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PolíticaMPOL
25/10/2026
5 min

Ônibus parados no 2º turno: caos no transporte leva a pedidos de prisão e multa milionária

Em Salvador, a fiscalização encontrou 370 coletivos retidos em garagens; em São Paulo, a campanha de Lula acionou a Justiça por suposto descumprimento de ordem judicial

Ônibus parados no 2º turno: caos no transporte leva a pedidos de prisão e multa milionária

O transporte público virou uma das principais frentes de tensão do segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25).  

Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade após denúncias de redução da frota. Em São Paulo, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a prisão de dois gestores municipais, acusando-os de descumprir uma ordem para colocar todos os ônibus em circulação. 

As medidas ocorreram em meio a relatos de pontos lotados, longas esperas e dificuldades para chegar aos locais de votação.  

A Justiça determinou que as frotas operassem integralmente, com frequência equivalente à dos dias úteis, e estabeleceu multas para pressionar pelo cumprimento das ordens. 

Salvador: fiscalização encontra 370 ônibus parados 

Na capital baiana, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com itinerários e frequência compatíveis com os dias úteis.  

A decisão também prevê transporte gratuito, multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e fiscalização das garagens pela Polícia Federal. 

O despacho, assinado às 13h15, determinou ainda a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Segundo a decisão, havia indícios de que a orientação para reduzir a frota partira da própria secretaria.  

A pressão sobre a operação aumentou após uma fiscalização do Procon da Bahia identificar 370 ônibus parados em garagens. Inicialmente, os fiscais encontraram 252 veículos aptos a circular, mas retidos. Depois, localizaram outros 118 no pátio de uma empresa em Campinas de Pirajá. 

A inspeção ocorreu após denúncias de eleitores sobre a redução da oferta de coletivos, apesar da determinação para que toda a frota fosse às ruas. 

O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou que havia ônibus sem adesivos ou marcas de propaganda eleitoral entre os veículos parados, contestando a justificativa apresentada pela prefeitura para os problemas operacionais. 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), disse à Folha de S.Paulo que 75 ônibus ficaram temporariamente retidos em uma garagem durante a manhã porque sindicalistas teriam colado adesivos do PT nas janelas. Segundo ele, os veículos voltaram a circular após a retirada do material. 

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) afirmou ter determinado a liberação de todos os coletivos, inclusive daqueles com adesivos considerados propaganda irregular.  

Governo da Bahia oferece veículos para reforçar transporte 

Diante dos problemas relatados, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou que veículos estaduais não requisitados pela Justiça Eleitoral poderiam ser usados para auxiliar no deslocamento de eleitores.  

A medida prevê vans e veículos das áreas de educação, saúde e administração pública. 

O governador também afirmou que colocaria à disposição policiais militares habilitados para dirigir ônibus, caso necessário.  

Segundo ele, houve relatos de dificuldades em outros municípios baianos, como Santo Amaro da Purificação, Tremedal e Lauro de Freitas. 

"Não vou aceitar o que estão fazendo com a população baiana, tentando impedir que as pessoas exerçam seu direito ao voto. Vamos garantir que o povo tenha condições de votar!", escreveu o petista, em publicação nas redes sociais. 

Rodrigues defendeu ainda a ampliação do horário de votação no estado por pelo menos uma hora, com possibilidade de chegar a uma hora e meia, para compensar os problemas de transporte. 

Caos nos ônibus em São Paulo: campanha de Lula pede prisão de gestores 

Na capital paulista, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pediu à 1ª Zona Eleitoral a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. 

A federação acusa os gestores de descumprir uma decisão judicial que determinou a circulação de toda a frota operacional prevista para dias úteis durante o segundo turno. 

Segundo dados citados na ação, às 13h20 havia 9.892 ônibus em circulação, de uma frota de 13.790 veículos. Outros 3.898 permaneciam nas garagens, o equivalente a cerca de 28% do total. Os números foram atribuídos ao aplicativo de monitoramento Infobus, em informações divulgadas pelo Metrópoles. 

A ordem judicial havia sido expedida na véspera da votação e previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans em caso de descumprimento injustificado. 

Além das prisões, a campanha pediu a liberação imediata dos ônibus retidos, multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e a apresentação de registros detalhados sobre a operação. 

A SPTrans, por sua vez, afirmou enfrentar dificuldades operacionais para cumprir a determinação em razão do prazo curto para reorganizar escalas e jornadas de trabalho. Segundo a empresa, a notificação judicial ocorreu na tarde de sábado (24), menos de 12 horas antes do início da operação. A prefeitura também contestou as denúncias de redução da frota. 

Mais tempo para votar nas eleições de 2026? 

Os problemas no transporte levaram a campanha de Lula a preparar um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar o horário de votação. 

“Isso é muito grave o que o prefeito Ricardo Nunes está fazendo em São Paulo, de não permitir que as pessoas exerçam seu direito à democracia e escolham o seu próximo presidente da República”, afirmou Kiko Celeguim, presidente estadual do PT em São Paulo.

O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu que havia dificuldades de transporte em algumas localidades, mas afirmou que a situação estava sendo corrigida. 

“De fato, em alguns locais há uma dificuldade ainda com o transporte que já está sendo corrigido”, disse durante entrevista coletiva na sede do TSE. 

Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral havia organizado uma programação integrada com os tribunais regionais para garantir o deslocamento dos eleitores. Questionado especificamente sobre Salvador, não comentou o caso. 

*Com informações de Agência Brasil, Estadão Conteúdo e Reuters. 

AutorSeu Dinheiro
FonteSeu Dinheiro
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