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Sacre Investimentos
Economia
07/08/2026
5 min

Onde o salário mínimo é maior no Brasil? Confira os estados com piso regional

Saiba qual é o valor atual do salário mínimo no Brasil, entenda por que alguns estados pagam pisos regionais maiores e confira as regras de reajuste previstas para 2027.

Onde o salário mínimo é maior no Brasil? Confira os estados com piso regional

Considerada a menor remuneração ao trabalhador estabelecida pela lei, o salário mínimo foi instituído no Brasil para garantir que os empregados e suas famílias atendam às suas necessidades básicas de moradia, alimentação, educação e transporte. Atualmente, o valor de referência nacional está fixado em R$1.621, com previsão de aumento para R$ 1.724 em 2027.

O piso nacional serve de base para o pagamento de salários na CLT e baliza os benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Embora exista essa unificação para o país, cinco estados brasileiros adotam o salário mínimo regional. Atualmente, o estado do Paraná lidera a lista com o maior valor piso do Brasil, oferecendo rendimentos que chegam a R$ 2.407,90 para determinadas categorias. Entenda melhor abaixo.

Por que alguns estados têm salários mínimos mais altos?

A Lei Complementar nº 103/2000 autoriza os estados a fixarem pisos salariais regionais para categorias profissionais que não possuam salários definidos por lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.

Essa autonomia existe para adaptar a remuneração média às variações do custo de vida local e à força da economia em diferentes regiões. Atualmente, cinco estados mantêm tabelas de salário mínimo regional com valores superiores ao piso federal:

Paraná

O estado tem o maior piso salarial regional do Brasil. A tabela é dividida em quatro grupos, definidos de acordo com a atividade econômica exercida pelo trabalhador:

  • Grupo I – R$ 2.105,34: trabalhadores da agricultura, pecuária, atividades florestais, caça, pesca e aquicultura;
  • Grupo II – R$ 2.181,86: empregados das indústrias extrativas e de transformação, incluindo setores como mineração, construção civil e atividades industriais em geral;
  • Grupo III – R$ 2.256,17: trabalhadores do comércio, de serviços administrativos e empregados de empresas de turismo e comunicação, entre outros segmentos;
  • Grupo IV – R$ 2.407,90: técnicos de nível médio, categoria que reúne profissionais com formação técnica reconhecida, como técnicos em enfermagem, eletrotécnica, mecânica, informática, edificações, segurança do trabalho e outras ocupações regulamentadas.

Os valores são definidos anualmente pelo Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda e costumam acompanhar a política de valorização do salário regional paranaense.

Rio Grande do Sul

Adota um piso regional dividido em cinco faixas, conforme a atividade econômica e a qualificação da mão de obra.

  • Faixa I – R$ 1.884,75: trabalhadores da agricultura, pecuária, empregados domésticos, turismo e hospitalidade;
  • Faixa II – R$ 1.928,15: empregados das indústrias do vestuário, calçados, fiação e tecelagem, além de trabalhadores em telemarketing e serviços de saúde;
  • Faixa III – R$ 1.971,89: trabalhadores do comércio em geral e de setores industriais específicos;
  • Faixa IV – R$ 2.049,76: empregados das indústrias metalúrgica, mecânica, elétrica, gráfica, vidreira e de outros segmentos industriais de maior complexidade;
  • Faixa V – R$ 2.388,50: técnicos de nível médio vinculados a cursos integrados, subsequentes ou concomitantes ao ensino médio.

O piso regional gaúcho é reajustado por lei estadual após negociação entre representantes dos trabalhadores, empregadores e o governo estadual.

Santa Catarina

Mantém um dos sistemas mais tradicionais de piso regional do país, dividido em quatro faixas, conforme o setor econômico.

  • 1ª faixa – R$ 1.842,00: agricultura, pecuária, pesca, indústrias extrativas e empregados domésticos.
  • 2ª faixa – R$ 1.980,00: indústrias do vestuário, calçados, fiação, tecelagem, papel, papelão, comunicação e telemarketing.
  • 3ª faixa – R$ 2.022,00: indústrias metalúrgicas, mecânicas, elétricas, gráficas, de vidro, borracha e trabalhadores do comércio.
  • 4ª faixa – R$ 2.106,00: indústrias químicas, farmacêuticas, cinematográficas, de alimentação, construção civil, estabelecimentos de saúde, ensino, processamento de dados e técnicos de nível médio.

O reajuste é negociado anualmente entre centrais sindicais, entidades empresariais e o governo catarinense, sendo posteriormente aprovado pela Assembleia Legislativa.

São Paulo

São Paulo adotou um modelo diferente dos demais estados do Sul. Desde 2024, o estado passou a contar com um piso regional unificado, eliminando as antigas duas faixas salariais.

Atualmente, o piso estadual é de R$ 1.874,36 e vale para trabalhadores formais que não possuem salário definido por convenção coletiva, acordo coletivo ou legislação federal específica.

Na prática, o valor beneficia empregados de categorias como:

  • trabalhadores domésticos;
  • cuidadores de idosos;
  • serventes;
  • auxiliares de serviços gerais;
  • trabalhadores rurais;
  • profissionais de comércio e serviços que não possuam piso definido em negociação coletiva.

Rio de Janeiro

O caso do Rio de Janeiro é diferente. Embora a legislação estadual ainda preveja um piso regional é de R$ 1.621, o estado também conta com faixas específicas de piso salarial regional para determinadas profissões.

Para quem recebe o piso nacional ou as faixas 1, 2 e 3 (R$ 1.621), o desconto básico e obrigatório da alíquota do INSS é de 7,5% (R$ 121,57), resultando em um salário líquido de R$ 1.499,43 na conta do trabalhador. Os benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo INSS no estado seguem estritamente o piso nacional de R$ 1.621,00.

Salário mínimo 2027: o que muda?

A formulação e os reajustes do salário mínimo em nível federal seguem a regra de valorização permanente aprovada pelo Congresso Nacional. A política de aumento combina a reposição da inflação acumulada no ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

O indicador de inflação oficial utilizado para a correção do salário mínimo é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O INPC acompanha a variação de preços da cesta de consumo das famílias de menor renda (de 1 a 5 salários mínimos).

Esse cálculo garante que o piso nacional cubra a variação nos custos essenciais da população, como o aumento no preço de alimentos, energia e transporte público, acrescido de um ganho real. Para 2027, as projeções do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do Governo Federal apontam uma estimativa inicial de R$ 1.724,00 para o salário mínimo.

AutorDiandra Guedes
FonteExame
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