuperação?
Os problemas da Oncoclínicas remontam ao período posterior ao IPO realizado em 2021. Com recursos captados na bolsa, a companhia acelerou sua expansão para além de clínicas focadas em diagnóstico, radioterapia e quimioterapia.
A estratégia incluiu a aquisição de hospitais e a entrada em áreas mais complexas da cadeia de atendimento oncológico. O plano, porém, encontrou obstáculos operacionais e financeiros.
Sem a mesma expertise que possuía na área exclusivamente oncológica, a empresa enfrentou dificuldades para integrar e gerir as novas operações. O resultado foi um aumento da pressão sobre margens, geração de caixa e endividamento, culminando na necessidade de uma ampla renegociação com credores.
