Oncoclínicas pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bi em dívidas

Depois de meses de turbulência financeira e trocas no comando, a Oncoclínicas (ONCO3) formalizou nesta segunda-feira, 13 de julho, o pedido de recuperação extrajudicial que o mercado já vinha antecipando. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia confirmou que busca reorganizar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas com credores que não têm garantias reais, além de créditos entre empresas do próprio grupo.
O anúncio não chega de surpresa. A Oncoclínicas vinha sinalizando ao mercado que poderia recorrer à Justiça para se proteger da cobrança de credores enquanto tentava reorganizar as contas.
A empresa é mais um nome em uma lista crescente de companhias listadas na bolsa que, nos últimos anos, encontrou na recuperação extrajudicial um caminho mais rápido e barato do que a recuperação judicial tradicional para renegociar passivos com juros elevados.
O que a empresa está pedindo
Na prática, a Oncoclínicas quer costurar com seus credores um novo cronograma de pagamento para essa fatia da dívida, os "créditos abrangidos". O objetivo é dar mais previsibilidade e segurança jurídica à negociação, evitando que credores individuais corram para cobrar a dívida enquanto o acordo coletivo ainda está sendo fechado.
A companhia já conta com a adesão formal de credores que somam 37% do valor total dessa dívida — patamar que, pela legislação brasileira, já é suficiente para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial. Agora, a partir do processamento do pedido na Justiça, a empresa terá 90 dias para convencer credores a chegar ao percentual mínimo exigido para a homologação do plano.
Uma vez aprovado pelo juiz, as novas condições passam a valer automaticamente para 100% dos créditos incluídos na negociação, mesmo para quem não aderiu voluntariamente.
Capitalização, conversão em ações ou mais prazo
O comunicado adianta alguns dos caminhos que podem compor a solução final: um aporte de capital pelos próprios acionistas, a troca de parte da dívida por participação acionária na companhia, a substituição de créditos antigos por novas dívidas ou simplesmente um prazo mais longo para pagar o que já existe.
Pacientes e fornecedores ficam de fora da negociação
A Oncoclínicas destacou que a recuperação extrajudicial não mexe com o dia a dia da operação. Pagamentos a fornecedores, prestadores de serviço e outras obrigações operacionais continuam sendo honrados normalmente, nos prazos combinados, sem qualquer interrupção.
A companhia reforça que o atendimento a pacientes segue acontecendo com normalidade em todas as unidades espalhadas pelo país.
Dois contratos de aluguel rescindidos
Como parte do movimento de reorganização, duas empresas do grupo cancelaram contratos de locação atípica no modelo conhecido como built-to-suit, em que o imóvel é construído sob medida para o inquilino.
O Centro Paulista de Oncologia encerrou o contrato de um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, alugado junto a um fundo imobiliário controlado pela gestora Tellus. A multa por esse rompimento é estimada em R$ 76 milhões e já entrou na conta que será renegociada com os credores.
Já a CEBROM, controlada da Oncoclínicas ligada a radioterapia e mastologia, rompeu o contrato de um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado e, segundo a empresa, permanece incerto.
Aval do conselho e próxima parada: a assembleia
O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração — colegiado que passou por uma renovação intensa nos últimos meses, em meio à saída do fundador Bruno Ferrari da presidência da companhia. A decisão ainda precisa ser referendada por uma assembleia geral extraordinária de acionistas, que será convocada em breve conforme determina a lei.
