Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
Companhia obteve adesão de credores que representam 61,6% dos créditos abrangidos pela reestruturação e agora busca homologação do plano na Justiça

Aos trancos e barrancos, a Oncoclínicas (ONCO3) deu mais um passo para reorganizar sua situação financeira. A companhia informou na sexta-feira (30) que conseguiu o apoio de credores necessário para dar continuidade ao processo de recuperação extrajudicial e levar seu plano de reestruturação à homologação judicial.
Em fato relevante, a empresa comunicou que as adesões à proposta atualizada superaram o quórum mínimo previsto na Lei de Falências. Ao todo, credores titulares de mais de R$ 3,5 bilhões em créditos aderiram ao plano, o equivalente a 61,6% do total considerado para o cálculo.
A base de créditos abrangida pela reestruturação soma aproximadamente R$ 5,7 bilhões, sem incluir as operações entre empresas do próprio grupo, conhecidas como créditos intercompany.
Com o percentual mínimo alcançado, a Oncoclínicas poderá avançar para a próxima etapa do processo. A companhia informou que dará prosseguimento ao pedido de homologação perante o Juízo da Recuperação Extrajudicial, em São Paulo.
Caberá agora à Justiça determinar a publicação do edital previsto no artigo 164 da Lei 11.101/2005, que trata do procedimento de recuperação extrajudicial.
O que prevê o plano de recuperação da Oncoclínicas?
O quórum foi alcançado após a companhia apresentar uma versão atualizada de seu plano de reestruturação, que substituiu a proposta protocolada em agosto.
A nova proposta contempla aproximadamente R$ 5,7 bilhões em créditos quirografários, ou seja, dívidas sem garantia real específica. Na versão anterior, o montante previsto para renegociação era de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
O objetivo é reorganizar os compromissos financeiros da companhia por meio de diferentes alternativas para os credores. Entre as medidas previstas estão:
- Conversão de parte das dívidas em novos instrumentos financeiros;
- Alongamento dos prazos de pagamento;
- Transferência de determinados ativos;
- Emissão de debêntures conversíveis;
- Quitação parcial de débitos por meio de ações da própria companhia.
A proposta também estabelece descontos para determinadas modalidades de pagamento e condições específicas para fornecedores que mantêm relações comerciais com a Oncoclínicas.
Como a Oncoclínicas chegou a esse ponto?
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de acontecimentos, sendo o principal deles a estratégia de expansão adotada após a oferta pública inicial de ações (IPO) realizada em 2021.
A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO, expandiu o foco das clínicas que realizavam diagnósticos e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para áreas de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e o cancelamento de hospital que seria construído.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte do caixa da companhia aplicada em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
Somaram-se a isso um ambiente de juros elevados, dificuldades de integração dos ativos adquiridos e a necessidade de reforçar o caixa, fatores que culminaram no atual processo de recuperação extrajudicial e na busca por uma reestruturação ampla das dívidas da companhia.
