Open Finance chega a 240 milhões de consentimentos, mas 61,5% das consultas são desperdício
Estudo da Zetta sugere maneiras de tornar a plataforma mais efetiva, reduzindo fricção na portabilidade salarial e do crédito consignado, por exemplo

A plataforma de compartilhamento de dados entre bancos open finance chegou a 240 milhões de consentimentos, segundo pesquisa da associação de empresas de tecnologia e serviços financeiros Zetta. No entanto, 61,5% das consultas retornam dado velho e sem novidade para o cliente, sendo qualificadas como desperdício.
Isso ocorreria porque a estrutura do open finance utiliza o sistema de “polling”, no qual as instituições receptoras de dados precisam consultar periodicamente as transmissoras para saber se houve alguma atualização nos dados do cliente.
“Esse desenho cria uma volumetria estruturalmente elevada de chamadas que não decorre necessariamente de uso efetivo ou de geração de valor ao consumidor, mas do próprio funcionamento técnico da infraestrutura”, explica a pesquisa.Em um modelo de mensageria, por outro lado, o índice de aproveitamento de chamadas chegaria a 85%, com ganhos médios de semanais superiores a 50 pontos percentuais em eficiência.
A Zetta diz que uma das suas associadas verificou que apenas 22,6% das transações de crédito consumidas mensalmente foram efetivamente aproveitadas, ao passo que 77,4% acabaram descartadas por causa de atrasos de três a seis dias na disponibilização desses dados.
“Como consequência, as receptoras são forçadas a consultar janelas históricas repetidamente para tentar capturar atualizações tardias e manter os casos de uso atualizados, o que eleva ainda mais a redundância do consumo”, afirma a pesquisa.
Evolução do open finance
De acordo com a Zetta, a Prova de Conceito de mensageria realizada em 2025 deve ser usada como ponto de partida para o mapeamento de modelos de notificação e outras alternativas viáveis para melhorar o open finance. Assim, demandas da população como portabilidade salarial e crédito consignado precisam ganhar espaço na plataforma.
O fluxo de portabilidade ainda é, segundo a associação, “extremamente burocrático e lento”. Em 2025, mais de 50% dos pedidos de portabilidade foram recusados e 87% dessas recusas ocorreram por inconsistências cadastrais. “Ou seja, trata-se de um problema que o Open Finance resolveria automaticamente, já que os dados são validados no momento do consentimento do cliente, e não dependem de digitação manual sujeita a erro ou discricionariedade”, defende o estudo.
A portabilidade do crédito consignado para o servidor público federal, por sua vez, depende do avanço da integração do Serpro/Siape com o open finance.
Crescimento da plataforma
Criado em 2020 pelo Banco Central, o open finance permite que clientes de bancos compartilhem seus dados entre diferentes instituições financeiras para poder obter melhores condições de crédito e ofertas de produtos mais personalizadas.
O open finance tinha 155,6 milhões de consentimentos no ano passado, de modo que houve um aumento de 54% neste ano. “Poucos países no mundo alcançaram, em tão pouco tempo, um ecossistema de compartilhamento de dados financeiros dessa magnitude, sustentado por uma estrutura regulatória robusta”, diz o estudo.
Apesar disso, os pesquisadores dizem que a evolução da ferramenta depende do amadurecimento e automatização do processo de monitoramento, da melhoria de performance das instituições participantes e da busca por maior eficiência na arquitetura de consumo de dados.
