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Inteligência ArtificialBDR
05/06/2026
7 min

OpenAI, Anthropic e Google alertam EUA sobre risco de armas biológicas feitas com IA

OpenAI, Anthropic e Google alertam EUA sobre risco de armas biológicas feitas com IA

Os CEOs das maiores empresas de inteligência artificial (IA) do mundo deixaram de lado a rivalidade nesta semana para assinar em conjunto uma carta aberta ao Congresso americano. O pedido é que os Estados Unidos tornem obrigatória a triagem de compras de DNA e RNA sintéticos para impedir que a IA ajude atores mal-intencionados a desenvolver armas biológicas.

Entre os signatários estão Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, Demis Hassabis, do Google DeepMind, e Mustafa Suleyman, da Microsoft AI, além de dezenas de especialistas em ciências da vida e segurança nacional, cientistas laureados com o Nobel e ex-autoridades de defesa dos EUA.

A carta foi organizada pela Foundation for American Innovation e pelo Instituto para o Progresso, de caráter apartidário, e publicada na quarta-feira, 3.

O problema que a carta descreve

O DNA sintético virou rotina na ciência moderna. Empresas ao redor do mundo usam sintetizadores automatizados para imprimir e vender sequências genéticas customizadas usadas em pesquisa científica, desenvolvimento de medicamentos e diagnósticos.

O acesso online a esse material acelerou o desenvolvimento de vacinas e tornou possível que equipes pequenas acessassem capacidades antes restritas a grandes instituições, segundo a carta citada pela Interesting Engineering.

O problema é que a mesma conveniência cria uma oportunidade de uso indevido: material biológico nocivo pode ser montado a partir de sequências encomendadas separadamente. Ea IA está tornando esse processo progressivamente mais acessível para pessoas sem formação científica avançada.

"Sistemas de IA já superam virologistas com doutorado em questões sobre procedimentos laboratoriais altamente técnicos em seus próprios domínios de especialidade", diz a carta. "Há uma possibilidade real de que as barreiras de conhecimento que historicamente impediram atores mal-intencionados de obter armas biológicas se deteriorem significativamente."

O que a carta pede

Os signatários pedem ao Congresso que torne obrigatória a triagem de pedidos de ácidos nucleicos sintéticos — DNA e RNA — bem como dos equipamentos usados para fabricá-los.

Esses sistemas de triagem já são usados voluntariamente por muitas empresas do setor de síntese genética: verificam sequências problemáticas e confirmam a identidade do cliente antes de enviar os materiais.

Atualmente, essa triagem é voluntária, mas a carta pede que se torne lei.

O projeto de lei que transformaria a proposta em legislação é o Biosecurity Modernization and Innovation Act of 2026, introduzido em fevereiro pelos senadores Tom Cotton e Amy Klobuchar.

O contexto que torna o pedido urgente

A carta não surgiu do nada. Em abril de 2026, o New York Times reportou que modelos de IA publicamente disponíveis — incluindo o ChatGPT, o Claude e o Gemini — foram capazes de gerar informações detalhadas sobre como adquirir e montar ingredientes em armas biológicas potencialmente letais, com base em testes realizados por especialistas que trabalharam com as próprias empresas de IA para testar os sistemas, segundo o Inc.

As próprias empresas já vinham sinalizando internamente o risco. Em 2025,a Anthropic ativou proteções mais rígidas para um de seus modelos como precaução.

A OpenAI disse que esperava que modelos futuros atingissem um nível mais alto de risco biológico segundo seu próprio framework de segurança.

Há também uma lacuna regulatória: um framework federal de triagem existia na gestão anterior, mas uma ordem executiva de 2025 determinou sua revisão e os reguladores ainda não finalizaram um substituto.

Amodei, da Anthropic, já havia alertado o Congresso sobre o tema em depoimento anterior.

"Uma extrapolação direta dos sistemas atuais para os que esperamos ver em dois a três anos sugere um risco substancial de que sistemas de IA serão capazes de preencher todas as peças que faltam, permitindo que muito mais atores realizem ataques biológicos em larga escala", disse ele.

