Open Standard: o que se sabe sobre a iniciativa de stablecoin que derrubou as ações da Circle?
Um mês depois do anúncio, informações ainda são escassas, mas a criptomoeda apoiada por Visa, Mastercard, Itaú, Bradesco e Fireblocks deve ser lançada no fim deste ano

O anúncio da iniciativa Open Standard de que iria criar uma stablecoin de dólar juntando 140 das maiores empresas do mundo caiu como uma bomba no mercado. Segunda maior emissora de stablecoins do mundo, a Circle, viu suas ações se desvalorizarem em 12% desde então, com investidores especulando que a nova criptomoeda pode reduzir bastante a fatia de mercado das líderes atuais quando for lançada.
No entanto, pouco se revelou sobre o projeto um mês depois do anúncio, com algumas polêmicas surgindo neste meio tempo, como as empresas sul-coreanas que aparecem como parceiras da iniciativa, mas negam ser parte dela.
Diante disso, a EXAME falou com parceiros do Open Standard como Bradesco, Itaú, Visa, Mastercard e a empresa israelense de infraestrutura blockchain Fireblocks para entender o que há de concreto sobre o projeto e a stablecoin Open USD.
O que é o Open USD?
Em 30 de junho, foi ao ar o site do Open Standard, que anuncia a criação de uma stablecoin chamada Open USD para movimentar dinheiro globalmente em blockchain. O foco da iniciativa é facilitar fluxos de pagamentos para empresas.
De acordo com o projeto, as stablecoins estão sendo rapidamente adotadas por conta da velocidade com que permitem transações internacionais ao mesmo tempo em que permitem custos menores do que o câmbio tradicional e programabilidade das operações.
Por outro lado, o Open Standard diz que os negócios que operam com stablecoins ainda sofrem com: taxas elevadas para criar e receber stablecoins; falta de repasse das receitas obtidas pelos emissores dessas criptomoedas dos títulos nos quais as reservas delas estão investidos; e pouca margem para adaptação caso as políticas internas dessas emissoras mudem.
O Open Standard promete que as empresas que adotarem a sua criptomoeda poderão criar e receber unidades de Open USD sem custo e diz que irá repassar os rendimentos que obtiver nas reservas em dólar da stablecoin. Outra promessa é uma governança colaborativa realizada por um conselho dos parceiros do Open Standard.
O que é o Open Standard?
O CEO do Open Standard é Zach Abrams, cofundador e CEO da Bridge, uma plataforma de infraestrutura de pagamentos focada em stablecoins que foi adquirida pela Stripe em fevereiro de 2025. A Bridge ficou famosa fora do mundo cripto por conta de sua parceria com a empresa de meios de pagamento Visa.
Já o Open Standard é a entidade responsável pela governança do Open USD. O site diz que essa governança será colaborativa, com uma equipe de administração independente que faz a supervisão do design e operações com Open USD.
“Fazer parceria com o Open Standard significa adotar o Open USD como um ativo transacional central em sua plataforma ou oferta de serviços. Os participantes terão acesso a documentação técnica, suporte à integração e a oportunidade de gerar receita com base no uso do Open USD”, diz a nota de lançamento.
Reprodução do website da Open Standard, emissora do Open USD
Quem faz parte do Open Standard?
O site diz que as empresas parceiras do Open Standard que utilizarão o Open USD são Visa, Stripe, Mastercard, American Express, Google, BlackRock, BNY, Standard Chartered, Coinbase, Solana, Ripple, Fireblocks e diversas outras gigantes internacionais. Do Brasil, os bancos Itaú e Bradesco são os parceiros mais notáveis do projeto.
Em resposta a consulta da EXAME, a Visa respondeu que “tem orgulho de se juntar ao Open Standard ao lado de um grupo tão forte de parceiros no apoio ao Open USD”. A empresa diz que está ansiosa para conectar o Open USD aos pagamentos do mundo real.
Em nota, John Lambert, diretor de produtos da Mastercard, disse que à medida que as stablecoins se consolidam como uma nova forma de movimentar valor globalmente, a infraestrutura por trás delas deve seguir o mesmo caminho. “O Open Standard é uma iniciativa para ajudar a construir essa base”, afirmou.
O Bradesco, por sua vez, disse que o Open Standard representa um passo significativo rumo à construção de uma infraestrutura mais eficiente para a transferência de ativos financeiros na economia digital. “Para o Bradesco, aderir a essa iniciativa significa estar na vanguarda de um movimento que transformará a maneira como as empresas operam globalmente”, afirmou em nota Rui Marques, diretor de mercados globais & Agora Investimentos do banco.
Por fim, o Itaú disse que acompanha de perto iniciativas globais que buscam modernizar a infraestrutura financeira e ampliar o uso de ativos digitais. “Vemos com bons olhos movimentos que promovem padrões abertos e colaboração, contribuindo para um mercado mais eficiente e integrado. Seguimos avaliando essas evoluções com foco em segurança, solidez e geração de valor para nossos clientes.”
Quem diz que não faz parte?
A Samsung e outras empresas da Coreia do Sul, como Shinhan Financial Group, Dunamu e K Bank, disseram que o Open Standard apenas apresentou a ideia da parceria para elas. Essas empresas teriam respondido que iriam analisar a proposta e, mesmo assim, seus nomes já apareceram como membros da iniciativa.
O desmentido veio em 3 de julho, quando um representante da Samsung disse à imprensa que estava surpreso com o anúncio e que não sabia sequer qual papel a empresa teria no projeto.
Mesmo assim, em 29 de julho, data em que esta reportagem foi escrita, os nomes de Samsung, Shinhan, Dunamu e K Bank ainda apareciam na lista de parceiros.
A EXAME buscou contato com o Open Standard por e-mail, mas não obteve resposta.
Quem fará o que e quando lança a stablecoin Open USD?
Boa parte das instituições citadas trabalharão com o Open Standard ao utilizar no seu dia a dia a stablecoin Open USD para pagamentos e transferências. Outras, contudo, farão parte da infraestrutura do projeto.
Em entrevista à EXAME, Jorge Borges, head da Fireblocks para América Latina, diz que o papel da companhia no projeto é o de parceiro de infraestrutura. “Temos até o fim do ano para colocar a stablecoin para rodar. A stablecoin será regulada pelas regras dos EUA e vai começar por lá”, adianta.
Hoje, a Fireblocks atua com custódia direta e autocustódia de criptoativos, segurança e prevenção de fraudes, conexão entre diferentes parceiros instituições e tokenização de ativos. Borges afirma que a Fireblocks é um dos membros fundadores do projeto e que boa parte das empresas envolvidas são clientes da companhia israelense.
“Lá tem boa parte do mercado de pagamentos, adquirentes e empresas de cartão. Entramos no foco de prover infraestrutura para esse projeto ganhar escala”, esclarece.
