Onde as mulheres investem? Presença feminina na B3 cresce 83%, mas ativo favorito ainda é outro
Levantamento mostra que as mulheres ainda preferem investimentos conservadores; veja como elas montam a carteira

A presença das mulheres na bolsa brasileira aumentou, mas elas ainda não abandonaram a velha conhecida caderneta de poupança, mostra o levantamento 'Elas Pagam a Conta', da Think Olga & Eva, divulgado nesta quinta-feira (24) durante o evento Fin4She.
Segundo a pesquisa, o número de investidoras na B3 cresceu 83% nos últimos cinco anos. A presença feminina na bolsa hoje já ultrapassa 1,48 milhão.
Ainda assim, essa fatia continua pequena: apenas 1,5% das mulheres investem em ações, ante 4,9% dos homens.
Já no Tesouro Direto, estima-se que existam mais de 1 milhão de mulheres investindo.
Porém, a poupança continua mais popular entre elas: 31,6% das mulheres dizem aplicar na caderneta, enquanto, entre os homens, a taxa cai para 27,2%.
As mulheres são mais conservadoras?
Embora a carteira de investimentos das mulheres seja mais conservadora, isso não quer dizer que elas sejam. Segundo o levantamento, o motivo por trás dos aportes em ativos mais seguros e na poupança tem outro motivo: o destino do dinheiro.
"O dinheiro dos homens é deles. O dinheiro das mulheres é da família. Quando ela investe, o capital já tem destino certo, como a faculdade do filho. É um dinheiro que ela não pode perder. Então, não pode arriscar", afirmou Dirlene Silva economista e fundadora da DS Estratégias de Educação e Inteligência Financeira, durante o evento.
Além disso, Nana Lima, diretora-executiva da Think Olga & Eva, ressaltou que a capacidade de tomar o risco, ou seja, o tamanho do patrimônio, é outro empecilho para a participação feminina na bolsa.
Apesar de elas estudarem mais, com 47,5% das mulheres terem ensino superior contra 17,8% dos homens, elas ainda ganham menos. De acordo com a pesquisa, eles ainda recebem um salário 21% maior do que as mulheres que ocupam o mesmo cargo.
Entre os mais ricos, elas também são minoria, representando 31% da classe, contra 69% deles.
Além disso, a maternidade reduz ainda mais o montante disponível para as investidoras. Segundo o levantamento, o nascimento do primeiro filho tem um impacto de 24% no salário da mulher. Já entre as mães com três ou mais filhos, essa taxa sobe para 40%.
O endividamento feminino: o que pesa no bolso delas?
O estudo mostra ainda que o endividamento feminino está associado aos gastos necessários à sobrevivência e à manutenção do lar do que ao consumo.
“Não é a blusinha e nem a maquiagem que está endividando as mulheres brasileiras”, afirmou Lima.
Segundo a executiva, o que aperta o orçamento feminino é, na verdade, os "gastos invisíveis". Eles são pequenas despesas dispersas, como o lanche do filho ou a cartolina para o projeto da escola.
Como esses gastos são variáveis, geralmente não entram na planilha de custos da família, o que dificulta a possibilidade de gerenciamento e até redução deles.
"Enquanto as despesas maiores são divididas ou até podem ser pagas pelos homens, esses pequenos gastos ainda são das mulheres. E no acumulado do mês, somam valores ainda maiores do que os custos com contas como aluguel e luz", disse Lima.
Para as autoras da pesquisa, esses gastos reduzem a capacidade de poupança, dificultam a formação de patrimônio e pressionam o orçamento feminino. Elas também avaliam que essa organização das finanças da casa ajuda a explicar por que muitas mulheres chegam ao fim do mês com menos recursos disponíveis.
Apesar disso, o estudo cita o Mapa da Inadimplência do Serasa de abril de 2026, que mostrou que os dois gêneros estão igualmente endividados: eles são 49,4% e 50,6% entre homens e mulheres respectivamente.
O levantamento do Serasa reforça que as dívidas femininas estão concentradas principalmente em gastos essenciais: 86% das mulheres endividadas possuem débitos no cartão de crédito, com despesas de supermercado (59%) e remédios ou tratamentos médicos (42%) entre os principais motivos.
Por outro lado, o público feminino fecha 25% mais acordos de renegociação do que os homens. Elas também são melhores pagadoras, quitando 11,6% mais dívidas do que eles.