"Acreditamos que isso representa uma grave ameaça à segurança nacional dos EUA." Amodei acrescentou que a Anthropic já havia informado autoridades governamentais sobre essa avaliação, "todas as quais acharam os resultados perturbadores", segundo a Fox News.

Há uma contradição difícil de ignorar. As mesmas empresas que desenvolvem os sistemas capazes de fornecer orientação técnica para a criação de armas biológicas estão pedindo ao governo que regule o acesso aos materiais físicos necessários para construí-las.

Leia a carta na íntegra

Como pesquisadores das ciências da vida, desenvolvedores de IA e biotecnologia, e especialistas com uma ampla variedade de visões sobre políticas de IA, pedimos aos legisladores que tornem obrigatória a triagem de pedidos de ácidos nucleicos sintéticos — e dos equipamentos necessários para produzi-los.

A possibilidade de encomendar DNA sintético pela internet acelerou o desenvolvimento de vacinas, impulsionou a pesquisa básica e permitiu que pequenas equipes tivessem acesso a capacidades que antes estavam restritas a grandes instituições. Desde a publicação, há mais de duas décadas, de protocolos para reconstruir vírus a partir de fragmentos de DNA, também se reconhece que esse é um ponto da cadeia de suprimentos da biotecnologia em que um agente mal-intencionado poderia causar danos desproporcionais. Reconhecendo essa vulnerabilidade, empresas do setor formaram o International Gene Synthesis Consortium, em 2009, para desenvolver e implementar salvaguardas voluntárias contra usos indevidos.

Embora o tema não seja novo, o ritmo de avanço da inteligência artificial é. Hoje, sistemas de IA superam virologistas com nível de doutorado em questões sobre procedimentos laboratoriais altamente técnicos dentro de suas áreas de especialização. As evidências sobre o que isso significa para as ameaças atuais à biossegurança são genuinamente divergentes, mas a tendência é difícil de contestar. Os sistemas de IA estão melhorando rapidamente e, ao lado de benefícios significativos para a ciência e a medicina, existe uma possibilidade real de que as barreiras de conhecimento que historicamente impediram agentes mal-intencionados de obter armas biológicas sejam significativamente reduzidas.

O apoio à triagem não depende de uma visão específica sobre IA; o argumento em favor da biossegurança é reconhecido por cientistas e governos há décadas. A triagem também é uma das medidas de biossegurança mais compreendidas e menos disruptivas disponíveis. Ela exige que fornecedores de DNA sintetizado e fabricantes de máquinas de síntese verifiquem pedidos em busca de sequências sensíveis e confirmem a legitimidade dos clientes antes do envio. Os fornecedores também devem registrar os pedidos de síntese e os dados das sequências para apoiar investigações legítimas de biossegurança, de modo que qualquer ameaça que escape à triagem inicial possa ser rastreada até sua origem — inclusive quando sequências individuais não levantariam suspeitas isoladamente. A própria existência da rastreabilidade funciona como um fator de dissuasão contra usos indevidos.

Muitos dos maiores e mais responsáveis fornecedores do setor já realizam a triagem e o registro dos pedidos de forma voluntária, porque é amplamente compreendido que eles desempenham um papel importante na manutenção da confiança pública e na mitigação de possíveis usos indevidos dessa tecnologia.

Por essas razões, os signatários apoiam a obrigatoriedade da triagem da síntese de ácidos nucleicos, incluindo a manutenção de registros, nos Estados Unidos.

Diante da velocidade com que a tecnologia subjacente está evoluindo, acreditamos que a necessidade é urgente. O Congresso deve agir ainda nesta legislatura, e saudamos os esforços legislativos atualmente em andamento. Para garantir um padrão nacional consistente, em vez de um conjunto fragmentado de leis conflitantes, os estados também devem considerar a adoção de exigências baseadas nas diretrizes federais e setoriais já existentes.

Este é um raro momento de consenso entre partes interessadas que frequentemente divergem. Esperamos que os formuladores de políticas públicas respondam com uma ação decisiva.

Atenciosamente.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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