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Mundo
08/07/2026
4 min

Onde está Mojtaba Khamenei? Líder do Irã esteve ausente no funeral do pai

Onde está Mojtaba Khamenei? Líder do Irã esteve ausente no funeral do pai

Conforme o grandioso funeral do aiatolá Ali Khamenei continua nas ruas do Irã, uma figura-chave segue ausente: seu filho e herdeiro, Mojtaba Khamenei, que assumiu o cargo de líder supremo do Irã após a morte do pai, nas primeiras levas de ataques americanos, em fevereiro.

A ausência pública do novo líder continua alimentando especulações sobre seu estado de saúde e a estabilidade política do país, em meio às grandes cerimônias fúnebres de seu pai.

Embora três dos outros filhos do antigo líder — Masoud, Mostafa e Meysam — tenham participado de um serviço religioso no domingo, 5,  ao lado de autoridades como o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, Mojtaba permaneceu ausente.

A falta de aparições públicas de Mojtaba desde sua nomeação, em março, intensificou rumores de que ele teria sido ferido nos ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel, os mesmos que resultaram na morte de seu pai, e até mesmo que ele se esconde de assassinos.

Até o momento, as autoridades iranianas não se pronunciaram sobre seu paradeiro nem sobre sua condição de saúde.

Uma tênue paz no funeral do século

Manifestantes iranianas com cartaz com a foto do líder supremo Ali Khamenei, morto em ataque dos EUA, na sexta-feira, 6, em Teerã

Manifestantes iranianas com cartaz com a foto do líder supremo Ali Khamenei, morto em ataque dos EUA, em 6 de março (AFP)

Ali Khamenei governou a República Islâmica desde 1989, tornando-se a figura central do sistema político iraniano por mais de três décadas. Sua morte desencadeou uma série de cerimônias oficiais que se estenderão ao longo dessa semana no Irã e no Iraque. Segundo as autoridades, entre 12 e 20 milhões de pessoas são esperadas nos eventos, descritos pela mídia estatal como o "funeral do século".

O corpo de Khamenei está sendo velado no complexo religioso Grande Mosalla de Teerã, onde uma cerimônia foi conduzida pelo influente clérigo xiita Jafar Sobhani, de 97 anos, um dos principais estudiosos religiosos da cidade sagrada de Qom. O governo iraniano decretou um feriado nacional para permitir a participação popular, e o corpo deverá ser levado em procissão pelas ruas de Teerã.

As cerimônias têm sido cuidadosamente organizadas pelas autoridades e ocorrem em um contexto de elevada tensão regional. Embora um cessar-fogo frágil entre Irã e Israel continue em vigor e as negociações por um acordo de paz permanente prossigam, ambos os lados já advertiram que estão preparados para retomar as operações militares caso as conversas fracassem.

Nesse contexto, a sucessão de Ali Khamenei e a segurança de seu herdeiro político assumem importância não apenas para a estabilidade interna iraniana, mas também para o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

As negociações para um acordo de paz entre Irã e Israel também foram temporariamente suspensas em razão das cerimônias fúnebres de Ali Khamenei. Segundo o site Axios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as conversas foram interrompidas por uma semana para permitir a realização dos eventos oficiais.

Trump também sugeriu que a concentração de integrantes da cúpula do regime iraniano durante o funeral representaria uma oportunidade militar para Washington. De acordo com o jornal Axios, o presidente afirmou que os Estados Unidos poderiam eliminar toda a liderança iraniana "com um único ataque", mas descartou essa possibilidade sob o argumento de que isso inviabilizaria futuras negociações.

A declaração reforça a estratégia de pressão adotada pela Casa Branca, que combina a manutenção da capacidade de dissuasão militar com a preservação dos canais diplomáticos.

O presidente norte-americano ainda demonstrou surpresa com as manifestações de luto observadas nas ruas do Irã, afirmando acreditar que a população rejeitava Ali Khamenei. Trump chegou a sugerir que as demonstrações de emoção poderiam ser encenadas, descrevendo-as como "lágrimas falsas".

A declaração provocou reações negativas entre participantes das cerimônias.

Em entrevista à Reuters, uma iraniana que atendia o funeral rejeitou firmemente a fala de Trump e afirmou que o luto popular reflete o compromisso de parte da sociedade com os ideais da Revolução Islâmica: "Não fizemos uma revolução há 47 anos para derramar lágrimas falsas. Não sacrificamos todos esses mártires para derramar lágrimas falsas."
AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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