Oncoclínicas (ONCO3) avança mais de 15% mesmo após prejuízo milionário; mercado aposta na reestruturação?
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) operam no positivo nesta segunda-feira (17), avançando mais de 15%, apesar de a companhia ter reportado piora dos resultados no segundo trimestre de 2026. O movimento ocorre após a divulgação do balanço na sexta-feira (14), quando a empresa informou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões entre abril e junho, aumento […]

As ações da Oncoclínicas (ONCO3) operam no positivo nesta segunda-feira (17), avançando mais de 15%, apesar de a companhia ter reportado piora dos resultados no segundo trimestre de 2026.
O movimento ocorre após a divulgação do balanço na sexta-feira (14), quando a empresa informou prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões entre abril e junho, aumento de 234% em relação às perdas de R$ 142 milhões registradas no mesmo período do ano passado.
A companhia também reportou prejuízo de R$ 275 milhões considerando os resultados com itens não recorrentes, ante perda de R$ 62 milhões um ano antes.
A reação positiva do mercado contrasta com os números operacionais mais fracos e ocorre em meio ao processo de recuperação extrajudicial da empresa, aprovado pela Justiça neste mês. A Oncoclínicas busca o reperfilamento de aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias, além de créditos intercompany.
Resultado foi impactado por ajustes contábeis
A receita líquida somou R$ 1,05 bilhão no trimestre, queda de 28,5% na comparação anual. Segundo a companhia, o desempenho refletiu uma dinâmica relacionada ao volume de provisões para perdas de crédito (PCLD).
O Ebitda ajustado permaneceu positivo em R$ 34,2 milhões, avanço de 170% sobre o primeiro trimestre deste ano, mas com queda de 85,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem ficou em 3,3%.
A empresa atribuiu o desempenho à desalavancagem operacional, provocada pela redução do volume de atendimentos e da receita, enquanto as despesas fixas permaneceram elevadas. As despesas operacionais cresceram 30%, para R$ 513 milhões.
Além disso, o trimestre foi marcado por uma série de impactos contábeis extraordinários. Entre eles, um efeito não recorrente de cerca de R$ 72 milhões relacionado a anos anteriores.
BTG vê mais um trimestre difícil
Na avaliação do BTG Pactual, a Oncoclínicas apresentou mais um conjunto de resultados bastante fraco, com deterioração adicional das operações.
O banco destacou que a queda de 29% da receita foi influenciada pela escassez de medicamentos iniciada em março, fator que continuou pressionando os volumes de tratamento ao longo do trimestre.
Segundo os analistas, os resultados permaneceram fortemente impactados por ajustes contábeis, incluindo as baixas, provisões e impairments reconhecidos no período.
O BTG ressaltou ainda que o Ebitda contábil ficou negativo em R$ 246 milhões, ante resultado positivo de R$ 116 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto o prejuízo líquido aumentou para R$ 476 milhões.
Reestruturação ganha protagonismo
Apesar da deterioração operacional, o BTG apontou alguns sinais positivos, especialmente na geração de caixa.
O fluxo de caixa operacional ficou positivo em R$ 158 milhões, revertendo o resultado negativo de R$ 153 milhões registrado no trimestre anterior. De acordo com o banco, o desempenho foi favorecido pela renegociação de prazos com o principal fornecedor da companhia e pela normalização dos recebíveis.
Ainda assim, a instituição destacou que o endividamento permanece elevado. A dívida líquida, incluindo passivos de aquisições, atingiu R$ 3,4 bilhões ao fim de junho, ante R$ 3,27 bilhões no trimestre anterior.
Com a queda do Ebitda, a alavancagem aumentou para aproximadamente 7,9 vezes dívida líquida sobre Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, contra 5,2 vezes no primeiro trimestre.
Para o BTG, a tese de investimento continua cercada de incertezas, diante da elevada alavancagem financeira, da geração de caixa ainda considerada frágil e dos riscos de execução envolvidos na estabilização das operações.
O banco afirmou que o pedido de recuperação extrajudicial reforça a gravidade da situação financeira da empresa. Embora o processo possa aliviar a liquidez no curto prazo, os analistas avaliam que ainda há visibilidade limitada sobre a velocidade da recuperação operacional e o desfecho das negociações com credores.
O BTG mantém recomendação neutra para ONCO3, com preço-alvo de R$ 3.
